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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

02.04.22

Pintores portugueses = José de Almada Negreiros

Pintura, Desenho, Tapeçaria e Poesia

Miluem

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Auto-Retrato - José de Almada Negreiros

 

José de Almada Negreiros

artista multimédia

 

José de Almada Negreiros nasceu em São Tomé e Príncipe em 1893, morrendo em Lisboa em 1970. Dele saíram quase todas as formas por que se pode expressar a arte, ou terá sido, como já lhe chamaram, artista multimédia antes do seu tempo.

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The nap, José de Almada Negreiros, 1939 (A sesta)

Ao lado de nomes como o de Mário de Sá-Carneiro e de Fernando Pessoa, Almada marca indelevelmente a evolução da cultura contemporânea portuguesa ao nível plástico e literário. Centremo-nos apenas na produção literária, assumindo que para Almada tudo o que redunde em espetáculo, interessa.

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The fisherman, tapestry José de Almada Negreiros •  ?  (Pescador, Tapeçaria)

Em 1914 publica o primeiro poema, mas é em 1915, com a publicação do texto “Frizos” no número 1 da revista literária “Orpheu”, que a base da postura iconoclasta é lançada, vindo a cristalizar-se num dos principais representantes da vertente vanguardista do movimento modernista. Escreve, em 1915, “A Cena do Ódio”. Mais tarde, o “Manifesto Anti-Dantas”- exemplar na investida contra uma intelectualidade passadista, convencional e burguesa – e “Litoral”, ambos de 1916, “A Engomadeira” e “K4 O Quadrado Azul”, publicados em 1917. Este é também o ano da 1.ª Conferência Futurista e de “Portugal Futurista”, que organiza com Santa-Rita Pintor, e altura da assunção plena do rótulo de futurista, numa provocação ao passadismo e como representação da modernidade. Em “Portugal Futurista”, revista de número único e associada à Conferência, publica os textos “Mima Fataxa” e “Saltimbancos”.

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Figurines for Cunha Taylors,  José de Almada Negreiros, 1913

Em Paris (1919 e 1920), desenvolve a poética da ingenuidade e publica, já de volta a Lisboa e no âmbito da sua terceira exposição individual no Teatro de S. Carlos, “A Invenção do Dia Claro” (1921). Nesta década de 20 publica “Arlequim” e “Pierrot” (1924) e começa a escrever “Nome de Guerra” (1925); mantém colaborações com as revistas “Contemporânea”, “Athena” e “Presença”, no “Sempre Fixe” e no “Diário de Lisboa”; a produção de outros tipos de manifestação artística, entre eles a pintura, soma-se à literária, mas acaba por constatar que “é viver o que é impossível em Portugal” (1926).

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Family José de Almada Negreiros •  1940 (Família)

Parte para Madrid em 1927 e aí fica até 1932, em contacto direto e produtivo com a cena artística madrilena. Regressado a Portugal, encara esperançoso a relação entre poderes públicos e a individualidade artística. O casamento com a pintora Sarah Affonso traz-lhe estabilidade emocional e também financeira, assegurando-lhe a rota para a consagração através de vários prémios e distinções enquanto pintor. Como autor, publica “Nome de Guerra” (1938). Enquanto ensaísta, teórico de arte, publica “Ver “(1943), “Mito-Alegoria-Símbolo” (1948) e “A Chave Diz: Faltam Duas Tábuas e Meia no Todo da Obra de Nuno Gonçalves” (1950).

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Portrait of Fernando Pessoa, José de Almada Negreiros •  1954 (Retrato de Fernando Pessoa)

Almada morre no Hospital de S. Luís dos Franceses, em Lisboa, no mesmo quarto onde lhe morrera o amigo Fernando Pessoa, o único que havia tido o privilégio de ir ao seu casamento.

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Acrobats José de Almada Negreiros •  1947

Créditos:

Fonte: https://ensina.rtp.pt/artigo/jose-de-almada-negreiros/

Fotos:  https://www.wikiart.org/pt/jose-de-almada-negreiros   /   Family José de Almada Negreiros •  1940    /   The fisherman, tapestry José de Almada Negreiros •  ?    /   Portrait of Fernando Pessoa José de Almada Negreiros •  1954    /   The nap José de Almada Negreiros •  1939    /   Figurines for Cunha Taylors José de Almada Negreiros •  1913   /   Acrobats José de Almada Negreiros •  1947

 

Poesia de Almada Negreiros

 

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Almada Negreiros e Sarah Affonso

 

Momento de Poesia

 

Se me ponho a trabalhar

e escrevo ou desenho,

logo me sinto tão atrasado

no que devo à eternidade,

que começo a empurrar pra diante o tempo

e empurro-o, empurro-o à bruta

como empurra um atrasado,

até que cansado me julgo satisfeito;

e o efeito da fadiga

é muito igual à ilusão da satisfação!

Em troca, se vou passear por aí

sou tão inteligente a ver tudo o que não é comigo,

compreendo tão bem o que não me diz respeito,

sinto-me tão chefe do que é fora de mim,

dou conselhos tão bíblicos aos aflitos

de uma aflição que não é minha,

dou-me tão perfeitamente conta do que

se passa fora das minhas muralhas

como sou cego ao ler-me ao espelho,

que, sinceramente não sei qual

seja melhor,

se estar sozinho em casa a dar à manivela do mundo,

se ir por aí a ser o rei invisível de tudo o que não é meu.

 

Almada Negreiros, Escrito em 14 de Dezembro de 1941.

 

 

Luís, o Poeta, Salva a Nado o Poema

 

Era uma vez

um português

de Portugal.

O nome Luís

há-de bastar

toda a nação

ouviu falar.

Estala a guerra

e Portugal

chama Luís

para embarcar.

Na guerra andou

a guerrear

e perde um olho

por Portugal.

Livre da morte

pôs-se a contar

o que sabia

de Portugal.

Dias e dias

grande pensar

juntou Luís

a recordar.

Ficou um livro

ao terminar.

muito importante

para estudar:

Ia num barco

ia no mar

e a tormenta

vá d’estalar.

Mais do que a vida

há-de guardar

o barco a pique

Luís a nadar.

Fora da água

um braço no ar

na mão o livro

há-de salvar.

Nada que nada

sempre a nadar

livro perdido

no alto mar.

– Mar ignorante

que queres roubar?

a minha vida

ou este cantar?

A vida é minha

ta posso dar

mas este livro

há-de ficar.

Estas palavras

hão-de durar

por minha vida

quero jurar.

Tira-me as forças

podes matar

a minha alma

sabe voar.

Sou português

de Portugal

depois de morto

não vou mudar.

Sou português

de Portugal

acaba a vida

e sigo igual.

Meu corpo é Terra

de Portugal

e morto é ilha

no alto mar.

Há portugueses

a navegar

por sobre as ondas

me hão-de achar.

A vida morta

aqui a boiar

mas não o livro

se há-de molhar.

Estas palavras

vão alegrar

a minha gente

de um só pensar.

À nossa terra

irão parar

lá toda a gente

há-de gostar.

Só uma coisa

vão olvidar

o seu autor

aqui a nadar.

É fado nosso

é nacional

não há portugueses

há Portugal.

Saudades tenho

mil e sem par

saudade é vida

sem se lograr.

A minha vida

vai acabar

mas estes versos

hão-de gravar.

O livro é este

é este o canto

assim se pensa

em Portugal.

Depois de pronto

faltava dar

a minha vida

para o salvar.

 

Escrito em Madrid (Dezembro de 1931)

Publicado no Diário de Lisboa em 1931

Disponível em Project Gutenberg *

Créditos: 

Fonte: https://textosdepoesia.wordpress.com/category/almada-negreiros/

Fotos: https://www.publico.pt/2021/07/15/culturaipsilon/noticia/espolio-almada-negreiros-sarah-affonso-vai-ficar-guarda-universidade-nova-lisboa-1970539    /   https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/retrospetiva-da-gulbenkian-dedicada-a-almada-negreiros-atravessa-lisboa

 

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Projecto Gutenberg *

Livros de Almada Negreiros gratuitos para ler on-line ou fazer download.

https://www.gutenberg.org/ebooks/search/?query=almada+negreiros&submit_search=Go%21

 

* O Projeto Gutenberg (AO 1945: Projecto Gutenberg) (PG) é um esforço voluntário para digitalizar, arquivar e distribuir obras culturais através da digitalização de livros. Fundado em 1971, é a mais antiga biblioteca digital. A maioria dos itens no seu acervo são textos completos de livros em domínio público. O projeto tenta torná-los tão livres quanto possível, em formatos duradouros e abertos, que possam ser usados em praticamente quaisquer computadores.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Projeto_Gutenberg

12.03.22

Pintores portugueses = Domingos Sequeira (1768-1837)

Miluem

0fb7d94f-182e-42c5-9f64-0363564bad11.jpg!Portrait.

Domingos Sequeira (1768-1837)

 

António do Espírito Santo, segundo filho do algarvio António do Espírito Santo e de Rosa Maria Lima, natural de Lisboa, nasceu em Belém, a 10 de Março de 1768.

Foi baptizado na igreja paroquial da Ajuda, recebendo como padrinho o seu tio Domingos de Sequeira Chaves, tendeiro de profissão, de quem tomou o apelido que usou no seu percurso artístico.

Em Lisboa frequentou a Aula Pública de Desenho, regida por Joaquim Manuel da Rocha e sediada no convento dos Caetanos (actual Conservatório Nacional), onde se manteve como aluno ordinário até 1781.

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Sopa dos Pobres em Arroios  - Domingos António de Sequeira 1813

Em 1784 alcançou o 1.º prémio com o desenho "Pirro e Glaucias". Dois anos depois terminou o curso e recebeu novo prémio com "Ismael expulsando Agar".

Aos 18 anos ingressou na Oficina de Francisco de Setúbal e, em 1788, partiu para Roma com uma pensão régia, obtida com a intervenção do Marquês de Marialva.

Em Roma, visitou pinacotecas, pintou retratos e copiou obras-primas. Foi protegido pelo encarregado de negócios da embaixada portuguesa, José Pereira Santiago, e pelos embaixadores D. João de Mello e Castro (1756-1814) e D. Alexandre de Sousa Holstein (1751-1803). Passou pela Academia Portuguesa das Artes e estudou com os professores António Cavallucci (1752-1795) e Domenico Corvi (1721-1803).

No início do ano de 1789 obteve o 2.º prémio no concurso da Scuola del Nudo em Campidoglio e, logo a seguir, o 2.º prémio na classe de pintura do concurso Clementino, promovido pela Accademia di San Luca.

Nas cartas que trocou com João Pinto da Silva, guarda-jóias da rainha e seu interlocutor na corte portuguesa, queixou-se da sua pensão, que considerou diminuta. Em resposta a este desabafo foi-lhe sugerido que oferecesse obras à rainha. Aproveitou o conselho e enviou à monarca uma cópia de "Santa Maria Madalena", de Guido Reni e ofereceu a Pinto da Silva um "S. Sebastião".

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O Milagre de Ourique, Domingos António de Sequeira 1793

Para a corte produziu outros quadros como "Moeda de César" e "Milagre de Ourique" quando se candidatou ao lugar de pintor régio.

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Alegoria à Fundação da Casa Pia, Domingos António de Sequeira 1792-1794

Para Pina Manique (1733-1805) realizou "Alegoria à Fundação da Casa Pia".

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Pregação de S. João Baptista, Domingos António de Sequeira, 1793

Em 1793 foi nomeado membro da academia romana de S. Lucas, com o grau de professor. A apresentação da "Degolação de S. João Baptista" deu-lhe vantagem sobre o seu adversário Vieira Portuense, que também se encontrava em Itália.

Entretanto, pensou deixar Roma para se juntar a Melo e Castro que fora nomeado embaixador de Londres, mas foi contrariado no seu intento pelo financiador Pinto da Silva. Numa outra missiva solicitou apoio para regressar a Portugal, voltando a lamentar-se da pensão que auferia e considerava ser inferior à dos alunos enviados para Roma por Pina Manique, assim como à de Vieira Portuense. O guarda-jóias da rainha insistiu para que se mantivesse em Roma, advertindo-o de que em Portugal não havia mercado para a sua arte, mas o artista só recebeu esta carta quando já se encontrava em viagem. No regresso, foi bem recebido nas cidades italianas por onde passou: Bolonha, Parma, Florença, Milão e Veneza.

Em Lisboa, em 1795, instalou-se em Belém e continuou a pintar. Por esses quadros cobrava preços elevados, o que o levou a procurar apoio em colegas de profissão como Cirilo Volkmar Machado e Pedro Alexandrino para, em conjunto, inflacionarem o valor monetário da pintura em Portugal.

Nesta fase da vida frequentava o Palácio de Arroios, de D. Rodrigo de Sousa Coutinho (Conde de Linhares), para o qual produziu obras e onde deu lições à condessa. Em simultâneo, executava encomendas, como o pano de boca do Teatro S. João, no Porto, no qual representou a "Volta de Vasco da Gama da Índia".

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São Bruno em oração, Domingos António de Sequeira, 1799-1800

O sucesso de que gozava não o impediu de cair num profundo estado de melancolia, supostamente atribuído à dimensão reduzida do mercado artístico nacional e a um desgosto amoroso que envolveu uma familiar da abastada família dos Cometti com quem se tinha relacionado em Roma. Este estado de espírito levou-o a uma clausura temporária na Cartuxa de Laveiras, em Caxias. Aqui, pintou obras dedicadas a S. Bruno de Colónia, fundador da Ordem dos Cartuxos, com fortes influências de Domenichino e Guido Reni.

Em 1802, depois de deixar a vida religiosa, foi nomeado "Primeiro Pintor de Câmara e Corte" juntamente com Vieira Portuense, passando a auferir um ordenado anual de 2 contos de réis, com direito a sege oficial. Os dois artistas ficaram encarregados de dirigir os trabalhos de pintura do Palácio da Ajuda e de proporem pintores para aquela obra e para o ensino numa escola instituída junto do palácio.

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Retrato equestre de Carlota Joaquina de Bourbon, Domingos António de Sequeira, 1830

Nesse ano, Domingos Sequeira pintou um retrato do príncipe regente tendo o Palácio da Ajuda como pano de fundo e, meses depois, foi nomeado mestre de Desenho e Pintura da Princesa da Beira, da mãe desta (D. Carlota Joaquina) e das tias (D. Maria Francisca Benedita e D. Maria Ana).

Para o príncipe regente fez, também, um retrato equestre e para o novo palácio realizou os tectos, ocultados por obras posteriores, e várias telas. Entre elas, diversas passagens da vida de D. Afonso Henriques, as quais foram levadas para o Brasil e hoje se encontram desaparecidas.

Domingos Sequeira trabalhou igualmente no Palácio/Convento de Mafra, tendo feito esboços para composições parietais e telas, como "Duarte Pacheco combatendo o Samorim", para a Sala das Descobertas.

Após a morte de Vieira Portuense, em 1805, assumiu a direcção da Aula de Desenho e Pintura da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto, entre 1806 e 1821.

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Retrato da família do 1º Visconde de Santarém,  Domingos António de Sequeira, 1810-1816

Em 1808, regressou a Lisboa e aqui estabeleceu relações com o Conde de Forbin, oficial do Estado-Maior e pintor amador e com outros oficiais franceses, chegando a pintar a tela inacabada "Junot protegendo a cidade de Lisboa", a qual não agradou ao seu encomendador, que pretendia a representação de Lisboa como uma cidade confiante.

Em Dezembro, foi preso à saída de um jantar na casa do Marquês de Marialva, sob a falsa acusação de, num café, ter falado indecorosamente acerca do príncipe regente. Depois deste episódio ficou encarcerado no Limoeiro. O processo que lhe moveram acusou-o de colaboracionismo com os franceses e, especificamente, de ter convertido a sala de dossel do Palácio da Ajuda em ateliê, de nela ter colocado um cavalo para retratar o major Constante de ter pintado uma alegoria a Junot.

Depois de libertado, em Setembro de 1809, manteve o cargo de pintor de Câmara e Corte, mas nunca mais voltou a trabalhar para o Palácio da Ajuda.

Durante os anos seguintes esforçou-se por exaltar Portugal e a sua coroa. Pintou telas como "Alegoria às Virtudes do Príncipe Regente", uma obra neoclássica destinada ao regente e encomendada pelo Barão de Sobral, "Génio da Nação Portuguesa" e "Lisboa, protegendo os seus habitantes", financiadas pelo Barão de Quintela. Trabalhou também na concepção artística, iconografia e direcção da baixela em prata oferecida a Wellington, como agradecimento pela expulsão dos franceses.

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Benedita Vitória de Sequeira, Domingos António de Sequeira, 1815-16

Em 1809 casou com Mariana Benedita Vitória Verde e, a partir de então, passou a juntar retratos de família aos seus muitos auto-retratos. Fez-se pintar com a mulher e com o irmão desta, o seu amigo João Baptista Verde, fez um ex-voto representando o difícil parto do seu primogénito e pintou os filhos.

Ficou viúvo quando nasceu o seu filho Domingos, que acabaria por morrer prematuramente em 1817.

Na obra "Retrato do conde de Farrobo" (Joaquim Pedro de Quintela, futuro barão e depois conde de Farrobo) e no retrato da sua filha anunciou a viragem para uma nova estética romântica.

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Portugal à beira do abismo, Domingos António de Sequeira, 1820

Depois da Revolução de 1820, a imprensa informou que Domingos Sequeira se encontrava a pintar "Alegoria à Constituição" e "Portugal à beira do Abismo". Em 1821, o pintor escreveu ao congresso oferecendo-se para representar os grandes feitos da época em dois quadros (a tal "Alegoria à Constituição" e uma representação do congresso), apresentou projectos para monumentos à Constituição, desenhou as primeiras notas do Banco de Portugal, de que foi accionista, figurinos dos ministros de Estado e diplomatas, medalhas comemorativas e foi autor do projecto do túmulo de Fernandes Tomás. Colaborou também na decoração da Sala das Cortes, para onde pintou um retrato do rei.

Em Janeiro de 1823, as cortes debaterem os ordenados dos "Pintores de Câmara" inscritos na verba do Palácio da Ajuda e a organização do Ensino das Belas Artes. O nome de Domingos Sequeira surgiu em vários discursos que evidenciaram tanto o seu mérito como a pouca dedicação ao ensino. Na sequência do debate foi nomeado sócio-fundador e presidente perpétuo do Ateneu das Belas-Artes e, mais tarde, professor de Pintura de História no Liceu das Belas-Artes.

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Retrato de moça - Domingos António de Sequeira 1810

Depois da Vilafrancada de 1823, os cursos de Belas-Artes criados no mês anterior foram encerrados, não se concretizou o monumento dedicado à Constituição a erguer no Rossio e ficou comprometida a finalização das telas para o congresso.

Temendo o seu futuro, Domingos Sequeira obteve um passaporte por intermédio do futuro duque de Palmela, então Ministro dos Negócios Estrangeiros, que lhe conseguiu garantir o vencimento de pintor régio (depois cancelado em 1831) e em Setembro embarcou com a filha para Plymouth, acompanhando o movimento de exilados liberais, em vésperas da guerra civil.

Ao chegar a Paris era aguardado pelo Marquês de Marialva, reempossado embaixador, que faleceu passado um mês e meio. O artista dedicou-lhe um retrato alegórico litografado, que foi a primeira de muitas litografias.

Procurou então a protecção de um velho conhecido, o conde de Forbin, na altura director dos museus franceses, que o acolheu bem e o apresentou a François Gerard, pintor que em 1871 ilustrara a edição d’"Os Lusíadas", do Morgado de Mateus. Por seu intermédio contactou com novas correntes artísticas e participou no "Salon" de 1824 onde expôs "Fuga para o Egipto" e "A morte de Camões", tela inaugural da pintura romântica portuguesa, já desaparecida e apenas conhecida através de esboços. Ainda em Paris, fez retratos do embaixador do Brasil, Barão de Pedra Branca, com a mulher e a filha, de Adrião Ribeiro das Neves e de D. João VI.

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Adoração dos Magos - Domingos António de Sequeira, 1828

Com cerca de 60 anos radicou-se em Roma para fugir à inconstância do clima francês e à falta de saúde, ao mesmo tempo que procurava um meio artístico mais familiar. Foi bem acolhido pelo embaixador de Portugal, o Conde do Funchal, irmão de D. Rodrigo de Sousa Coutinho. E conseguiu ser nomeado decano e conselheiro da Academia de S. Lucas. Recebeu encomendas de pintura sacra para religiosos e aristocratas e deu início a quatro telas sobre a vida de Cristo e temas dos Evangelhos, que renovaram e coroaram a sua obra: "Descida da Cruz" (1827), "Adoração dos Magos" (1828), "Ascensão" (1828-1830) e "Juízo Final" (1828-1830).

Em 1833 foi acometido por ataques apoplécticos. Deixou, então, de pintar, vivendo mais quatro anos, embora privado das faculdades mentais. Não teve, assim, percepção das distinções atribuídas pelo governo setembrista, que o nomeou comendador da Ordem de Cristo e director honorário da Academia de Belas Artes.

Domingos Sequeira faleceu em Roma aos 69 anos de idade, sendo sepultado na Igreja de Santo António dos Portugueses.

 

Créditos:

Fonte: https://sigarra.up.pt/up/pt/web_base.gera_pagina?p_pagina=antecedentes%20da%20u.porto%20-%20biografia%20de%20domingos%20sequeira

Fotos:

https://www.wikiart.org/pt/domingos-sequeira

https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Milagre_de_Ourique_(Domingos_Sequeira)

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Alegoria_da_Funda%C3%A7%C3%A3o_da_Casa_Pia_de_Bel%C3%A9m

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Domingos_Sequeira_-_Prega%C3%A7%C3%A3o_de_S._Jo%C3%A3o_Baptista,_1793.png

http://www.museudearteantiga.pt/colecoes/pintura-portuguesa/adoracao-dos-magos

https://www.e-cultura.pt/artigo/11000

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Domingos_Sequeira_-_Portugal_%C3%A0_beira_do_abismo,_1820.png

https://pt.wikipedia.org/wiki/Retrato_de_Domingos_e_Mariana_Benedita_Vit%C3%B3ria_de_Sequeira_(Domingos_Sequeira)

https://www.wikiart.org/pt/domingos-sequeira/retrato-equestre-de-carlota-joaquina-de-bourbon-1830

https://artsandculture.google.com/asset/retrato-de-mo%C3%A7a-domingos-sequeira/FgGYuu0XxrX1bw?hl=pt-br

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sopa_dos_Pobres_em_Arroios_(Domingos_Sequeira)

https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Bruno_em_oração_(Domingos_Sequeira)

16.02.21

Vasco Santana - Exposição Virtual

Arquivo Nacional Torre do Tombo

Miluem

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Vasco António Rodrigues Sant’Ana

(Lisboa, Benfica, 28 de Janeiro de 1898

— Loures, Caneças, 13 de Junho de 1958),

mais conhecido como Vasco Santana,

foi um dos maiores actores portugueses.

O pai era Henrique Santana,

ensaiador e cenógrafo-maior do teatro em Portugal

e sua mãe Maria Filomena Rodrigues Sant’Ana.

Chega ao teatro em 1917 na peça “O Beijo”,

em exibição no teatro Avenida, em Lisboa.

No dia 13 de julho de 1958, Vasco Santana morreu.

 

http://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/vasco-santana/

 

16.05.20

Ataque d'Alcacer do Sal por D. Affonso Henriques - Gravura da Biblioteca Nacional de Portugal

Miluem

 

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Ataque d'Alcacer do Sal por D. Affonso Henriques [ Visual gráfico]

 

AUTOR(ES):        Litografia de Santos,impr.

PUBLICAÇÃO:    [S.l. : s.n., entre 1829 e 1852] ( Lisboa : -- Lith. de Santos)

DESCR.FÍSICA:    1 gravura : litografia, color. ; 18,6x26,5 cm (dim. da comp., sem letra)

NOTAS:               Data segundo período de actividade do impressor

CDU:     355.48(469)"11"(084.1)

763(=1:469)"18"(084.1)

929.7Afonso Henriques, Rei de Portugal(084.1)

94(469)"11"(084.1)

END. WWW:      http://purl.pt/41

 

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Gravura  do Domínio Público digitalizada pela Biblioteca Nacional Digital, o seu download é gratuito.

15.03.20

Ernesto Korrodi - Exposição em Leiria

Galeria do antigo Banco de Portugal (BAG)

Miluem

No mês passado, quando fui a Leiria, visitei a a BAG, já tinha deixado umas fotos da exposição "Mais chão público por favor", agora deixo da outra exposição que também está patente, "Ernesto Korrodi - para além da arquitectura".

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25.02.20

"Mais chão público por favor"

Ana Bonifácio

Miluem

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Já tinha mencionado que na deslocação da parvalheira até à cidade de Leiria, tinha visitado a Galeria do antigo Banco de Portugal (BAG)

Neste momento estão patentes duas exposições:

- Uma na "Project Room" com o nome, "Mais chão público por favor" da artista Ana Bonifácio, que ocupa duas salas no r/c,

- Outra sobre a vida e obra do Arquiteto Ernesto Korrodi autor do próprio edifício.

 

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Gostei muito da exposição de Ana Bonifácio, que não conhecia, gostei muito do elemento central da exposição ser o centro da flor da Magnólia. (estava a escrever com tanta certeza e agora fui invadida por um medo terrível de estar a dizer um grande disparate!)

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Visitem e digam se estou a dizer um disparate, a exposição é muito bonita  e a entrada é gratuita.

 

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