Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

24.12.21

Poemas de Natal * Natal… Natais… de Cabral do Nascimento

Boas Festas. Desejo um Natal com Saúde, Alegria e Paz.

Miluem

transferir.jpg

Natal… Natais…

Tu, grande Ser,

Voltas pequeno ao mundo.

Não deixas nunca de nascer!

Com braços, pernas, mãos, olhos, semblante,

Voz de menino.

Humano o corpo e o coração divino.

 

Natal… Natais…

Tantos vieram e se foram!

Quantos ainda verei mais?

 

Em cada estrela sempre pomos a esperança

De que ela seja a mensageira,

E a sua chama azul encha de luz a terra inteira.

Em cada vela acesa, em cada casa, pressentimos

Como um anúncio de alvorada;

E ein cada árvore da estrada

Um ramo de oliveira;

E em cada gruta o abrigo da criança omnipotente;

 

E no fragor do vento falas de anjos, e no vácuo

De silêncio da noite

Estriada de súbitos clarões,

A presença de Alguém cuja forma é precária

E a sua essência, eterna.

Natal… Natais…

Tantos vieram e se foram!

Quantos ainda verei mais?

 

Cabral do Nascimento, em ‘Cancioneiro’.

 

Créditos:

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/12-poemas-de-natal-escolha-o-seu/?amp=1

Foto: 

https://queridasbibliotecas.blogspot.com/2015/11/joao-cabral-do-nascimento-1897-1978.html?m=1

22.12.21

««Tradições de Natal - A Missa do Galo

Miluem

800px-Mosteiro_sao_bento_natal_2009_missa_galo.jpg

Você sabe como surgiu a expressão “Missa do Galo”?

 

A origem do nome pode estar ligada a várias tradições seculares

A“Missa do Galo”, que acontece à meia-noite do dia 24 de dezembro, foi instituída pelo Papa São Telesforo no ano 143.  

Desde o século IV, um hino latino cantado na cerimônia do Natal aponta o nascimento do Cristo no meio da noite. Daí o costume de assumir a meia-noite como hora do nascimento de Jesus.

Mas de onde surgiu a expressão “Missa do Galo”? Existem várias explicações que versam sobre a origem dessa denominação.

Uma delas, de origem romana, conta que, naquele 24 de dezembro, foi a única vez que o galo cantou à meia-noite, antecipando o anúncio do nascimento de Jesus.

O galo era considerado uma ave sagrada no antigo Império Romano. O animal passou a simbolizar vigilância, fidelidade e testemunho cristão. Tanto que, nas Igrejas mais antigas, há a figura da ave em seus campanários.

Outra lenda diz que, antes de baterem as 12 badaladas da meia-noite do dia 24 de dezembro, cada lavrador da província de Toledo, Espanha, matava um galo em memória daquele que cantou quando Pedro negou Jesus. A ave era levada para a Igreja e, depois, doada aos pobres, garantindo-lhes um Natal mais feliz.

Há ainda outra explicação: a que diz que  a comunidade cristã de Jerusalém ia em peregrinação a Belém para participar da Missa do Natal na primeira vigília da noite dos judeus, na hora do primeiro canto do galo.

cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg

O certo mesmo é que a expressão  “Missa do Galo” só existe nos países de língua latina.  

Oficialmente, a denominação utilizada para essa Celebração Eucarística  é “Santa Missa de Natal” ou “Celebração do Natal do Senhor’. Regularmente, a Missa do Galo celebrada pelo Papa ocorre na Basílica de São Pedro, no Vaticano, e costuma ser transmitida por várias redes de Televisão.

Nos últimos anos, várias Igrejas brasileiras anteciparam o horário da “Missa do Galo” em virtude da violência nas cidades. Na maioria das paróquias, a Missa começa às 20h e termina por volta das 22h.

 

Aleteia Brasil - publicado em 23/12/16

 

Créditos: 

Fonte: https://pt.aleteia.org/2016/12/23/voce-sabe-como-surgiu-a-expressao-missa-do-galo/#

Fotos:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Mosteiro_sao_bento_natal_2009_missa_galo.jpg

https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2018-12/papa-francisco-missa-natal-basilica-sao-pedro.html

21.12.21

««Tradições de Natal - A História do Bolo Rei

Miluem

bolo_rei2.jpg

A História do Bolo Rei

 

Era uma vez,

Num lugar e tempo, muito distantes, que se designava Roma antiga, que nasceu a tradição de eleger o rei da festa, durante as celebrações pagãs e religiosas. Havia grandes banquetes e ditava a sorte através das favas, quem seria o rei daquela festa.

 

A Igreja Católica achou esta ideia tão interessante e porque decorria, anualmente, em dezembro, decidiu relacioná-lo com o período de tempo entre o nascimento de Jesus e o dia dos Reis, a 6 de janeiro, que ficaria marcado por uma fava que apareceria no bolo Rei. Seria doce e “representaria os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus aquando do seu nascimento. A côdea simbolizava o ouro, os frutos secos e cristalizadas representavam a mirra, e o aroma do bolo assinalava o incenso. Ao avistarem a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Jesus, os três Reis Magos disputaram entre si, qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar ao menino os presentes que levavam. Como não teriam conseguido chegar a um acordo e com vista a acabar com a discussão, um padeiro confecionou um bolo escondendo no interior da massa uma fava. De seguida cada um dos três Reis Magos pegaria numa fatia, o que tivesse a sorte de retirar a fatia contendo a fava seria o que ganharia o direito de entregar em primeiro lugar os presentes a Jesus. O dilema ficou solucionado, embora não se saiba se foi, Gaspar, Baltazar, ou Belchior o feliz contemplado, segundo nos conta uma lenda bem antiga”.

 

Contudo foi na corte do rei Luís XIV que surgiu o “bolo Rei”, que se fazia especificamente para a época de Natal. Estando, assim bem documentada a sua origem.

 

Voltas e mais voltas na história, este delicioso manjar chegou a Portugal e, a partir de 1870, os bolos traziam escondido uma fava simbólica e, ainda, um brinde.

 

A Confeitaria Nacional, na baixa pombalina, em Lisboa, foi a primeira casa em Portugal a realizar esta iguaria natalícia, o que fez com que melhorassem a qualidade das especialidades daquela casa e que granjeasse grande fama no nosso país.

Um deles foi o célebre confeiteiro Gregório, que se baseou numa receita secreta de Bolo Rei que Baltazar Castanheiro Júnior trouxera de Toulouse, em 1869, contrariando outros relatos que indicam como ter vindo de Paris.

Orgulha-se, esta confeitaria, de ter trazido a receita e a manter integralmente como receita francesa do sul de Loire.

Balthazar Castanheiro Júnior, que aos seus méritos de confeiteiro juntava os de artista, trouxe uma cópia do quadro “Gateau des Rois”, de Jean-Baptiste Greuze, que durante anos teve exposto no seu estabelecimento como alusão a este famoso bolo.

Como curiosidade é interessante ainda relembrar que, inicialmente, além da fava, posta em todos os Bolos Rei, alguns ocultavam prémios valiosos em ouro ou prata.

(…)

bolo-rei-capa.jpg

Tradicionalmente este bolo de forma redonda, com um grande buraco no centro, é feito de uma massa fofa e branca, misturada com passas, frutos secos, e frutas cristalizadas.

 

Na cidade do Porto, o Bolo Rei foi introduzido em 1890, por iniciativa da Confeitaria Cascais, segundo uma receita que o proprietário, Francisco Júlio Cascais, trouxera de Paris, receita muito semelhante à da Confeitaria Nacional.

 

Salazar chegou, posteriormente, a proibir a colocação da fava e do brinde, no bolo rei, cujo nome também não agradava, mas anos mais tarde voltou a ser permitido.

 

O Bolo Rei está em cada mesa de Natal, em Portugal, e não se limita a ser um bolo vistoso e de um sabor único, é, também, um símbolo da nossa tradição.

 

Andreia Gonçalves,  in Voz de Lamego, ano 90/03, n.º 4538, 10 de dezembro de 2019

 

Créditos:

Fonte: https://diocesedelamego.wordpress.com/2019/12/15/a-historia-do-bolo-rei/

Fotos

https://www.vortexmag.net/bolo-rei-historia-receita-caseira-e-segredos-de-confeccao/

https://pumpkin.pt/familia/comer/receitas-deliciosas/bolo-rei-receita-tradicional-facil/

20.12.21

««Tradições de Natal - Bacalhau

Miluem

cover-9.jpg

Não se pode especificar a origem do consumo do bacalhau na consoada dado que são poucas as referências em obras etnográficas ou mesmo na literatura, no entanto, o fiel amigo tem vindo a fazer parte da magia natalícia pela nossa história fora.

Na Idade Média, dado o calendário cristão obrigar a cumprir-se o jejum perto das principais de festividades religiosas e igualmente por ser proibido o consumo de carne neste período, os portugueses começaram a consumir o peixe e, mais tarde, o bacalhau seco, que era de fácil acesso em qualquer parte do país, tornando-se no rei do Natal.

images.jpeg

Ramalho Ortigão descreve no seu livro “Natal Minhoto” a riqueza de uma mesa de ceia de Natal no Norte do país apesar de, nesta altura, a sua confeção ser mais próxima ao “Bacalhau à Provençal” que também é descrito por Lucas Rigaud, cozinheiro real, em 1780.

bacalhau-de-natal-a-portuguesa_1_750_400.jpg

Existem, a partir daí, várias referências a este prato, que passam pelo bacalhau acompanhado por hortaliças descrito por Ferra Júnior; à “A Noite de Natal no Porto” de Assis de Carvalho que revela a proximidade da família nesta altura do ano na companhia do peixe; assim como em 1923, Santos Graça em “O Poveiro”.

Esta tradição ter-se-á iniciado a Norte do país dado que em outras regiões preferiam uma consoada menos magra com o uso de carnes como o peru ou mesmo o porco, que interrompiam o jejum após a Missa do Galo.

No início do século XX, a tradição no Alentejo era o porco, no Funchal o porco, uma canja e cálice de vinho na madrugada na consoada, a Norte a acompanhar o bacalhau, um polvo.

 

Créditos:

Fonte: https://historiabacalhau.pt/receita/bacalhau-da-consoada

Fotos: 

https://ncultura.pt/4-fantasticas-receitas-de-bacalhau-com-natal/

http://www.visitmaia.pt/comer/receitas/geo_artigo/bacalhau-com-todos

https://historiabacalhau.pt/node/26

19.12.21

««Tradições de Natal - Origem da tradição da Consoada de Natal

Miluem

ceia-korin-capa1.jpg

A tradição da consoada surgiu na Roma antiga e tem na sua origem costumes pré cristãos.

No início, ramos vindos do bosque consagrado à deusa Estrénia, eram enviados aos magistrados como demonstração de respeito.

Mais tarde passou a oferecer-se mel, passas, figos, medalhas de ouro, entre outras coisas, e o ato tornou-se tão generalizado, que o povo passou a levar ao imperador da época uma oferenda em dinheiro.

Também em dezembro, durante as festas de homenagem ao deus Saturno, em Roma, as pessoas trocavam entre si oferendas tais como estatuetas ou velas de cera.

Foi a partir do séc. VII, com o papa Bonifácio, que a consoada ou entrega de presentes se tornou uma tradição cristã.

Na época de Natal, o próprio papa distribuía pão entre o povo e recebia deste presentes variados.

 

Créditos:

Fonte: http://m.natal.com.pt/tradicoes-ceia-de-natal

Foto: https://www-metropoles-com

18.12.21

««Tradições de Natal - A origem da árvore de Natal em Portugal

Miluem

transferir (1).jpeg

Árvore de Natal em crochê da Aldeia de Medelin

 

por Profactiva

 

Foi D. Fernando II, marido da rainha D. Maria II, que, no séc. XIX, introduziu, em Portugal, a tradição da Árvore de Natal e das coroas do advento.

Até meados do século XIX, a tradição do Natal, em Portugal, tinha como centro a figura do Presépio.

Em 1836, a Rainha D. Maria II casou-se com D. Fernando II, o Rei-Artista. D. Fernando, além de se dedicar à pintura e à música, foi mecenas restaurando de vários monumentos, alguns em mau estado, como o Mosteiro da Batalha, o Convento de Mafra, o Convento da Ordem de Cristo, em Tomar, o Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa e patrocinou os estudos de vários portugueses em outros países, assim como falava e escrevia muito bem em português, algo difícil para a maioria dos alemães.

Do seu casamento com D. Maria II nasceram onze filhos, dois dos quais foram mais tarde reis, D. Pedro V e D. Luís I. Quatro morreram recém-nascidos e três (entre eles o rei D. Pedro V) morreram jovens, devido à febre tifóide.

D. Maria II morreu no Palácio das Necessidades, a 15 de Novembro de 1853, em consequência de parto.

D. Fernando tinha passado a infância comemorando o Natal segundo a velha tradição germânica de decorar um pinheiro com velas, bolas e frutos. Por isso, quando começaram a nascer os seus filhos com D. Maria II D. Fernando decidiu animar o palácio com um Natal de tradições germânicas.

Segundo registos e gravuras do próprio rei, D. Fernando II, na Noite de Natal, vestia-se de S. Nicolau e distribuía presentes aos seus filhos numa festa genuinamente familiar.

 

Mas a grande divulgação da Árvore de Natal deu-se no século XX, na década de 60, devido à revolução nos meios de informação e comunicação, como a televisão, altura em que, também, a figura do “Pai Natal” começou a “ganhar terreno” ao Menino Jesus – única verdadeira razão pela qual se celebra o Natal, pois Natal significa nascimento; neste caso, é a celebração do nascimento de Jesus Cristo.

 

Créditos:

Fonte:

www.profactiva.wordpress.com/2012/12/17/a-origem-da-arvore-de-natal-em-portugal/amp/

Foto: 

www.viagens.sapo.pt/amp/viajar/noticias-viajar/artigos/aldeia-de-medelim-tem-arvore-de-natal-feita-de-croche

16.12.21

««Tradições de Natal - Presépio Tradicional Algarvio, denominado “serrenho” 

Miluem

imgLoader.jpeg

Presépio Tradicional Algarvio, denominado “serrenho” 

 

A origem da influência sobre o presépio tradicional algarvio, remonta ao século XVI, quando o cardeal Bérulle introduz, em Avignon (França), a tradição das searinhas e das laranjas ao lado do Menino Jesus, para Ele abençoar as sementeiras e as árvores de fruto.

No século XVII, os conventos armam o presépio colocando a imagem do Menino Jesus em cima do altar.

trono do menino jesus.jpg

No século XIX, no barrocal algarvio, nove dias antes do Natal, preparava-se a casa para armar o presépio ou armar o Menino, em cima da cómoda que estava em frente da porta da casa de fora. 

No chão, à frente, ficava uma esteira de empreita, muitas vezes com motivos geométricos polícromos.

O Presépio Tradicional Algarvio, denominado “serrenho” apresenta-se simples e sóbrio, armado em escadaria, com o menino Jesus em pé, no alto.

Presépio-Algarvio-1.jpg

Nas casas mais abastadas, os degraus são cobertos com toalhas de linho rendadas e bordadas à mão; nas mais humildes arma-se um altar modesto, sobre uma cómoda coberta com uma toalha de renda branca, com o menino ao centro rodeado de searinhas, laranjas e flores, utilizando os materiais que a natureza oferece.

As searinhas são semeadas a 8 de Dezembro e no dia de Reis, são transplantadas, com votos de boas colheitas para o ano novo que se aproxima, mas nunca dão espiga.

jpg4zhw7ymi3n.jpg

No Barrocal, as laranjas colocadas no presépio não serviam apenas para ornamento. Possuir laranjas era sinal de distinção. Quando um afilhado ou pessoa amiga fazia uma visita na quadra natalícia, dava-se uma laranja que estava no presépio. Se vinha o médico ou o prior a casa, as famílias sentiam-se honradas se eles retirassem uma peça de fruta do seu presépio.

As imagens do Menino Jesus devem-se essencialmente aos pinta-santos algarvios que surgiram no século XIX. Estes procuraram reproduzir as imagens dos imaginários, sobretudo o Menino Jesus que, no Algarve, se chama Pai do Céu. A maioria das famílias algarvias tinha em casa uma destas imagens. Era costume os pais oferecerem aos filhos, como prenda de casamento, a imagem do Menino Jesus e / ou do Pai do Céu.

Tradicionalmente, entre o dia de Natal e o dia de Reis, as pessoas iam de casa em casa entoando cantares frente a cada presépio e levando consigo um balaio com o Menino Jesus, para as pessoas beijarem e contribuírem com uma esmola.

 

Créditos:

Fonte:

http://www.terraruiva.pt/2020/12/08/presepio-tradicional-algarvio-hoje-e-dia-de-semear-as-searinhas-de-natal/

Fotos:

https://www.cm-loule.pt/pt/agenda/22908/exposicao-do-presepio-tradicional.aspx

http://algarvehistoriacultura.blogspot.com/2012/12/natal-algarvio-perdeu-tradicoes.html?m=1

https://barlavento.sapo.pt/destaque/presepio-algarvio-um-patrimonio-a-nao-esquecer

http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/histport/msg17138.html