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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

08.12.21

Tradicões * Canção/Canto de Natal tradicional português - "Natal de Linhares", "Alegrem-se os Céus e a Terra" ou "Entrai, pastores, entrai"

História e 3 versões

Miluem

 

"Natal de Linhares", "Alegrem-se os Céus e a Terra" ou "Entrai, pastores, entrai" é uma canção de Natal tradicional portuguesa originária da região da Beira Baixa mas que se espalhou rapidamente por toda a região Centro.

 

Versão de Linhares

Alegrem-se os Céus e a Terra
Cantemos com alegria,
Que é nascido o Deus Menino
Filho da Virgem Maria.

Entrai, pastores, entrai,
Por esse portal sagrado,
Vinde ver o Deus Menino
Numas palhinhas deitado.

Ó meu Menino Jesus
Ó minha tão bela flor
Que Sendes tão pequenino
Sendo tão alto Senhor.

Ó meu Menino Jesus
Convosco é que estou bem.
Nada deste mundo quero
Nada me parece bem.

 

 

Versão de Tortosendo e Cova da Beira

 

Alegre-se o Céu e a Terra,
Cantemos com alegria,
Que já nasceu o Menino,
Filho da Virgem Maria.

Oh! Meu Menino Jesus
Convosco é que estou bem!
Nada deste mundo quero,
Nada me parece Bem.

Nossa Senhora é rosa,
Seu filho um lindo cravo,
São José o jardineiro
Daquele jardim sagrado.

Entrai, pastores, entrai,
Por esse portal sagrado,
Vinde adorar o Menino,
Numas palhinhas deitado.

 

 

Versão de Pedro Fernandes Tomás

 

Alegrem-se os Céus e a Terra
Cantemos com alegria
Que nasceu o Deus Menino
Filho da Virgem Maria.

Entrai, entrai, ó pastores
Por esse portal sagrado;
Vinde adorar o Menino
Numas palhinhas deitado.

Ó meu Menino Jesus
Ó meu lindo amor perfeito,
Se Vós tendes frio, vinde
Abrigar-Vos no meu peito.

Ó meu Menino Jesus
Convosco é que eu estou bem,
Nada deste mundo quero,
Nada me parece bem.

A noite é escura, cerrada,
Brilham já astros no céu;
Vinde adorar, ó pastores,
O Redentor que nasceu.

Colhei florinhas no campo
Trazei-Lhe prendas d'amor
Vinde cantar o Bem-vindo
Ao divino Redentor.

Florinhas num peito fino
Ó meu Jesus, não as há
Dizei-me, bem adorado
Que prenda Vos agradará

Só tenho pra of'recer-Vos
Uma alma que Vos quer bem;
É a melhor prenda que tenho
Não quero amar mais ninguém.

 

 

História

"Alegrem-se os Céus e a Terra" foi composta, segundo o musicólogo português Mário de Sampayo Ribeiro, por um autor anónimo do século XVIII na região da Beira Baixa.

Contudo, espalhou-se por toda a Região Centro através da sua publicação no livro Manual das Filhas de Maria, da associação católica do mesmo nome.

Tornou-se bastante popular e foi, durante vários anos, a principal canção presente na celebração do Natal nas igrejas beirãs. Esse seu estatuto fez com que vários autores portugueses na primeira metade do século XX a tenham coligido e publicado:

 

    1919: uma versão da "Beira Baixa" por Pedro Fernandes Tomás;

    1921: uma versão de Envendos por Francisco Serrano;

    1927: uma versão de Tortosendo e Cova da Beira por Jaime Lopes Dias;

    1935: uma versão da "Beira Baixa" por Francisca Ferreira Martins;

    1938: uma versão da Malpica do Tejo por J. Diogo Correia.

 

Corria o ano de 1939 quando Mário de Sampayo Ribeiro chamou a atenção, pela primeira vez, para a versão cantada em Linhares do concelho de Celorico da Beira

O arranjo que fez desta recolha nessa pequena freguesia, tecnicamente já fora da área geográfica da Beira Baixa, tornou a canção conhecida a nível nacional com a designação "Natal de Linhares".

 

Harmonizações

Das várias harmonizações que recebeu esta célebre melodia natalícia destacam-se:

    "Natal de Linhares" (para SATB) por Mário de Sampayo Ribeiro

    "Alegrem-se os Céus e a Terra" por César Batalha (1988)

    "Alegrem-se os Céus e a Terra" (para solista, orquestra e coro) por Fernando Lapa (1995)

    "Alegrem-se os Céus e a Terra" (para coro a cappella) por Fernando Lapa (1998)

 

Créditos:

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Natal_de_Linhares

Video: Youtube

05.12.21

Tradicões * Canção/Canto de Natal tradicional português - O Menino está dormindo

Miluem

O Menino está dormindo

 

O Menino está dormindo

Nas palhinhas despidinho

Os anjos Lh'estão cantando

Por amor tão pobrezinho

 

O menino está dormindo

Nos braços da virgem pura

Os anjos Lh'estão cantando

Hossana lá na altura

 

O menino está dormindo

Nos braços de São José

Os anjos Lh'estão cantando

Gloria tibi Domine

 

O menino está dormindo

Um sono de amor profundo

Os anjos Lh'estão cantando

Viva o Salvador do Mundo

 

Canto popular

Harmonização de Mário de Sampayo Ribeiro

 

Créditos:

Fonte: https://natura.di.uminho.pt/~jj/musica/html/popular-meninoEstaDormindo.html

Video: youtube

20.11.21

Campo Maior @ Histórias e Contos - O velho sobreiro

Miluem

O velho sobreiro

 

Passava um dia perto do Rossio

Entre a igreja de São Domingos e a Ginjinha

Quando em meu corpo senti um arrepio

Que mesmo das entranhas da minha alma vinha

 

Foi uma graça de Deus a emoção que senti

Quando de repente o meu olhar pousava

No velho sobreiro ali, mesmo ali

Nesse momento senti que no Alentejo estava

 

Mas ai que para meu espanto Lisboa passa

De canastra à cabeça e chinela no pé

Bandeando a anca que enchia de graça

Benzendo seu rosto num gesto de fé

 

No velho sobreiro pousavam pardais

Trinando cantigas ao som do pregão

A varina corria em direcção ao cais

E o sino da igreja fazia dlão, dlão

 

Dlão, dlão…

 

E eu, camponesa, olhava com espanto

Toda esta visão, todo este bulício

Minha alma poeta se enchia de encanto

E as pessoas passavam sem darem por isso

 

Com vida apressada, perdeu-se o encanto

A vida é vivida em função do dinheiro

As pequenas coisas já não causam espanto

E Lisboa já chora abraçada ao sobreiro

 

Mas Deus, Deus que é amor deu o dom ao poeta

Para ver a vida com outra visão

Com outro sentir, que o faz estar alerta

Para as pequenas coisas que tão belas são.

 

 

Créditos:

nome: Rosa Dias

ano nascimento: 1947

concelho: Campo Maior, distrito: Portalegre

data de recolha: Julho 2012

https://www.memoriamedia.net/index.php/campo-maior/72-expressoes-orais/campo-maior/rosa-dias/2511-o-velho-sobreiro

 

23.10.21

Mora @ Histórias e Contos - Corre, corre cabacinha

Miluem

Corre, corre cabacinha 

Era uma vez uma velhinha. Bem, coitadita, na' tinha mais ninguém, vivia sozinha no meio de uma floresta.

Mas, noutros tempos, tinha tido uma filha. A filha entretanto cresceu, fez-se mulher, fez-se uma senhora, foi pra Lisboa. Lá, arranjou um rapaz pa' namorar e tratou do casamento.

E a velhinha sempre lá a viver na floresta. Um belo dia, chegou-lhe a filha à porta (um grande automóvel, tudo muito preparado) pa' convidar a mãe pò casamento. E disse-lhe a mãe:

– Ó filha! Como é que tu queres que eu vá pò casamento, se eu vivo aqui no meio de uma floresta destas?! Atão, os lobos comem-me no caminho!

Filha – Na' comem! Ó mãe na' tenhas medo, que os lobos na' te comem! Vá!

Bem, assim foi. A velhota lá foi. Chegou assim a um cerrozinho, apareceu um lobo com os dentes arreganhados!

Lobo – Ai, velha! Que eu agora como-te!

A velha, esperta, (as velhas são todas espertas) disse pra ele:

– Olha! Olha lobo, vamos fazer aqui um contrato. Na' me comas! Que eu agora vou ao casamento da minha filha, como lá muita carne e muito bolo e venho de lá mais gorda! Atão, depois tu comes-me.

Lobo – 'Tá bem! – O lobo muito guloso. – 'Tá certo.

Lá foi a velhinha. Ora, um grande casamento: comeu, bebeu, comeu, bebeu... Passou três dias naquela vida... A velha já não parecia a mesma! Nisto aproximou-se a hora de ela se ir embora e começou a chorar! Disse-lhe a filha:

– Ó mãe, tu 'tás a chorar de quê?

Velhinha – Ora filha... Atão eu combinei com o lobo, quando vinha pra cá, que vinha ao teu casamento e agora à volta, pra lá, é que ele me comia que eu 'tava mais gorda! E agora ele 'tá lá.

Filha – Olha, na' tenha medo! Na' há problema. Tome lá esta cabaça(4). Quando for lá quase a chegar, meta-se dentro da cabaça. Você sabe o que é que há-de fazer!

Tal e qual! Quando ia lá a chegar ao cerrozinho lá estava o lobo. A velhota pensou "bem, é aqui que o lobo deve de estar". Lá se enrolou toda dentro da cabacinha, quietinha dentro da cabacinha, e lá foi a cabacinha a rebolar. Parou-a o lobo! Disse o lobo:

– Ó cabacinha! Tu não viste p'aí uma velhinha?!

Cabaça – Eu na' vi cá nem velhinha, nem velhão! Rebola cabacinha, rebola cabação! Leva- -me à minha casinha, leva-me ao meu casão! E tu lobo ficaste aí feito gulosão, que na' meteste o dentão!»

E pronto. Assim o enganou!

 

nome: Maria Augusta, ano nascimento: 1932

freguesia: Mora, concelho: Mora                               

distrito: Évora, data de recolha: 2007

https://www.memoriamedia.net/index.php/maria-augusta

 

10.01.21

Maceira, Leiria @ Lendas de Portugal - A Fonte da Barroquinha

Miluem

DSC02380.JPG

A Fonte da Barroquinha

 

 

 

Era uma vez ...em dia já muito recuado na lonjura dos tempos, em pleno verão escaldante, o rei passava com a sua corte ali junto a Maceira.

 

O rei sentia os ardores da sede.

 

Ao passar roçando uma rocha, o poderoso rei, sem poder parara para matar a grande sede que o atormentava, gritou em desespero e tom eivado de maldição, para os seus acompanhantes:


          "Maldito cavalo que não escoicinha esta rocha até fazer água a fartar."

 

Palavras não eram ditas e o cavalo real, como se tivesse compreendido a fala irada do seu dono, dá uma forte parelha de coices na rocha que fez estremecer céu e terra.

 

A escoicinhadela foi tão violenta que o rei teve de se amparar com a sua espada na rocha, no mesmo sítio onde o cavalo do rei escoiçara. Mas a espada, de fraca resistência, encontrou e furou a rocha, e, do furo aberto, jorrou água abundante e fresquinha que dessedentou o rei e toda a sua comitiva.

 

O povo vendo aquela fartura de água tão fresca, onde sempre tudo fora secura, começou a escavar na parte mais baixa da rocha e ali abriu uma pequena barroca, por onde começou o jorramento do precioso líquido refrescante, que nunca mais findou e ainda hoje continua correndo onde se levantou mais tarde, a chamada Fonte da Barroquinha.

 

(in Anais do Município de Leiria, João Cabral)

 

Foto: http://sopensonisso.blogspot.com/2011/02/senhora-da-barroquinha.html

 

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