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As coisas que eu gosto! E as outras...

Este é o meu espaço, nele partilho as minhas fotos amadoras, as coisas que aprendi e vou aprendendo.

As coisas que eu gosto! E as outras...

Este é o meu espaço, nele partilho as minhas fotos amadoras, as coisas que aprendi e vou aprendendo.

04.04.20

O Sapo - Afonso Lopes Vieira - in 'Animais Nossos Amigos'

Miluem

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O Sapo

 

Não há jardineiro assim,
Não há hortelão melhor
Para uma horta ou jardim,
Para os tratar com amor.

 

É o guarda das flores belas,
da horta mais do pomar;
e enquanto brilham estrelas,
lá anda ele a rondar...

 

Que faz ele? Anda a caçar
os bichos destruidores
que adoecem o pomar
e fazem tristes as flores.

 

Por isso, ficam zangadas
as flores, se se faz mal
a quem as traz tão guardadas
com o seu cuidado leal.

 

E ele guarda as flores belas,
a horta mais o pomar;
brilham no céu as estrelas,
e ele ronda, a trabalhar...

 

E ao pobre sapo, que é cheio
de amor pela terra amiga,
dizem-lhe que é feio
e há quem o mate e persiga 

 

Mas as flores ficam zangadas,
choram, e dizem por fim:
- «Então ele traz-nos guardadas,
e depois pagam-lhe assim?»

 

E vendo, à noite, passar
o sapo cheio de medo,
as flores, para o consolar,
chamam-lhe lindo, em segredo...

 

Afonso Lopes Vieira,

in 'Animais Nossos Amigos' 

 

04.04.20

Ponta Delgada @ Lendas de Portugal - Lenda do Sábado de Nossa Senhora

Miluem

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Imagem: Pintrest

 

Lenda do Sábado de Nossa Senhora

 

Nossa Senhora era muito pobrezinha, mas muito asseada e gostava de levar o Menino Jesus sempre limpo ao templo. Jesus, como todos os meninos pobres da sua terra, só tinha uma muda de roupa que usava durante a semana e que também servia para as cerimónias do culto.


Quando chegava ao sábado, a roupa do Menino estava muito suja pois ele brincava na terra, corria pelos campos, trepava paredes com vizinhos e amigos da sua idade. Nossa Senhora, no sábado de manhã, pegava na roupa, ia lavá-la para junto do poço, estendia-a ao sol, para que se enxugasse e pudessem ir ao templo.


Pedia então a Nosso Senhor bom tempo, pois, se não fizesse sol, não podia enxugar as roupinhas. Deus ficava com pena de Nossa Senhora, fazia com que houvesse sol todos os sábados. Mesmo quando o tempo era mais invernoso sempre mandava olharadas de sol.


E assim que na Terceira se acredita que “Não há sábado sem sol, nem domingo sem missa, nem segunda sem preguiça”.


Ainda há cerca de cinquenta anos, também penúria como a de Nossa Senhora era sentida por muitas mães da Terceira que, querendo levar os filhos asseados à missa no domingo, lavavam as roupas no sábado, esperando o sol do sábado de Nossa Senhora, que sempre vinha.

 

Source: FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.152
Place of collection: Angra (Sé), ANGRA DO HEROÍSMO, ILHA TERCEIRA (AÇORES)
Narrative / When: 20 Century, 90s / Belief: Unsure / Uncommitted

Fonte: CEAO - Centro de Estudos Ataíde Oliveira

 

03.04.20

Gerês @ Lendas de Portugal - A lenda da Ponte da Mizarela

Miluem

A lenda da Ponte da Mizarela

 

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Reza sobre ela, a seguinte lenda:


"Diz-se que um padre, querendo fazer uma pirraça ao Diabo, se disfarçou em salteador perseguido pelas justiças de Montalegre, e foi certo dia, à meia-noite, àquele lugar para passar o rio.

 

Como o não pudesse passar, por meio de esconjuros, invocou o auxílio do Inimigo.

 

Ouve-se um rumor subterrâneo e eis que aparece, afável e chamejante, o anjo rebelde:

 

- "Que queres de mim?" - perguntou ele.

- "Passa-me para o outro lado e dar-te-ei a minha alma."

 

Santanás, que antegozava já a perdição do sacerdote, estendeu-lhe um pedaço de pergaminho garatujado e uma pena molhada em saliva negra, dizendo:

 

- "Assina!".

 

O padre assinou.

 

O Demo fez um gesto cabalístico e uma ponte saiu do seio horrendo das trevas.

 

O clérigo passa e, enquanto o diabo esfrega um olho, saca da caldeirinha da água benta, que escondera debaixo da capa de burel, e asparge com ela a infernal alvenaria, fazendo o sinal da cruz e pronunciando bem vincadas as palavras do exorcismo.

 

Santanás, logrado, deu um berro bestial e desapareceu num boqueirão aberto na rocha, por onde sairam línguas de fogo, estrondos vulcânicos e fumos pestilenciais.

 

O vulgo das redondezas, na sua ignorância e ingenuidade, e não sabemos a origem, aproveita-se da ponte para ali exercer um rito singular.

 

Quando uma mulher, decorridos que sejam dezoito meses após o seu enlace matrimonial, não houver concebido, ou, quando pejada, se prevê um parto difícil ou perigoso, não tem mais que ir à Mizarela, à noite, para obter um feliz sucesso. Ali, com o marido e outros familiares, espera que passe o primeiro viandante.

 

Este é então convidado para proceder à cerimónia, a qual consiste no baptismo in ventris do novo ou futuro ser.

 

Para isso, o caminhante colhe, por meio de uma comprida corda com um vaso adaptado a uma das extremidades, um pouco de água do rio e com a mão em concha deita-a no ventre da paciente por um pequeno rasgão aberto no vestuário para este efeito, acompanhando a oração com a seguinte ladaínha:

 

Eu te baptizo
criatura de Deus,
Pelo poder de Deus,
e da Virgem Maria.
Se for rapaz, será ‘Gervás’;
se for rapariga, será Senhorinha.
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
um Padre-Nosso e uma Avé-Maria.

 

O barulhar iracundo da cachoeira no abismo imprime a estas cenas um cunho de tétrica magia.

 

Segue-se depois uma lauta ceia, assistindo, geralmente, o improvisado padrinho. E o êxito é completo: um neófito virá alegrar a família. Claro que se na primeira noite não passar o viandante desejado, a viagem à Mizarela repetir-se-á até o cerimonial se realizar nas condições devidas.

 

De um dos lados ergue-se um enorme rochedo que o povo denominou "Púlpito do Diabo", por crer que o Demo vai ali pregar à meia-noite, quando as bruxas das redondezas se reunem em magno concílio…


- Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, O mutilado de Ruivães

 

http://www.serradogeres.com/index.php/locais-paisagisticos/ponte-do-diabo

 

 

https://dicasfemininas-su.blogspot.com/2014/07/paraisos-em-portugal-ponte-da-mizarela.html

 

 

Ponte do Diabo

 

A Ponte da Mizarela (ponte do diabo) localiza-se sobre o rio Rabagão, a cerca de um quilómetro da sua foz no rio Cávado, na freguesia de Ruivães, concelho de Vieira do Minho, distrito de Braga, em Portugal.

 

Liga as freguesias de Ruivães à de Ferral, no concelho de Montalegre.

 

Está implantada no fundo de um desfiladeiro escarpado, assente sobre os penedos e com alguma altitude em relação ao leito do rio, sendo sustentada por um único arco com cerca de 13 metros de vão.

 

Foi erguida na Idade Média e reconstruída no início do século XIX.

 

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde de 30 de novembro de 1993.

 

 

02.04.20

Sendim @ Lendas de Portugal - O castigo do sapateiro

Miluem

Foto: http://donadecasapoupada.blogspot.com/2018/02/sapateiro.html

 

 

 

O castigo do sapateiro

 

Ao lado do Cabeço das Três Covinhas, há um outro a que o povo chama o Cabeço do Sapateiro.

 

Diziam-nos os antigos que lá dentro estava um sapateiro sempre a bater a sola, dia e noite, de castigo, porque, enquanto era vivo, não ia à missa ao Domingo, preferindo ficar a trabalhar.

 

 Então nós íamos lá encostar o ouvido ao cabeço para o ouvirmos bater na sola dos sapatos.

 

Mas quando dávamos conta, havia também alguém que nos dava com a cabeça na fraga. Ainda hoje quando ali passo, recordo as marradas que me deram.

 

Mas actualmente já só lá existe metade do cabeço, pois o proprietário precisou da pedra e cortou-o.

 

Uma pena. Já as crianças de hoje não podem ter aquela ilusão do sapateiro lá dentro a bater sola.

 

 

Source:  PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro - Narrações Orais (contos, lendas, mitos) Vol. 1 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2007 , p.178

Year:  2007, Place of collection: Sendim, TABUAÇO, VISEU

Collector: Alexandre Parafita (M),  Informant: Maria Lisete Coelho Ferreira (F), 57 y.o.,

Narrative, When: 21 Century, Belief: Unsure / Uncommitted

 


Fonte: CEAO - Centro de Estudos Ataíde Oliveira

31.03.20

Vilagateira @ Lendas de Portugal - Vila Gateira

Miluem

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Vilagateira

 

Antigamente quando andavam a pôr o nome nas freguesias.

 

Passaram pela aldeia e viram que havia um buraco em todas as portas.

 

O buraco era para os gatos entrarem para casa.

 

Então, resolveram dar à aldeia o nome de Vila Gateira.

 

Actualmente é mais conhecida por Vilgateira.

 

 

Source: AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a,
Year: 2003 / Place of collection: SANTARÉM, SANTARÉM
Collector: Sara Montez (F)
Informant: Maria Georgina Lázaro (F), 68 y.o., SANTARÉM (SANTARÉM),
Narrative / When: 20 Century, / Belief: Unsure / Uncommitted

Fonte: CEAO - Centro de Estudos Ataíde Oliveira

Foto - Flickr

 

História da Extinta Freguesia da Várzea

 

Situada na região do Bairro, a norte de Santarém e no limite urbano da cidade, a freguesia da Várzea (antiga paróquia de Nª Srª da Várzea e Outeiro) é uma freguesia peculiar no sentido em que não existe o nome "Várzea", em termos de lugar.

 

Várzea é assim, o conjunto de todos os lugares que compõem a freguesia, e o lugar principal, tido como sede de freguesia é Outeiro da Várzea.

 

Ignora-se a data da sua criação, sabendo-se porém que já era povoada durante a ocupação árabe. O nome várzea é um agro-topónimo, alusivo a campos planos e férteis.

 

A toponímia de alguns dos lugares pertencentes a esta freguesia comprova a sua antiguidade: Aramenha (de Sermenha), Vila Gateira (refere-se à Villa romana), Mafarra (origem árabe)

 

A quinta da Mafarra pertenceu a D. Maria Esteves Mafarra, neta de um rico cavaleiro de Santarém, João Egas (ou Viegas). Foi incluída nos bens do convento de Santa Clara, na primeira metade do século XIV, quando D, Maria Esteves se tornou abadessa daquele convento.


Porém, a falta de elementos sobre a história desta freguesia deve-se ao afacto dos seus arquivos terem sido destruídos pelas tropas francesas em 1810, tendo a capela de S. Miguel e mais nove templos, sido profanadas e saqueados.

 

(...)

 

https://www.freguesias.pt/portal/caracterizacao_freguesia.php?cod=141632

 

30.03.20

Descalça Vai para a Fonte

Francisco Rodrigues Lobo, in {Éclogas}

Miluem

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Descalça vai para a fonte,
Leanor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

 

A talha leva pedrada,
Pucarinho de feição,
Saia de cor de limão,
Beatilha soqueixada;
Cantando de madrugada,
Pisa as flores na verdura:
Vai fermosa, e não segura.

 

Leva na mão a rodilha,
Feita da sua toalha;
Com uma sustenta a talha,
Ergue com outra a fraldilha;
Mostra os pés por maravilha,
Que a neve deixam escura:
Vai fermosa, e não segura.

 

As flores, por onde passa,
Se o pé lhe acerta de pôr,
Ficam de inveja sem cor,
E de vergonha com graça;
Qualquer pegada que faça
Faz florescer a verdura:
Vai formosa, e não segura.

 

Não na ver o Sol lhe val,
Por não ter novo inimigo;
Mas ela corre perigo,
Se na fonte se vê tal;
Descuidada deste mal,
Se vai ver na fonte pura:
Vai fermosa, e não segura.

 

Também nós imos já perto da Fonte;
E, Em quanto no cantar nos entretemos,
Temo que a vinda cá pouco nos monte.

 

Dizes bem; melhor é nos desviemos,
Por que nos não divisam nem por sonho,
Que, uma só que nos veja, as não veremos.

 

E mais, se eu não vou cego, daqui ponho
Que são as que lá assomam na treposta.
De só cuidares isso me envergonho.

 

Tu não me queres crer? Vá sobre aposta.
Mui bem dizes, daquelas são sem falta;
Passas tu como furão pola posta?

 

Madanela é de todas a mais alta,
Que aparece vestida de pombinho;
Também Andresa vai: nada nos falta.

 

O adufe ouço, ouço o pandeirinho;
Vamo-nos por detrás deste valado:
Iremos encontrá-las ao caminho.
Afasta ora estas silvas com o cajado.

 

Francisco Rodrigues Lobo, in 'Éclogas'

 

30.03.20

Lousã @ Lendas de Portugal - Nossa Senhora dos Altos Céus

Miluem

Foto: https://www.adic.pt

 

 

Nossa Senhora dos Altos Céus

 

Na Lousã, invoca-se a Mãe de Deus sob o título de Nossa Senhora dos Altos Céus.

 

A origem e os princípios desta milagrosa Senhora, e a causa do seu título ou quem lho impôs, não se podem nem por tradições descobrir. Sabe-se apenas serem muito antigos.

 

Pelos anos de 1640 houve naqueles contornos do lugar da Lousã, pelo mês de Maio, uma grande praga de gafanhotos que, onde se alojavam, não só comiam a erva mas as espigas e a cana, ficando tudo raso.

 

À vista deste grande trabalho, recorreram os moradores da Lousã ao Céu e, para o moverem à misericórdia, lançaram sortes para escolher um advogado que por eles intercedesse e lhes alcançasse o remédio de tão grande necessidade. Saiu na sorte a Senhora dos Altos Céus, o que logo tiveram por feliz anúncio.

 

E, assim, todos os moradores da Lousã fizeram votos à Senhora de lhe fazerem todos os anos uma solenidade se Ela fosse servida de os livrar daquele iminente trabalho.

 

E para obrigarem mais a Senhora, trataram logo de dar execução à sua promessa, que havia de ser voto perpétuo. Iniciaram imediatamente uma procissão em redor da Igreja, em louvor da Senhora dos Altos Céus, para a obrigarem a alcançar-lhe o remédio que pediam.

 

Acabada a procissão, passou um homem chamado Xisto Lourenço e disse para os que por ali estavam dançando, após a procissão:

 

            «Bailai, que também o gafanhoto baila sobre as vossas searas!»

 

E indo ele mesmo ver um campo, a que chamavam a Folha, que não ficava muito distante do lugar, viu que o gafanhoto havia desaparecido, sem deixar feita a menor perda.

 

Voltou todo contente e pôs-se também a bailar, incitando todos os outros para que assim o fizessem em louvor da Senhora dos Altos Céus, que lhes havia feito um tão grande favor.

 

Muitos outros milagres se contam no rol da Senhora dos Altos Céus, ocorridos especialmente em situação de guerra. Um deles, segundo reza a tradição, ocorreu em 1807, quando tropas francesas de Junot, durante a primeira invasão, estiveram prestes a entrar na Lousã:

 

Alguns soldados a cavalo, não se sabe se do esquadrão ou do regimento, vindos das bandas do Levante, avizinhavam-se da Lousã, onde pretendiam entrar pela banda das Lajes de Cima, junto ao ribeiro, e próximo da matriz onde então já se venerava em seu altar Nossa Senhora dos Altos Céus.

 

O povo, aturdido e receoso, abandonava a aldeia às primeiras notícias da aproximação do inimigo e fora, transido de pânico, esconder-se nas sarças e penedias dos outeiros vizinhos.

 

Um solzinho claro descia do alto, numa carícia de luz, numa bênção de calor suave, a amaciar o veludo penugento dos centeios, saídos há pouco da terra materna.

 

De quando a quando, alguns campónios menos assustadiços saíam do esconderijo e erguiam acima dos montes ou dos buracos das lapas as cabeças a espreitar...

 

E vai se não quando viram à volta da Lousã um nevoeiro densíssimo, cerrado como noite lôbrega, daqueles que nem palmo se vê diante do nariz.

 

No entanto, fora daquele espesso nevoeiro que circundava toda a povoação, continuava o sol a brilhar, um solzinho claro e macio de Inverno, amaciando numa carícia de luz, numa bênção de calor, a penugem verde dos centeios.

 

Já os primeiros cavaleiros franceses se avizinhavam da serração. Quiseram rompê-la, quiseram atravessar as Lajes de Cima, lisas e chás como eira de malhar, mas em vão.

 

Aquelas rochas duras pareciam terra de grude molhada, onde as patas dos cavalos se enterravam. Por mais que os soldados espicaçassem os corcéis, não havia meio de saírem dali.

 

Continuavam as ferraduras a enterrar-se, deixando para sempre nas Lajes a sua marca indelével. Desesperados com a inutilidade de seus esforços vãos, perdidos e tresmalhados pelos campos os mais retardatários, retrocederam os franceses, e a Lousã foi salva.

 

E nas Lajes de Cima, evocando o grande milagre de Nossa Senhora dos Altos Céus, ainda hoje se vêem, e continuarão a ver, os sinais das ferraduras dos cavalos inimigos...


Um outro milagre, passado no tempo da Guerra da Restauração, já D. João IV era rei, conta o seguinte:

 

Certa ocasião, entrou um grande troço de castelhanos a arrebanhar os gados e levava grande quantidade de ovelhas e bois das vilas de Castelo Novo, Soalheira, Lardosa, Alcains, Escalos de Cima, Escalos de Baixo e Lousã.

 

Então, as mulheres e a mais gente, que viam passar os seus bens para a posse do inimigo começarama pedir e a clamar à Senhora dos Altos Céus que lhes acudisse e valesse naquela aflição.

 

É então que, junto à Mata, surgem dois grupos de cavaleiros portugueses e alguma gente dos arredores.

 

Repentinamente, os castelhanos encheram-se de medo e terror — sem haver de quê, porque os nossos não eram nada em comparação do grande poder de gente que eles traziam, largaram a presa e fugiram, parecendo-lhes que os seguia todo o poder dos portugueses. Isto se atribui a favor, como na verdade o foi, da Senhora dos Altos Céus, por quem as mulheres clamaram lhes valesse e lhes acudisse.

 

Numa outra ocasião desta guerra, estava o inimigo a tentar entrar na Lousã, as pessoas que estavam na igreja viram a Senhora dos Altos Céus a suar. O vigário, Fr. Manuel Lopes Freire, limpou-a com uma toalha.

 

Pouco tempo depois, chegando os castelhanos junto ao reduto ou atalaia, ao passar um ribeiro que por ali corre, levantou-se um nevoeiro tão espesso, que os cavalos se recusaram a avançar.

 

Source: FRAZÃO, Fernanda Passinhos de Nossa Senhora - Lendário Mariano Lisbon, Apenas Livros, 2006 , p.45-46 / Place of collection: LOUSÃ, COIMBRA
Narrative / When / Belief: Unsure / Uncommitted

Fonte: CEAO - Centro de Estudos Ataíde Oliveira