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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

02.06.20

Cuco @ Lenga-Lengas da cultura portuguesa

Miluem

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Era uma vez um Cuco
Que não gostava de couves.
Mandou-se chamar o pau
Para vir bater no cuco
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar o fogo
Para vir queimar o pau
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar a água
Para vir apagar o fogo
A água não quis apagar o fogo
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar o boi
Para vir beber a água
O boi não quis beber a água
A água não quis apagar o fogo
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar o homem
Para vir ralhar com o boi
O homem não quis ralhar com o boi
O boi não quis beber a água
A água não quis apagar o fogo
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar o polícia
Para vir prender o homem
O polícia não quis prender o homem
O homem não quis ralhar com o boi
O boi não quis beber a água
A água não quis apagar o fogo
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar a morte
Para vir matar o polícia
A morte quis matar o polícia
O polícia já quis prender o homem
O homem já quis ralhar com o boi
O boi já quis beber a água
A água já quis apagar o fogo
O fogo já quis queimar o pau
O pau já quis bater no cuco
O cuco já quis comer as couves

 

Era uma vez um cuco
Que já gostava de couves!

 

 

30.05.20

Era não era @ Lenga-Lengas da cultura portuguesa

Miluem

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Era e não era andava na serra lavrando
Com um boi carrapato e outro calhandro
Meteu-se por um caminho
À procura d’um gibão que não tinha
Encontrou uma pereira carregada de avelãs
Foi lá para cima comer maçãs

Veio de lá o dono dos melões e disse:
– Quem é que manda comer uvas em faval alheio?
Acertou-lhe com um torrão na roda do joelho
Fez-lhe sangue no artelho
E por uma coisa de nada fizeram moer sete moinhos à pancada.

 

27.05.20

Tranglomanglo @ Lenga-Lengas da cultura portuguesa

Miluem

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Minha mãe teve dez filhos
todos dez dentro de um pote:
deu o tranglomanglo neles,
e não ficaram senão nove.



Desses nove que ficaram
foram amassar biscoito:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão oito.



Desses oito que ficaram
foram pentear o tapete:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão sete.



Desses sete que ficaram
foram esperar os reis:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão seis.



Desses seis que ficaram
foram depenar um pinto:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão cinco.


Desses cinco que ficaram
foram depenar um pato:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão quatro.



Desses quatro que ficaram
foram matar uma rês:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão três.



Desses três que ficaram
foram dar comida aos bois:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão dois.



Desses dois que ficaram
foram matar um perú:
deu o tranglomanglo neles,
e não ficou senão um.

 

E esse um que ficou
foi ver amassar o pão:
deu o tranglomanglo nele,
e acabou-se a geração.

 

 

24.05.20

Arre, burrinho @ Lenga-Lengas da cultura portuguesa

Miluem

Foto: https://www.timeout.pt

Arre, burrinho,
vai para Loulé,
carregadinho
de café.


Arre, burrinho,
vai para Estremoz,
carregadinho
de arroz.


Arre, burrinho,
vai para Idanha,
carregadinho
de castanha.


Arre, burrinho,
vai para a Guarda,
carregadinho
de mostarda.


Arre Burrinho
Arre burro
De Loulé
Carregado
De água-pé.

 

Arre burro
De Monção
Carregado
De requeijão.


Arre burrinho
pra S. Martinho
carregadinho
de pão e vinho.


Arre burrinho
Arre burrinho
Sardinha assada
Com pão e vinho.

 

Arre burrinho
De Nazaré
Uns a cavalo
Outros a pé.

 

Arre burrinho
Para Azeitão
Que os outros
Já lá vão
Carregadinhos
De feijão.

 

Arre, burrinho,
para Monção,
carregadinho
de sabão.

 

Reunião versos que fui encontrando

 

21.05.20

Gato maltês @ Lenga-Lengas da cultura portuguesa

Miluem

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Gato maltês

 

Era uma vez
Um gato maltês.
Que tocava piano
E falava francês.
Queres que te conte outra vez?

 

Era uma vez
Um gato maltês.
Saltou-te às barbas
Não sei que te fez.
Queres que te conte outra vez?

 

Era uma vez
Um gato maltês.
Que tocava piano
Falava francês
A dona da casa
Chamava-se Inês.
O número da porta era o trinta e três!
Queres que te conte outra vez?

 

Era bonito
Uma galinha perchês
E um galo francês.
Eram dois
Ficaram três…
Queres que te conte outra vez?

 

Foto: Pinterest

Desarranjo meu