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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

21.02.21

Santa Cruz das Flores @ Lendas de Portugal - A Água da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes

Miluem

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A Água da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes

 

Já no século vinte, o povo do lugar da Fazenda das Flores andava muito entusiasmado porque estava finalmente a realizar um sonho já velho: construir a sua igreja dedicada a Nossa Senhora de Lourdes.

 

Tinham escolhido um lugar alto e vistoso, de onde se podia espreitar quase todas as casas do lugarejo ou os terrenos verdes salpicados do azul das hortênsias na Primavera e Verão ou ainda ver o mar até ao horizonte distante.

 

Andavam todos muito cansados porque tinham de fazer os seus trabalhos nas terras e ajudar nas obras da igreja. Não havia água nas redondezas, o que dificultava ainda mais os trabalhos.

 

Enquanto os homens iam levantando as paredes com os mestres, as mulheres e as crianças faziam grandes cortejos e partiam de latas e potes à cabeça para a Ribeira de Além.

 

De lá traziam, com grande sacrifício, a água que os homens precisavam para ir fazendo a argamassa. Várias vezes durante a viagem, debaixo de um calor intenso, as mulheres pediram a Nossa Senhora de Lourdes que lhes deparasse água.

 

Uma certa noite, enquanto todos dormiam profundamente e descansavam de um dia de muito trabalho, a água brotou e começou a correr com abundância ao pé do lugar onde estavam a levantar as paredes da igreja.

 

De manhã, ao chegarem, os trabalhadores ficaram maravilhados com o que tinha acontecido e as pessoas da Fazenda, animados na sua Fé, trabalharam ainda com mais vontade, até que por fim a nova e linda igreja abriu ao culto.

 

A água continuou a correr numa fonte debaixo da sacristia da igreja de Nossa Senhora de Lourdes.

 

Os florenses começaram a sentir uma veneração muito especial por esta água fresca e cristalina que curou muitas doenças às pessoas, algumas vindas de freguesias distantes só para beber a milagrosa água de Nossa Senhora de Lourdes.

 

 

Fonte:  Biblio FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.277

Place of Collection: Santa Cruz Das Flores, SANTA CRUZ DAS FLORES, ILHA DAS FLORES (AÇORES)

Narrativa - When: XX Century, 90s - Crença: Unsure / Uncommitted

CeAO - Centro de Estudos Ataíde Oliveira

Foto: Pintrest

 

18.02.21

Borges, V. Verde @ Lendas de Portugal - Lenda do Dente Santo

Miluem

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Aboim da Nóbrega - Foto: Google imagens

Lenda do Dente Santo

 

No lugar de Borges, na freguesia de Aboim da Nóbrega, onde ainda hoje existe uma fonte com alminhas, ladeando uma casa (Fonte do Dente-Santo), onde vivia um homem de nome Manuel António Martins (1920), que possuía um dente de S. Frutuoso - Abade de Constantim (Vila Real), o qual tinha poderes excecionais para curar mordedelas de cão raivoso.

 

Este Dente foi referido já no séc. XVII e a tradição diz que o dente tinha mais de oitocentos anos.

 

Manuel António pertencia à família de "Os do Feitor", ou "Dentes-Santo", a qual teria recebido o dente dum fidalgo solteiro, que à hora da morte o deixou a um criado.

 

O Dente Santo ou Dente de São Frutuoso, teria igualmente sido oferecido diretamente pelo Santo ao Fidalgo, antes de morrer, dizendo-lhe:

 

Quem possuir este dente não será rico, mas será sempre remediado, e nunca passará necessidades.

 

Só poderá ser possuído por um varão.

 

O dente foi assim passando de geração em geração.

 

Conta-se que muitas pessoas vinham procurar, a Borges, as benzeduras do Dente-Santo, e que ninguém do lugar teria morrido com a doença da "raiva".

 

A benzedura era feita com o dente (que estava pendurado numa corrente de prata) acompanhada da seguinte reza:

 

"Em nome do Padre, do Filho e do Espírito Santo

E de S. Frutuoso

Eu te benzo

E tocado por mim nunca serás raivoso".

 

http://www.cm-vilaverde.pt/web/cultura/tradicoes

 

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Aboim da Nóbrega - http://vila--verde.blogspot.com/

14.02.21

Vila Velha de Rodão @ Lendas de Portugal - Lenda do Rei Wamba

Miluem

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Lenda do Rei Wamba

 


Nas Portas de Ródão do lodo do Beira Baixa (Norte do Tejo) vivia um Rei que tinha lá um Castelo que se chamava Rei Wamba e que dominava este lado. Este era um guarda avançado da Egitânia (Idanha-a-Velha).


O lado de lá era dominado por um Rei Mouro.


A mulher do Rei Wamba perdeu-se de amores pelo Rei Mouro e este para a raptar tentou fazer um túnel que passaria por baixo do Tejo para a poder ir buscar.


Os cálculos do Rei Mouro foram mal feitos e o buraco saiu acima do nível das águas (conforme ainda se pode ver). A mulher do Rei Wamba entrou em pânico e o Rei Wamba descobriu a finalidade do buraco.


O Rei Wamba vendo a paixão que ela manifestava pelo outro, ofereceu-a então ao outro Rei como presente, mas sendo atada à mó de um moinho, rolando pelas encostas até ao rio Tejo. Pelo sítio onde passou a mó com a mulher do Rei Wamba atada nunca mais nasceu qualquer vegetação, conforme hoje ainda se pode verificar no local.

 

 

Fonte Biblio: MOURA, José Carlos Duarte Contos, Mitos e Lendas da Beira Coimbra, A Mar Arte, 1996 , p.66

Place of collection: Vila Velha De Ródão, VILA VELHA DE RÓDÃO, CASTELO BRANCO

Narrativa - When: XX Century, 90s - Crença: Unsure / Uncommitted

 

Foto: https://correiodoribatejo.pt

 

 

14.02.21

Quadras populares infantis } Lagarto pintado

Miluem

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Lagarto pintado

Quem te pintou

Foi uma velha que por aqui passou

No tempo da eira, fazia poeira

Puxa lagarto

Por aquela orelha.

 

https//m.arquivo-digital.webnode.pt/news/cantinelas/

 

No Blogue da turma do 4° ano da EB1 da Pegada- Guimarães- Ano Letivo 2019/2020 "Os Amiguinhos"

aqui no Sapo têm mais umas quadras muito giras feitas pelos alunos 

https://saladosamiguinhos.blogs.sapo.pt/lagarto-pintado-10822

 

 

 

 

 

 

09.02.21

Oeiras @ Lendas de Portugal - A Fonte do Pragal

Miluem

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Fonte luminosa na estação do Pragal

 

 

Na estrada de Paço d’Arcos para Oeiras, ha uma fonte chamada do Pragal, a qual tem no remate da sua modesta architectura uma cruz de pedra.


É este um sitio ameno, fresco e salubre, e alli vem descançar os viandantes e desalterarem-se com a sua crystalina e optima agua.

 

Em julho de 1851, um pobre jornaleiro, na occasião em que se debruçava para beber na bica, lhe cahiu sobre a cabeça um dos braços da cruz, que o feriu mortalmente, vivendo poucas horas.

 

Foi isto attribuido a castigo, porque o homem costumava rogar muitas pragas.

 

Note-se, porém, que a fonte já tinha este nome ha muitos annos, corrupção de Pragães (chagas miseraveis, similhantes a uzagre, e que vão roendo as carnes.)


Parece que antigamente se attribuia á agua d’esta fonte a virtude de curar estas chagas.

 

 

Source: PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Portugal Antigo e Moderno Lisbon, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, 2006 [1873] , p.Tomo VII, p. 656, Place of collection: OEIRAS, LISBOA

Narrative - When: 1951 - Belief: Unsure / Uncommitted - Classifications - Bibliography

Foto: https://pt.wikipedia.org

 

08.02.21

A água e as supertições populares

Miluem

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Fonte de Santo Adrião, Braga

 

– Não é bom beber água de noite, porque ela está a dormir, e se não puder deixar de beber-se bata-se para a acordar e não fazer mal (Óbidos e Mangualde).

 

Também em Carviçais, Moncorvo, se diz que a água dorme de noite, e em Baião, quando alguém tem sede de noite e quer beber água, é necessário deitar uma pinga fora e diz-se:

«Acorda, água, que eu também já acordei!»

«Vamos pelo que diziam os antigos»!

 

O mesmo se faz na Beira Baixa, como se vê um trecho de Nuno de Montemor:

«- Para se beber, é preciso acordá-la primeiro.

– E como se acorda?

O velho serrano aproximou-se da cantarinha batendo três vezes no cântaro com os dedos nodosos.

– É assim… - ensinou.

E sacudindo a água verteu-a no copo confiadamente.

– Agora pode bebê-la à vontade…»

 

– Em Óbidos (Peral) afirma-se que a água é corredia. Bebendo-a de bruços, à noite, a gente levanta-se com o Inimigo (Carviçais, Moncorvo).

 

– Bebe sangue quem num charco bebe por cima; se for por baixo, bebe matéria (Elvas; informação de António Tomás Pires).

 

– Não dão maleitas a quem bebe água por uma brecha (mina) nova de água (Cinfães).

 

– Quem urina num rego de água urina a fortuna.

 

– Se a água está fria quando se bebe, diz-se que não adivinha outra, i. é, não choverá (Elvas; informação de António Tomás Pires).

 

https://folclore.pt/supersticoes-relacionadas-com-a-agua/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fonte_de_Santo_Adri%C3%A3o