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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

08.06.20

Vagos @ Lendas de Portugal - Lenda da Nossa Senhora de Vagos

Miluem

Senhora de Vagos.png

Foto: https://pela-positiva.blogspot.com/2011/09/santa-maria-de-vagos-na-lenda-e-na.html?m=1

 

Lenda da Nossa Senhora de Vagos 

 

 

 

A pouco mais de um quilómetro da vila de Vagos, situada num local campestre, pitoresco e aprazível, convidativo à oração, fica a ermida de Nossa Senhora de Vagos cheia de história e tradição.

 

Consta que antes do actual santuário, existiu outro a dois quilómetros deste de que há apenas vestígios de uma parede bastante alta, denominada «Paredes da Torre», cercada presentemente por densa floresta mas de fácil acesso.

 

Tradições antigas com várias lendas à mistura, dizem que perto da praia da Vagueira naufragou um navio francês dentro do qual havia uma imagem de Nossa Senhora que a tripulação conseguiu salvar e esconder debaixo de arbustos que na altura rareavam no areal.

 

Dirigindo-se para Esgueira, freguesia mais próxima, a tripulação contou o sucedido ao Pároco que acompanhado por muitos fiéis, veio ao local onde tinham colocado a imagem, mas nada encontrou.

 

Dizem uns que Nossa Senhora apareceu a um lavrador indicando-lhe o sítio onde se encontrava o qual aí mandou construir uma ermida; dizem outras que apareceu em sonhos a D. Sancho primeiro quando se encontrava em Viseu que dirigindo-se ao local e tendo encontrado a imagem, mandou construir uma capela e uma torre militar a fim de defender os peregrinos dos piratas que constantemente assaltavam aquela praia.

 

Mas parece que a primeira ermida e o culto da Nossa Senhora de Vagos datam do século doze.

 

O que fez espalhar a devoção a Nossa Senhora de Vagos foram os milagres que se lhe atribuem.

 

Entre eles consta a cura de um leproso, Estevão Coelho, fidalgo dos arredores da Serra da Estrela que veio até ao Santuário.

 

Ao sentir-se curado além de lhe doar grande parte das suas terras, ficou a viver na ermida, vindo a falecer em 1515.

 

É deste Estevão Coelho, que conta a lenda ter quatro vezes a imagem de Nossa Senhora de Vagos, sido trazida para a sua nova Capela, quando das ruínas da Capela antiga (Paredes da Torre), e quatro vezes se ter ela ausentado misteriosamente para a Capela primitiva.

 

Só à quarta vez se reparou que não tinham sido transferidos os ossos de Estêvão Coelho, e que as retiradas que a Senhora fazia eram nascidas de querer acompanhar o seu devoto servo que na sua primeira Ermida estava sepultado; trasladados os ossos daquele, logo ficou a Senhora sossegada e satisfeita.

 

Supõe-se que ainda hoje, à entrada do Templo existe uma pedra com o nome de Estêvão Coelho.

 

Outro grande milagre teve como cenário os campos de Cantanhede completamente áridos e impróprios para a cultura devido a uma seca que se prolongava há mais de quatro anos.

 

A miséria e a fome alastrou de tal maneira por aquela região que todo o povo no auge do deserto elevava preces ao Céu, para que a chuva caísse. 

 

Até que indo em procissão à Senhora da Varziela, ouviram um sino tocar para os lados do Mar de Vagos. 

 

Toda a gente tomou esse rumo. 

 

Chegados à Ermida de Nossa Senhora de Vagos, suplicaram a Deus que derramasse sobre as suas terras a tão desejada chuva o que de facto sucedeu.

 

Em face de tão grandioso milagre, fizeram ali mesmo um voto de se deslocarem àquele local de peregrinação, distribuindo ao mesmo tempo as pobres esmolas, dinheiro, géneros, etc. ...

 

Ainda hoje essa tradição se mantém numa manifestação de Fé e Amor.

 

Ainda hoje o pão de Cantanhede continua a ser distribuído em grande quantidade no largo da Nossa Senhora de Vagos.

 

Perto do actual santuário que pelas lápides sepulcrais aí existentes, remota ao século dezassete, construíram-se umas habitações onde de vez em quando se recolhiam em oração os Condes de Cantanhede e os Srs. de Vila Verde.

 

Hoje, já não existem vestígios dessas habitações.

www.aveiro.com.pt

07.06.20

Resende @ Lendas de Portugal - A lenda de Santa Maria de Cárquere

Miluem

 

 

A lenda de Santa Maria de Cárquere

 

 

Onde se pergunta quem foi, afinal, o primeiro rei de Portugal.


Falamos de uma história de novecentos anos, mais pózinho, menos pózinho, quando Portugal era ainda uma miragem.

 

Afonso VI de Castela e Leão, “Imperador de toda a Hispânia”, quando do matrimónio de sua filha ilegítima D. Teresa com o Conde D. Henrique da Borgonha, tinha criado o Condado Portucalense, oferecendo-o como dote a sua filha.

 

Os Condes de Portucale governavam este cantinho da Península, vassalos do Rei de Castela.


Ora vivia na corte um fidalgo, Egas Moniz de seu nome, pertencente à nobre família de Ribadouro. Homem de toda a confiança, solicitou aos seus amos que lhe permitissem a honra de ser aio do futuro governante. E assim se fez quando nasceu Afonso Henriques que veio a ser o único descendente masculino sobrevivente de Henrique e Teresa.

 

Pobre Afonso! Dizem alguns que terá nascido fraco, com as perninhas tortas – as más línguas diziam até que era corcundinha. Temeu-se pela sua vida.

 

Era este bebé o futuro Conde, o futuro chefe militar? Que futuro para o Condado! Que grande tristeza!


Egas Moniz era profundamente dedicado ao pequeno. Foi seu tutor, amigo, mestre d’armas… O bem estar do amo era a sua preocupação maior. Devoto da Virgem Maria, rezava-lhe amiúde, pedindo pela saúde da criança que tanto amava.

 

Teria Afonso uns 5 anos de idade, quando sonhou Egas com Nossa Senhora. Esta ordena-lhe:

 

-Vai, Egas Moniz! Leva Afonso à minha igrejinha de Cárquere (Resende) e aí será curado!

 

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Egas pôs-se a caminho com o jovem infante, cheio de esperança.

 

Colocado o pequeno no altar, terá então procurado uma imagem escondida da Virgem, acendido 2 velas e esperado, murmurando as suas preces.

 

O tempo, nesse tempo sem relógios, passa. Egas adormece, cansado.

 

Uma das velas cai. Assustado, o infante levanta-se com esforço, evitando as chamas e a queimadura certa. Curado sim, com a ajuda da Nossa Senhora.

 

E regressam à corte, aio e amo.

 

O povo rejubilou!!!! O Conde D. Henrique, agradecido pela graça concedida, manda construir, junto à igreja, o Mosteiro de Santa Maria de Cárquere.

 

Egas Moniz foi obreiro do milagre. Mas será que foi mais do que isso?

 

É que se conta, no rol de histórias que passam, que o infante, frágil e enfezado, não terá resistido à primeira infância, deixando o domínio sem herdeiros masculinos… E que Egas Moniz, combinado ou não com o Conde D. Henrique, terá trocado a criança morta por um dos seus próprios filhos, assegurando assim a continuação do Condado Portucalense…

 

Quem sabe?

 

Sabe-se que “Afonso” cresceu e se fez homem. Alto e forte, segundo estudos feito no seu túmulo, dizia-se a que a sua espada era pesadíssima e que nenhum outro poderia manejá-la.

 

E não queria ser Conde! Queria ser Rei! E, para tal, combateu os do seu próprio sangue (?), com Egas Moniz sempre a seu lado.

 

Conforme se diz noutro relato, no auge da guerra pela independência de Portugal, Egas Moniz faz uma promessa de cavaleiro ao rei de Castela e Leão, Afonso VII, em nome de Afonso.

 

Afonso não cumpre! Então Egas Moniz e a família viajam a Toledo, apresentando-se ao Rei de Castela e Leão, todos de corda ao pescoço, oferecendo a vida.

 

Afonso VII, condoído, perdoa… E os Moniz voltam para Portugal. Para seu rei…ou seu parente chegado?


Ao falecer Egas, foi sepultado junto ao seu Paço de Sousa, Penafiel. Posteriormente, foi transladado para o interior do Mosteiro. É então que, para espanto de todos, se viu serem os ossos das suas pernas extremamente longos, transformando-o aos olhos das gentes num homem descomunal, um verdadeiro gigante para a época.

 

Aio ou pai do primeiro Rei de Portugal, Egas Moniz foi, sem dúvida, um homem lendário!

 

Fonte: https://portugaldelesales.pt

Fotos:

 https://cm-resende.pt

https://www.rotadoromanico.com