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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

01.01.22

Ano Novo | poema de Cecília Meireles

Miluem

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Renova-te.

Renasce em ti mesmo.

Multiplica os teus olhos, para verem mais.

Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.

Destrói os olhos que tiverem visto.

Cria outros, para as visões novas.

Destrói os braços que tiverem semeado,

Para se esquecerem de colher.

Sê sempre o mesmo.

Sempre outro. Mas sempre alto.

Sempre longe.

E dentro de tudo.

 

Cecília Meireles.

 

Créditos:

Fonte: http://www.blogclubedeleitores.com/2012/12/poemas-de-ano-novo-com-cecilia-meireles.html?m=1

Foto: https://pgl.gal/cecilia-meireles-importante-tagoreana-brasil/

31.12.21

Ano Novo | Ano Novo de Mário Quintana

Desejo um Ano Novo cheio de coisas boas

Miluem

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Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas buzinas

Todos os tambores

Todos os reco-recos tocarem:

– Ó delicioso vôo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança

E em torno dela indagará o povo:

– Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?

E ela lhes dirá

( É preciso dizer-lhes tudo de novo )

Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:

– O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …

 

Mário Quintana

 

Créditos:

Fonte: https://factivel.wordpress.com/poesia/mario-quintana-ano-novo/

Foto: 

https://homoliteratus.com/5-extraordinarios-poemas-de-mario-quintana/

30.12.21

Ano Novo | Ano Novo de Ferreira Gular

Miluem

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Meia-noite. Fim

de um ano, início

de outro. Olho o céu:

nenhum indício.

Olho o céu:

o abismo vence o

olhar. O mesmo

espantoso silêncio

da Via-Láctea feito

um ectoplasma

sobre a minha cabeça

nada ali indica

que um ano novo começa.

E não começa

nem no céu nem no chão

do planeta:

começa no coração.

Começa como a esperança

de vida melhor

que entre os astros

não se escuta

nem se vê

nem pode haver:

que isso é coisa de homem

esse bicho

estelar

que sonha

(e luta).

 

Ferreira Gullar

 

Créditos:

Fonte: http://artecult.com/tres-poemas-sobre-o-ano-novo/

Foto: https://www.revistabula.com/12068-os-10-melhores-poemas-de-ferreira-gullar/

24.12.21

Poemas de Natal * Natal… Natais… de Cabral do Nascimento

Boas Festas. Desejo um Natal com Saúde, Alegria e Paz.

Miluem

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Natal… Natais…

Tu, grande Ser,

Voltas pequeno ao mundo.

Não deixas nunca de nascer!

Com braços, pernas, mãos, olhos, semblante,

Voz de menino.

Humano o corpo e o coração divino.

 

Natal… Natais…

Tantos vieram e se foram!

Quantos ainda verei mais?

 

Em cada estrela sempre pomos a esperança

De que ela seja a mensageira,

E a sua chama azul encha de luz a terra inteira.

Em cada vela acesa, em cada casa, pressentimos

Como um anúncio de alvorada;

E ein cada árvore da estrada

Um ramo de oliveira;

E em cada gruta o abrigo da criança omnipotente;

 

E no fragor do vento falas de anjos, e no vácuo

De silêncio da noite

Estriada de súbitos clarões,

A presença de Alguém cuja forma é precária

E a sua essência, eterna.

Natal… Natais…

Tantos vieram e se foram!

Quantos ainda verei mais?

 

Cabral do Nascimento, em ‘Cancioneiro’.

 

Créditos:

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/12-poemas-de-natal-escolha-o-seu/?amp=1

Foto: 

https://queridasbibliotecas.blogspot.com/2015/11/joao-cabral-do-nascimento-1897-1978.html?m=1

20.11.21

Campo Maior @ Histórias e Contos - O velho sobreiro

Miluem

O velho sobreiro

 

Passava um dia perto do Rossio

Entre a igreja de São Domingos e a Ginjinha

Quando em meu corpo senti um arrepio

Que mesmo das entranhas da minha alma vinha

 

Foi uma graça de Deus a emoção que senti

Quando de repente o meu olhar pousava

No velho sobreiro ali, mesmo ali

Nesse momento senti que no Alentejo estava

 

Mas ai que para meu espanto Lisboa passa

De canastra à cabeça e chinela no pé

Bandeando a anca que enchia de graça

Benzendo seu rosto num gesto de fé

 

No velho sobreiro pousavam pardais

Trinando cantigas ao som do pregão

A varina corria em direcção ao cais

E o sino da igreja fazia dlão, dlão

 

Dlão, dlão…

 

E eu, camponesa, olhava com espanto

Toda esta visão, todo este bulício

Minha alma poeta se enchia de encanto

E as pessoas passavam sem darem por isso

 

Com vida apressada, perdeu-se o encanto

A vida é vivida em função do dinheiro

As pequenas coisas já não causam espanto

E Lisboa já chora abraçada ao sobreiro

 

Mas Deus, Deus que é amor deu o dom ao poeta

Para ver a vida com outra visão

Com outro sentir, que o faz estar alerta

Para as pequenas coisas que tão belas são.

 

 

Créditos:

nome: Rosa Dias

ano nascimento: 1947

concelho: Campo Maior, distrito: Portalegre

data de recolha: Julho 2012

https://www.memoriamedia.net/index.php/campo-maior/72-expressoes-orais/campo-maior/rosa-dias/2511-o-velho-sobreiro

 

20.05.21

Meu Castelo Amado (Leiria) de Basílio Artur Pereira

O último Alcaide do Castelo de Leiria

Miluem

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O Castelo de Leiria reabre ao público no próximo dia 22 de maio, o dia da cidade, depois de ter  estado encerrado nos 2 últimos anos para obras de requalificação e construção de 3 elevadores de acesso.

 

Esta é a minha pequena homenagem ao Sr. Basílio, o último Alcaide do Castelo.

 

Meu Castelo Amado

 

Meu castelo amado
Me viste nascer
Quanto amor te tenho
Me verás morrer

São pedras velhinhas
E de quantos anos
Meu castelo amado
De encantos tamanhos

Foram meus avós
Que anos te guardaram
Depois meus pais
Assim continuaram

E até quando
Eu te guardarei
Meu castelo amado
Não te esquecerei

 

In


As minhas lembranças
História do último Alcaide do Castelo de Leiria
por

Basílio Artur Pereira

 

Foto: Google

 

12.04.21

Poetas portugueses | Esperança de Miguel Torga

Miluem

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Esperança

 

Tantas formas revestes, e nenhuma

Me satisfaz!

Vens às vezes no amor, e quase te acredito.

Mas todo o amor é um grito

Desesperado

Que apenas ouve o eco...

Peco

Por absurdo humano:

Quero não sei que cálice profano

Cheio de um vinho herético e sagrado.   

 

Miguel Torga,

in 'Penas do Purgatório'

 

https://momentosdeleitura.blogs.sapo.pt