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As coisas que eu gosto! E as outras...

Este é o meu espaço, nele partilho as minhas fotos amadoras, as coisas que aprendi e vou aprendendo.

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17
Dez19

Idanha-a-Nova @ Lendas de Portugal - Pitinhas de Nossa Senhora

Miluem

Foto: http://obiologoamador.blogspot.com

 

 

Pitinhas de Nossa Senhora

 

 Ainda na fuga para o Egipto, a pequena distância de Nossa Senhora e de São José, seguia uma modesta mas interessante avezinha.

 

Na cabeça uma poupa ou coroa, no seu todo de simplicidade qualquer coisa de insinuante.

 

São José, tocando a burrinha, caminhava acabrunhado e sempre receoso que os perseguidores de Jesus Cristo, guiados pelos rastos que ficavam no caminho, pudessem vir a prendê-lo.

 

 A simpática avezinha, que vinha atrás e jamais deixou de os seguir, ia remexendo com o bico e com os pés os sinais do caminho, e dizendo: — «não o vi», «não o vi», «não o vi».

 

 E respondendo e contradizendo o canto da noitibó, acrescentava: — «mentira», «mentira», «mentira».

 

 Os fariseus, que vinham no encalço, não puderam, pelos rastos, descortinar a marcha da Sagrada Familia, e por isso, ainda hoje, o povo de Idanha-a-Nova não só não mata as cotovias, como lhes chama, com muito carinho, «pitinhas de Nossa Senhora».

 

 

Fonte Biblio: DIAS, Jaime Lopes Contos e Lendas da Beira Coimbra, Alma Azul, 2002 , p.48

Place of Collection: Idanha-A-Nova, IDANHA-A-NOVA, CASTELO BRANCO

Narrativa – When: XX Century, 50s - Crença: Unsure / Uncommitted

 

15
Dez19

Caretos de Varge @ Natal • Lendas • Contos & Tradições

Miluem

Foto: Wikipédia

 

Caretos de Varge

 

Os Caretos de Varge fazem parte da Festa dos Rapazes de Varge, sendo esta uma das principais expressões das tradições transmontanas do solstício de Inverno que envolvem os Caretos, e realiza-se na icónica aldeia de Varge, localizada no Parque de Montesinho, no nordeste transmontano.


Incrivelmente, apesar dos problemas de esvaziamento demográfico que por vezes afligem estas aldeias, de 24 a 26 de Dezembro os jovens oriundos da aldeia regressam a casa para participar nesta festa e manter viva a tradição, com orgulho e dedicação.

 

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http://caretosvarge.blogspot.com/

 

Um outro Natal

 

No dia 24 de Dezembro, organiza-se uma reunião dos rapazes solteiros onde se prepara em segredo o que irá suceder.

 

O dia 25 de Dezembro começa bem cedo com a missa de Natal, e após a missa, os rapazes aparecem vestidos de Caretos, espalhando o caos e a desordem pela aldeia, saltando, gritando e rindo ao som dos seus chocalhos e de um gaiteiro acompanhado por bombo e caixa.

 

O feno é atirado ao povo, as raparigas são achocalhadas, a água das fontes é espalhada e os animais são provocados. A atmosfera transforma-se e cria-se a sensação de um mundo sobrenatural onde até o frio parece desvanecer.

 

A meio destas tropelias dá-se o “cantar das loas”, onde se critica ou ridiculariza acontecimentos e condutas de pessoas na aldeia durante o ano.

 

As loas são acompanhadas por vezes de pequenas representações cómicas, que no entanto podem encerrar duras críticas, mas ninguém pode levar a mal o comportamento dos Caretos ou as suas loas.

 

Estes representam o espírito do ano novo, e a promessa de fertilidade e abundância, sendo as loas o exorcizar de negativismo no seio da comunidade.

 

A partir da hora de almoço, os Caretos começam a andar de casa em casa, e continuam com as suas travessuras, aplacadas em cada casa apenas pela oferenda aos Caretos de enchidos, bolos e Vinho do Porto.

 

Para além dos Caretos, a festa é presidida por dois mordomos não mascarados, membros mais velhos da comunidade que foram nomeados no ano anterior para desempenharem este papel, e que têm na sua posse a “vara das roscas”.

 

Após os Caretos terem feito a ronda pelas casas, há uma corrida com o objectivo de obter as roscas das varas dos mordomos, pelas quais os vencidos pagam um valor pré-estabelecido aos vencedores.

 

No dia seguinte, toda a gente tem de estar presente quando o gaiteiro começar a tocar, sob pena de serem atirados ao rio caso se atrasem.

 

Dá-se a comemoração de Santo Estevão e respectiva missa, e o dia é mais solene, sem Caretos.

 

À noite realiza-se um jantar onde rapazes e raparigas voltam a estar juntos, culminando num baile, simbólico dos princípios masculinos e femininos em união renovada.

 

Simbologia da Festa dos Rapazes

 

Reminiscente de antigas festividades pagãs como o eram as Saturnais, as Dionisíacas e as Juvenálias, a Festa dos Rapazes de Varge é uma experiência quase espiritual, na qual a paz aparente de uma aldeia parece transformar-se num mundo de cor, êxtase, alegria, música, loucura e convívio, na qual se parte com os “diabos” e “espectros” do ano anterior e se prepara um novo ano.

 

As celebrações proporcionam um reviver das nossas raízes pagãs, através dos vários pequenos rituais, do comportamento e do simbolismo dos Caretos, e do espírito ligado à Terra e à natureza humana que estes representam.

 

 

https://www.portugalnummapa.com/caretos-de-varge/

 

14
Dez19

Madeira @ Lendas de Portugal - Lenda de Arguim

Miluem

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Lenda de Arguim

 

No dia em que a Madeira emergiu dos mares, uma outra ilha atlântica, conhecida por Arguim, que se situava ligeiramente a Norte da primeira, submergiu.
 

D. Sebastião não teria perecido na batalha de Alcácer-Quibir, teria sido derrotado pelos mouros e fugira para uma ilha no oceano que seria Arguim. 
 

Todavia, na rota para esse local lendário, ele passara pela Ilha da Madeira, tocando o cabo do Garajau.


Na rocha mais saliente para o mar, espetou com todas as suas forças a sua enorme espada que aí ficou cravada e encantada.


A espada do rei ali ficou a aguardar que um dia ele a retomasse para a reconquista da terra portuguesa, que em pouco tempo foi submetida aos Filipes de Castela. 
 

Dom Sebastião passara a viver em Arguim, em castelos de ouro e marfim, guardado à porta por um leão. Este estilo de vida pacato entediava-o e este adormecia no doce regaço de ninfas e fadas. 
 

Posto isto, há muitos anos, uma caravela ida do continente em demanda da ilha da Madeira, teve à proa a ilha de Arguim, que emergiu subitamente.


A caravela, que transportava alguns jesuítas com destino ao Brasil, atracou no seu ancoradouro.


Os mais afoitos saíram de bordo numa chalupa que rumou em direção à praia, e qual não foi o seu espanto quando descobriram que os calhaus da praia eram compostos de ouro puro e a areia era constituída por pedrarias e marfins.


Os navegadores subiram então uma encosta onde esperavam encontrar novos deslumbramentos, quando a ilha submergiu arrastando-os para as águas do Atlântico. 
 

No fundo do mar existia outro mundo com flores de uma beleza estranha e peixes belíssimos.


Os navegadores assistiram a uma audiência da nova corte de D. Sebastião, numa cerimónia que lhes foi dedicada e com todos os detalhes das festas do paço real.


Quando a recepção terminou, a ilha emergiu e todos puderam regressar à praia, com promessas de regresso. 
 

A embarcação foi aportar na ilha da Madeira, onde os navegadores contaram aquilo que viram e anunciaram que, quando Arguim voltasse para sempre à superfície, a Madeira desceria aos abismos marinhos, desaparecendo para sempre do mapa.


O dia do regresso de Arguim dar-se-ia quando o moço rei quisesse voltar a recolher a sua espada ao cabo do Garajau para guerrear os ocupantes filipinos.
 

Diz-se ainda que, numa outra viagem, outra caravela carregada de mantimentos oriundos de Lisboa e com destino à Madeira, atravessou uma dura tempestade perto de Arguim.


Houve necessidade de lançar ao mar toda a carga quando, de repente, a nau voltou a equilibrar-se, numa surpreende quietude. 
 

O capitão mandou observar o mar e alguns homens, que tiveram coragem de mergulhar, contaram atónitos e temerosos que haviam visto uma cidade onde as pessoas recebiam, em festa, os sacos de mantimentos que vagarosamente iam descendo da superfície. Ali seria Arguim.

 

http://www.visitmadeira.pt/pt-pt/a-madeira/lendas/lenda-de-arguim

 

07
Dez19

Alvor @ Lendas de Portugal - Lenda dos três irmãos de Alvor

Miluem

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Foto: http://www.visitportimao.com

 

 

Lenda dos três irmãos de Alvor

 

    Corre entre o povo de Alvor que os três pequenos rochedos localizados na Praia dos Três Irmãos, em Alvor, simbolizam três irmãos pescadores que apanhados inesperadamente no meio de uma tremenda tempestade soçobraram e faleceram sem qualquer auxílio da Providência Divina, ficando petrificados.

 

     E aqui a memória dos tempos apagou uma parcela do discurso bastante importante para a compreensão do fenómeno.

 

     Por que teriam ficado petrificados?

 

     Por que não foram socorridos pela Divina Providência?

 

     Alguns atribuem esse facto a promessas não cumpridas pelos familiares, em terra, na praia no acto do salvamento.

 

     E eis o que nos resta desta lenda cuja narrativa se tem perdido nas memórias ao longo dos tempos.

 

 

Fonte Biblio: TENGARRINHA, Margarida Da Memória do Povo Lisboa, Colibri, 1999 , p.66-67

Place of collection: Alvor, PORTIMÃO, FARO

Informante: Renato Dias Mendes (M), born at Alvor (PORTIMÃO) FARO,

Narrativa – When: XX Century, 90s - Crença: Unsure / Uncommitted

 

05
Dez19

Arouca @ Lendas de Portugal - A Mula da Rainha Santa

Miluem

Imagem: Wikipédia

 

A Mula da Rainha Santa

 


D. Mafalda, filha preferida de D. Sancho I e irmã favorita de D. Afonso II, era uma jovem e bela princesa. Cedo foi escolhida para mulher de D. Henrique, herdeiro do trono de Castela, que tinha apenas doze anos quando se tornou rei.

 

Contrariada com o casamento do filho, D. Berengária, a mãe de D. Henrique, invocou ao Papa a consanguinidade dos jovens e o divórcio teve lugar ainda antes da súbita morte do rei, aos 14 anos.

 

D. Mafalda regressou a Portugal virgem, e assim se manteve até ao fim da sua vida, passando desde então a ser tratada por "rainha".

 

D. Mafalda viveu os últimos anos da sua vida no Mosteiro de Arouca, onde recebeu o hábito de monja, mas quis o destino que morresse em Rio Tinto, aos 90 anos, durante uma cobrança de foros e rendas.

 

Os habitantes de Rio Tinto quiseram portanto que ela lá fosse sepultada, mas os de Arouca discordavam pois D. Mafalda tinha passado grande parte da vida no Mosteiro de Arouca.

 

Foi então que alguém se lembrou que D. Mafalda costumava viajar de mula e sugeriu pôr-se o caixão em cima da mula. Para onde ela se dirigisse seria o local da sepultura da "rainha".

 

Assim fizeram, a mula dirigiu-se para o Mosteiro de Arouca e morreu.

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O sepulcro de D. Mafalda foi por duas vezes aberto no século XVII e tanto o seu corpo como as suas vestes estavam incorruptos.

 

Em 1793, o Papa Pio VI confirmou-lhe o culto com o título de beata.

 


Como referenciar: A Mula da Rainha Santa in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-06 11:30:05]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$a-mula-da-rainha-santa

 

04
Dez19

Pombal @ Lendas de Portugal - Lenda do Mouro Al-Pal-Omar

Miluem

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Foto: http://cidadesdeexcelencia.org

 

Lenda do Mouro Al-Pal-Omar

 

 

Conta a lenda que vivia nas margens do rio Cabrunca um Mouro alto, espadaúdo, muito bem parecido, com olhos verdes e sorriso de pérola, chamado Al-Pal-Omar.

 

Ora, o belo Al-Pal-Omar tinha um palácio subterrâneo no alto de uma colina e seguia a indicação do Corão à sua maneira, por isso, queria conquistar todas as mulheres… do mundo!

 

Os homens da terra sentiam-se traídos! A honra das suas mulheres era manchada e o número de raparigas casadoiras diminuía.

 

Atendendo ao pedido dos aldeões, os Templários decidiram, em nome de Cristo, pôr fim àquele encantamento.

 

Ninguém sabia onde ficava a entrada secreta do palácio, felizmente os Templários tinham a seu lado o Arcanjo S. Miguel. Depois de uma luta feroz, viram-no desaparecer na gruta encantada do seu palácio. Taparam-lhe todas as entradas e construíram-lhe em cima um Castelo.

 

O mouro desapareceu e nunca ninguém encontrou o palácio subterrâneo mas a memória da sua existência ficou.

 

Ainda hoje se avisa as raparigas para terem cautela. As mães aconselham as filhas a não chegarem perto do castelo depois do pôr do sol. Pois diz-se que ainda se pode ouvir o canto do belo rapaz que lhes dirá:

 

Menina vem ter comigo

Vem o meu encanto quebrar

Sou um Mouro teu Amigo

Que te quer namorar

 

 

www.cm-pombal.pt

 

02
Dez19

Nisa @ Lendas de Portugal - A Moira Parturiente de Nisa

Miluem

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Foto: http://www.diasporalusa.pt

 

A Moira Parturiente de Nisa

 

 


Havia uma mulher em Nisa que era parteira, e foi-lhe bater à porta, fora de horas, um homem.

 

Ela levantou-se e veio à rua, onde estava o mesmo indivíduo à espera, o qual era desconhecido dela.

 

Acompanhou o homem para fora da vila e ia muito assustada, porém não dizia nada.

 

Chegaram a um sítio, onde estava um penedo com uma abertura à maneira de uma janela. Ele disse para a mulher:

 

         — Entre.

 

A parteira entrou e viu uma mulher, que estava muito aflita, para ter uma criança.

 

A parteira arranjou a mulher e arranjou a criança e depois perguntou se queriam que ela fizesse alguma coisa.

 

Ela disse que não e pegou numa pá de carvão e encheu-lhe a abada.

 

Foi acompanhá-la até à porta.

 

A mulher, como não fez caso do carvão, foi deixando este pelo caminho a pouco e pouco, ficando-lhe no avental apenas, por acaso, uns três ou quatro bagos.

 

Despediu-se do homem e foi-se deitar.

 

Ao despir-se, aqueles bagos caíram no chão, sem ela dar por isso.

 

De manhã, quando se levantou, viu que os carvões se tinham transformado em peças de ouro.

 

Ficou muito desgostosa de não ter trazido tudo, e voltou fora a ver se achava mais peças. Porém, não achou nada.

 

O homem era um moiro e a mulher que estava de parto era moira.

 


Fonte Biblio: VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966 , p.744-745
Ano1933 - Place of collection: NISA, PORTALEGRE
Narrativa - Crença: Unsure / Uncommitted
Classifications - TypesChristiansen 5070 Midwife to the Fairies

01
Dez19

Mêda @ Lendas de Portugal - Lenda de Mêda

Miluem

Foto: https://www.jornaldofundao.pt

 

A Mêda a séculos atrás chamava-se vale da aldeia a cerca de 2km de distância da actual Cidade de Mêda.

 

Esta mudança surgiu quando um tufão de formigas gigantes rebentou no Vale da Aldeia.

 

Então foi quando a primeira família se mudou par ajunto do morro onde se construía a primeira casa com o nome de Quinta do Medo.

 

Então o resto das outras famílias começaram também abandonar as suas casas no vale da aldeia.

 

Refugiando-se nas cavernas do morro onde também guardavam os cereais.

 

No morro construíram uma capela de Santa Barbara.

 

Que acerca de 85 anos foi destruída por estar muito degradada dando lugar a existente Torre do Relógio.

 

Foi então que se começaram a construir as casas em volta do morro mudando assim o nome de Quinta do Medo para Mêda.

Mêda recebeu foral de Vila em 1 de Junho de 1519.

 

Lenda desenvolvida pela tradição oral.

 

Fonte: http://medalendasetradicoes.blogspot.com

 

30
Nov19

A Padeira de Aljubarrota @ Lendas de Portugal

Miluem

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Foto: Pintrest

A Padeira de Aljubarrota

 

 

Brites de Almeida não foi uma mulher vulgar.

 

Era feia, grande, com os cabelos crespos e muito, muito forte.

 

Não se enquadrava nos típicos padrões femininos e tinha um comportamento masculino, o que se reflectiu nas profissões que teve ao longo da vida.

 

Nasceu em Faro, de família pobre e humilde e em criança preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de donde estes tiravam o sustento diário.

 

Aos vinte anos ficou órfã, vendeu os poucos bens que herdou e meteu-se ao caminho, andando de lugar em lugar e convivendo com todo o tipo de gente.

 

Aprendeu a manejar a espada e o pau com tal mestria que depressa alcançou fama de valente.

 

Apesar da sua temível reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e lhe propôs casamento.

 

Ela, que não estava interessada em perder a sua independência, impôs-lhe a condição de lutarem antes do casamento.

 

Como resultado, o soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo da justiça.

 

Mas o destino quis que o barco fosse capturado por piratas mouros e Brites foi vendida como escrava.

 

Com a ajuda de dois outros escravos portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, veio dar à praia da Ericeira.

 

Procurada ainda pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve.

 

Um dia, cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e casou-se com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela.

 

O dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu com os primeiros clamores da batalha de Aljubarrota e Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza.

 

Pegou na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano.

 

Chegando a casa cansada mas satisfeita, despertou-a um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos.

 

Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali.

 

Tomada de zelo nacionalista, liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que ainda se escondiam pelas redondezas.

 

Conta a história que Brites acabou os seus dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal.

 

A pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto.

 

Fonte: http://leirianacional.blogspot.com

 

29
Nov19

Pinheiro de Guimarães @ Natal • Lendas • Contos & Tradições

Miluem

 

Pinheiro de Guimarães

 

Pinheiro – 29 de Novembro

 

 

 

Embora seja hoje o primeiro número oficial na celebração profana das Festas Nicolinas, e também de longe o mais participado, o “Pinheiro”, tal como hoje o conhecemos, não é um dos primitivos Números Nicolinos.

 

O seu aparecimento como número nicolino deve-se à evolução do aproveitamento de uma tradição popular tipicamente minhota, que consistia em levantar no largo onde se realizam as festas, um grande mastro, normalmente um pinheiro, anunciador do início dos festejos, aí permanecendo ao longo da duração das festas.

 

De tal modo que inicialmente, o grande anunciador das Festas Nicolinas não era o “Pinheiro”, mas antes o “Pregão”, uma vez que se realiza no dia antecedente ao dia de S.Nicolau (6/Dezembro), servindo precisamente para anunciar a realização de mais umas festas.

 

De qualquer forma, o “Pinheiro” representa hoje o mais participado número nicolino, sendo igualmente o mais difundido por todo o país.


As raízes deste cortejo, remontam aos inícios do século XIX e o seu modelo mantém-se na essência, inalterado: o “Pinheiro” segue enfeitado com lanternas e um festão com as cores escolásticas (verde e branco), pousado em carros puxados por juntas de bois, levando à sua frente uma representação da figura da deusa Minerva, deusa da sabedoria (que na realidade é desempenhada por um homem travestido com um traje de soldado romano).

 

 

O cortejo é liderado pela figura máxima deste dia, um membro da Comissão de Festas, o Chefe de Bombos. É ele quem conduz e lidera todo o cortejo do “Pinheiro”, e atrás de si e da sua “boneca” – que usa para marcar o ritmo dos bombos – seguem os estudantes, novos e velhos, rufando nas caixas o toque do Pinheiro e batendo forte nos bombos ao ritmo marcado pelo Chefe de Bombos.

 

O “Pinheiro” encerra igualmente uma simbologia que se prende com o facto de ser tradicionalmente conduzido apenas pelos homens da cidade.

 

O “Pinheiro” é, neste sentido, a representação simbólica e figurativa da órgão sexual masculino (daí o facto de se escolher, por tradição, “o mais alto pinheiro da região”), que é ostentado orgulhosamente pelos homens da cidade, numa manifestação de masculinidade durante o cortejo que se mantém inalterada nos comportamentos dos participantes até aos nossos dias.

 

E esta ostentação masculina é desempenhada perante as meninas da cidade que, tradicionalmente, assistem ao desfile sem poder participar.

 

Razão pela qual, aliás, em sua homenagem, lhes é dedicado o número das “Maçãzinhas” no dia mais importante (dia 6 de Dezembro, dia de S.Nicolau), estando as meninas nas janelas, representação simbólica do local onde estiveram ao longo de todo os números.

 

A título de mera curiosidade é de referir que, por uma única vez, houve um ano em que o “Pinheiro” não se festejou a 29, mas antes a 30 de Novembro; foi em 1951, devendo-se essa alteração ao facto de, nesse ano, o regime republicano ter decretado luto nacional pelo falecimento da Rainha D.Amélia de Orleans e Bragança, viúva de D.Carlos I.

 

 

Este facto, até por ter sido isolado, não só manifesta a associação inequívoca dos estudantes vimaranenses e da festa nicolina ao decretado luto nacional, como serviu como uma forma de prestar respeito, à herança e à História da Nação Portuguesa.

 

No dia do “Pinheiro”, o cortejo é antecipado pelas tradicionais “Ceias Nicolinas”.


Na origem directa da tradição das Ceias Nicolinas está a Ceia que os Irmãos de São Nicolau (membros da Irmandade de S.Nicolau) tinham por hábito realizar, todos os anos, na passagem do dia da festa religiosa do santo, com o objectivo de conviver, apreciar o desempenho da Irmandade naquele ano e programar actividades futuras.

 

Tendo como base esta Ceia e tendo em conta que o “Pinheiro” é o único número que se realiza à noite (razão principal do seu sucesso em termos de adesão da população), as “Ceias Nicolinas” foram sendo criadas, como um jantar de convívio entre grupos de antigos estudantes, que se encontram apenas uma vez por ano, neste dia, para juntos desfilarem pelas ruas da cidade relembrando os velhos tempos.

 

Constituíram-se algumas Ceias famosas como a do “jantar do penico” na tasca do Carneiro, a da Pescoça, a do Zé da Costa e a do Terrinha.

 

Hoje em dia, reúnem ainda muitas tertúlias nicolinas neste dia.

 

A “Ceia Nicolina” é tradicionalmente composta por caldo verde com tora, papas de sarrabulho, rojões de porco com batatas, tripas com grelos e castanhas assadas, sempre bem regadas com (muito) vinho verde da região (branco ou tinto).

 

O cortejo arranca sempre à meia-noite (0.00h), num desfile de milhares de pessoas, saindo como antigamente do Terreiro do Cano ao lado do Campo de S.Mamede (parte alta da cidade), passando depois pelo Castelo de Guimarães, Palheiros, Rua de Santo António, Toural, Alameda S.Dâmaso e Campo da Feira, vindo depois a terminar no Largo de S.Gualter, ao lado da Igreja de Santos Passos, num local agora definitivo, onde tem uma placa evocativa.

 

Após o final do cortejo, numa tradição ainda recente mas que faz já parte integrante da “Noite do Pinheiro”, os estudantes deslocam-se até à Alameda Abel Salazar, em frente ao antigo e simbólico Liceu Nacional de Guimarães, para aí ficarem a rufar o toque do Pinheiro, até ao raiar do dia.

 

Esta tradição iniciou-se porque há alguns anos, não havia dispensa de aulas na manhã a seguir ao “Pinheiro”, razão pela qual, os estudantes ali ficavam a tocar até ao início das aulas do dia seguinte, para impedir a sua realização.


Como se diz num escrito de 1883, manda a tradição que o Pinheiro “tem de levantar-se com a costumada bandeira para anunciar os Festejos de São Nicolau”.

 


https://nicolinas.pt/pinheiro/

Fotos: www.guimaraesturismo.com

 

28
Nov19

Rio Águeda (Douro) @ Rios de Portugal

Miluem
Rio Águeda (Douro)

 

 Por Mr. Tickle - Obra do próprio, CC BY-SA 3.0

 https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=891311

Foto Wikipédia = Puente antiguo sobre el río Águeda. Ciudad Rodrigo (provincia de Salamanca, España)
 


O Rio Águeda (Douro) nasce em Espanha na Serra da Gata (Sierra Gata ), o seu curso vai depois em direção à localidade histórica de Cidade Rodrigo (Ciudad Rodrigo).

O Rio Águeda faz a fronteira natural, entre Portugal e Espanha, na zona entre Almofala até Barca d'Alva onde desagua no Rio Douro.
 
 
 
 
Ciudade Rodrigo

Ciudade Rodrigo pertence à Província de Salamanca, Comunidade Autónoma de Castela e Leão.

Site da Câmara Municipal de Cidade Rodrigo:
https://ciudadrodrigo.es/turismo/

 

 

 
 
Almofala
 

Arribas do rio Águeda - Capela de Santo André em Almofala
 
 

Torre de Almofala Monumento Classificado
 
Foto: https://cm-fcr.pt



Antiga sede de Freguesia, entretanto integrada na União das Freguesias de Almofala e Escarigo, pertence ao Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.

Vale do Rio Águeda em Almofala, Figueira de Castelo Rodrigo

 
 
 

Barca d'Alva

Barca d'Alva
Foto: https://cm-fcr.pt
 

 



Pertence ao Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.

 

 

Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo
Foto: https://cm-fcr.pt
27
Nov19

Caldas da Rainha @ Lendas de Portugal - A Praça da Fruta

Miluem

Foto: https://papelariapapiro.blogs.sapo.pt/27473.html

 
 
Caldas da Rainha  -  A Praça da Fruta
 
 
 
 
 
Conta a lenda que a Praça do Rossio foi oferecida pela própria Rainha Dona Leonor aos Produtores Agrícolas da Região para aí venderem os seus produtos.
 
 
Apesar de não existirem registos históricos de tal oferenda, a verdade é que o Mercado de Rua Caldense, comumente denominado Praça da Fruta, funciona até aos dias de hoje no local primitivo onde iniciou a sua atividade durante o século XV.
 
 
Todos os dias da semana as bancas coloridas são montadas, dando lugar ao único Mercado Diário ao Ar Livre em Portugal.
 
 
Apesar de os hábitos dos produtores e vendedores se terem mantido durante seis séculos, muitas são as histórias que há para contar sobre o local que inicialmente se denominava de Rossio da Vila.
 
 
É sabido que o pólo atrativo inicial da Cidade de Caldas da Rainha foi o Hospital Termal de Nossa Senhora do Pópulo, mandado edificar pela Rainha Dona Leonor no ano de 1485.
 
 
Para este lugar, doentes e banhistas de todo o País e Europa se veem dirigindo durante séculos para usufruir dos poderes medicinais das águas termais.
 
 
Contudo, desde cedo o comércio desenvolvido no Rossio da Vila atraía a si produtores das zonas circundantes para venderem os seus produtos: ”Tornando-se o centro de uma região agrária em crescimento, com bons campos para produções diversas, desde vinho, azeite e cereais até à preparação de lanifícios e ao arroteamento de terras para o cultivo dos mais variados produtos. Era também encontro de oleiros que ali se dirigiam para vender as suas peças de utilização doméstica “ (in Terras de Água, pág. 70)
 
 

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Foto: http://www.oesteativo.com

 
A dinâmica
 
 
O dinamismo desta zona leva a que no ano de 1750 aí seja construído o primeiro edifício destinado ao “Passo do Concelho, Câmara, Cadeia e Assougues” fora do Hospital Termal, onde a Câmara Municipal vinha desenvolvido funções até então.
 
 
Este novo espaço destinado às funções municipais foi mandado edificar pela Esposa de D. João Quinto, Rainha Dona Maria Ana.
 
 
O novo edifício da Câmara Municipal marca efetivamente a separação física da municipalidade em relação ao Hospital Termal e reforça a importância regional do Mercado de Caldas da Rainha.
 
 
Por esta altura já o Mercado Caldense, vulgo Praça da Fruta, se destacava por ser um pólo regional atrativo de produtores e compradores, sendo grande a abundância de géneros aí comercializados.
 
 
A denominação de Rossio da Vila foi mantida até ao ano de 1887 quando lhe foi atribuído o nome de Praça Maria Pia.
 
 
Por esta altura, no ano de 1880 a Câmara Municipal inicia um vasto programa de obras municipais destinadas a ampliar a rede de esgotos e embelezar o Rossio.
 
 
Assim, é construído o tabuleiro central com ondulados de basalto negro sobre fundo branco, identidade arquitetónica caldense, inaugurada no ano de 1883 e símbolo de um embelezamento progressivo da cidade, que lentamente prosperava com a vinda dos banhistas.
 
 
Segundo historiadores caldenses, para além de dar lugar a um grande foco de comércio local, a Praça Maria Pia congrega nos seus edifícios as tendências da arquitetura urbana de Caldas da Rainha, desde as suas primeiras manifestações românticas.
 

 

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A cerâmica
 
 
A utilização da cerâmica local está também presente na Praça, na decoração das fachadas das lojas com revestimentos cerâmicos, que denunciam a influência da Arte Nova e constituem o cenário romântico onde diariamente é montado o Mercado.
 
 
Com a Implantação da República a Praça Maria Pia passa a ser denominada Praça da República mantendo a mesma atividade e afluência de gentes, tendo sido recentemente recuperada pela Câmara Municipal com obras de embelezamento finalizadas a 10 de novembro de 2014.
 
 
O dinamismo da Praça da Fruta perdura até aos nossos dias simbolizando as múltiplas funções que os Mercados proporcionam às economias urbanas, constituindo-se como ponto de encontro da economia camponesa com o ciclo dos preços e o estímulo monetário, sendo um local para a circulação de mercadorias bem como de informações.
 
 
Como nos dizem os Autores de Terra de Águas – Caldas da Rainha História e Cultura: “No mercado se trocam “novidades”, se combinam negócios, se discutem alianças, se aprazam casamentos.” (pág.382)
 
 
Diariamente, nas Caldas da Rainha, desde do século XV perante um cenário de edifícios Românticos e o colorido das Frutas e Vegetais da época.
 
 
 
 

 

26
Nov19

Beja @ Lendas de Portugal - Uma Luz Misteriosa

Miluem

Foto: http://estrelaseouricos.sapo.pt/passear/patrimonio/beja-360--o-novo-mapa-interativo-21554.html

 

Uma Luz Misteriosa

 

As histórias de lobisomens e de bruxas são vulgares no meio rural tradicional.

 

Maus encontros com animais a horas tardias, doenças provocadas por mau querer (feitiçarias), filtros de amor (beberagens para atrair ou afastar paixões), visões, vozes, são elementos do vasto manancial do imaginário popular sobre forças maléficas.

 

Há, contudo, outro tipo de histórias que são comuns a várias aldeias e vilas do Alentejo.

 

É o caso da estranha luz que, de noite, acompanhava os viajantes (normalmente pastores, almocreves e, mais recentemente, tractoristas que de noite procedem às grandes charruadas).

 

Era uma luz que seguia o caminhante sem, contudo, o incomodar.

 

A luz acompanhava o viajante, seguindo a seu lado, parando quando este parava, e acompanhando a velocidade da deslocação.

 

Nenhuma das pessoas que afirmam ter estado em contacto com o fenómeno, esboçou qualquer reacção.

 

Para essa passividade contribuiu seguramente o facto de ser conhecida a reacção da luz quando atacada.

 

O fim da história aqui apresentada é relativamente benéfico.

 

Noutras descrições, que a tradição popular registra, a luz, quando hostilizada, conduz à morte do atacante.

 

História veridica: Algures na região de Beringel (Beja), havia um sujeito que não acreditava em coisas estranhas, daquelas que se contam nas aldeias.

 

Naquele tempo, corria o boato de que havia no campo uma espécie de luz vermelha que andava de um lado para o outro, mas que não se deixava ver de perto. Os mais velhos afirmavam que já a tinham visto, e esse homem que não acreditava disse, na brincadeira:

 

- “Se eu a encontrar, desfaço-a toda aos bocados com o meu cajado”

 

O que vos conto a seguir é a narração do próprio.

 

“Numa noite, eu ia guinado a minha charrete e lá estava à minha frente a luz vermelha parada em cima do muro. Saí, peguei no cajado e disse com ar forte e corajoso:

 

- Já que aí estás, então espera, que já vais ver o que é para a saúde!

 

E assim dirigi-me até junto dela e tentei dar-lhe com o cajado, mas não consegui porque ela se desviou.

 

Continuei à cajadada com ela, mas falhava sempre e ia ficando mais furioso.

 

Voltei para a charrete quando ela se voltou contra mim.

 

Não sei o que aconteceu (parecia que estava levando uma grande tareia) e desmaiei.

 

Os cavalos voltaram para casa e eu fui na charrete como morto.

 

Na manhã seguinte, a minha mulher, já preocupada, foi ver se eu estava dormindo na charrete.

 

Ela diz que eu estava com a roupa toda rasgada, todo cheio de sangue, que parecia morto.

 

Mas estava apenas desmaiado.

 

Depois a minha mulher tratou de mim e nunca mais quis ouvir falar dessa luz.”

 

http://www1.ci.uc.pt/iej/alunos/2001/lendas/Lendas%20de%20Beja.htm