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As coisas que eu gosto! E as outras...

Este é o meu espaço, nele partilho as minhas fotos amadoras, as coisas que aprendi e vou aprendendo.

As coisas que eu gosto! E as outras...

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17
Nov19

Maceira, Leiria @ Lendas de Portugal - Lenda de Nossa Senhora da Maceira

Miluem

maceira

 

Lenda de Nossa Senhora da Maceira

 

De tempos recuados terá nascido a ‘Lenda de Nossa Senhora da Maceira’, romance em quadras simples e belas, impregnado de mística religiosa e de maravilhoso popular, muito comuns no Cancioneiro Popular Português.

 

Note-se a temática muito ao gosto do Povo, com personagens que encontramos repetidamente na história religiosa popular:

 

Nossa Senhora, crianças pastoras e elementos da Natureza.

 

Ao subir daquele ribeiro
que descai na Fonte Fria
uma pastora mocinha
com seu pai, além, vivia.


O rebanho ia pastar
mal o dia se rompia;
e à hora do sol-posto
o seu gado recolhia.


Ao voltar ela para casa
à tardinha desse dia,
no regaço do avental
maçãs frescas escondia.


Nem maçãs, nem outra fruta
nesse tempo ali havia:
era tudo mata agreste
ao redor donde vivia.


- «Que maçãs são essas, filha,
que ninguém ora as teria?»
-«A Senhora é que m’ as deu,
e outras mais, se eu as queria…


Ela vem todas as tardes
mesmo ao pé da Fonte Fria:
fala e reza ali comigo,
é a minha companhia».


- «Minha filha, um tal milagre
Nem por sombra acontecia!
Não será obra do demo
que a tua alma turbaria?»


Estava o pai embaraçado
com aquilo qu’ ele ouvia;
e ali mesmo fez sentido
de ir lá ver o que seria.


Foi-se pôr, zeloso que era,
à sucapa, de vigia;
e, daquilo que observou,
viu que a filha não mentia.


Viu a imagem da Senhora,
que de branco se vestia,
a estender a mão p’rà filha
com maçãs que l’ oferecia.


Via o pai a santa imagem,
mas ouvi-la, nã n’ ouvia;
ora a filha, inocentinha,
a Senhora em carne via.


- «Venham ver este milagre,
venham todos à porfia;
apareceu além na Fonte
a Senhora Santa Maria!


‘Stendeu a mão à ‘nha filha,
maçãs traz, maçãs confia:
é a Senhora da Maceira
que nos pede primazia!»


Ajuntou-se então o povo
e no alto um nicho erguia;
foi buscar a santa imagem
e, lá dentro, a metia.


Mas a Senhora, saudosa,
para a Fonte se fugia,
a falar à pastorinha
e a fazer-le companhia.


Já tornavam a buscá-la,
assubindo a rampa esguia,
já tornava Ela para a Fonte
e lá estava ao outro dia.


Torna o Povo a juntar-se,
tendo à frente a fidalguia;
e alevanta-l’ uma ermida
onde o nicho então havia.


Em luzida procissão
lá vão pôr a imagem pia:
a Senhora, ao ver tal fé,
quis a nova moradia.


Como prova do milagre
lá ficou a Fonte Fria;
e a Senhora da Maceira
deu o nome à freguesia!

 

Fonte: http://freguesiademaceira.pt

 

10
Nov19

Ditos e Ditados Populares @ CXXVII

Miluem

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500 provérbios portugueses antigos - Educação moral, mentalidade e linguagem - de Jean Lauand

Estudo e recolha com base no Livro de provérbios de Antonio Delicado

Na Biblioteca Municipal Mário de Andrade (São Paulo-Brasil), encontra-se uma raridade: um exemplar original do livro do lecenciado prior Antonio Delicado, Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs, Lisboa, Officina de Domingos Lopes Rosa, 1651.

 

09
Nov19

Portimão @ Lendas de Portugal - Lenda da Praia da Rocha

Miluem

 

Foto: Wikipédia

 

 

Lenda da Praia da Rocha

 

 

Uma Sereia chegou um dia ao Algarve, não se sabe bem de onde. Instalou-se à beira-mar, descansando de uma jornada que deve ter sido longa e fatigante.

 

Um Pescador que por ali andava na sua faina viu-a, e admirado com aquela intrusão nos seus domínios, aproximou-se e disse:

 

- Não sei donde vieste, mas devo informar-te de que tudo isto que vês é meu. Foi o Mar que criou este sítio e eu sou filho do Mar!

 

     Sorriu a Sereia de tal maneira que prendeu o Pescador, respondendo-lhe:

 

    - Venho de longe, Pescador, de muito longe. Aportei aqui depois de muito procurar, e tanto sossego achei que quero ficar.

 

   - Como te chamas? Quem és? - quis saber o filho do Mar.

 

   - Não tenho nome, Pescador. Sou apenas o que sou, Sereia.

 

   - Bem-vinda sejas então, Sereia, a este local que já é teu!

 

    Foi então que, de longe, se fez ouvir uma voz agreste e rude:

 

   - Não dês o que não é teu, Pescador! Esta terra é minha, foi a montanha que a criou! Eu sou o filho da Serra e tudo o que vês me pertence!

 

  - Assim sendo, Serrano - sussurrou a sereia - talvez sejas tu o fim da minha jornada.

 

 - Deixa-o falar, Sereia! Que pode ele e a sua Serra contra o poder de meu pai, contra as ondas sem dono!...

 

 - Ah, ah, ah! - riu o serrano - Tenta tu subir à Serra! Que poderão as tuas ondas contra a robustez que herdei da minha mãe. Mais poderoso sou eu, que quando quiser, posso criar montanhas dentro do Mar!

 

 Parecia iminente a luta entre os dois gigantes; procurava o Mar acalmar as suas ondas, que cresciam e engrossavam; toldava-se a Serra, agitando as urzes e os pinheiros. Deleitava-se a Sereia com a violência do amor que neles via crescer, mas disse-lhes:

 

  - Não se zanguem! Eu vou esperar aqui que me tragam provas das vossas forças. Mas agora ide, estou cansada e quero repousar!

 

 

Foto: https://www.dicaseuropa.com.br

 

Lentamente afastaram-se areal fora os dois rivais. Um entrou pelo Mar dentro, o outro subiu à Serra. Iam pensativos, procurando a melhor maneira de convencer a Sereia.

 

Ela, por seu lado, instalou-se como se em casa estivesse e esperou.

 

  Chegou primeiro o Pescador.Trouxe-lhe o Mar e estendeu-o a seus pés, pintando-o verde suave à bordinha, e azul profundo lá ao longe, dizendo:

 

- Tudo isto é o meu Mar, e é teu, Sereia!

 

E a Sereia ficou a olhar o mar, deleitando-se com o seu ondular. Subitamente, ouviu o Serrano:

 

    - Sereia, aqui estou: dar-te-ei um trono de pedra lá no alto do mundo. Já pedi ao vento que te embalasse o sono, ao sol que te aquecesse os dias, e às fontes que te refrescassem as horas. Vem comigo e serás a rainha da Serra.

 

   - Chegaste tarde, Serrano! Já me sinto a rainha do Mar - respondeu a Sereia.

 

   Enfurecida por ser rejeitada, a Serra fez rolar enormes rochedos até ao Mar, rodeando a Sereia: se esta não subia à Serra, descia a Serra ao Mar.

 

  O Mar zangou-se, e durante noites e dias, dias e noites, atirou-se contra as rochas, mas não conseguiu desfazê-las.

 

 E assim continuaram até que a Sereia, não sendo capaz de se decidir, transformou-se numa areia tão fina como não há outra igual, recebendo o tributo eterno dos dois eternos gigantes enamorados, umas vezes rivais, outras inimigos, outras ainda grandes amigos. O lugar tem hoje o nome de Praia da Rocha.

 

http://blogdeportimao.blogspot.com

 

07
Nov19

Marinha Grande @ Lendas de Portugal - Lenda das Camarinhas

Miluem

http://pinhaldorei.net/fauna-flora-do-pinhal-do-rei/vegetacao-autoctone/

 

 

Lenda das Camarinhas

 


Se D. Dinis foi grande poeta e amante da cultura, também possuía um espírito folgazão a que se lhe juntava e amalgamava um sentido apaixonado pela beleza, fosse ela da Natureza: as paisagens, o mar, o céu e as nuvens, ou… uma beleza feminina, fosse loira ou trigueira, mas sempre sem eflúvio que o embebedasse. E assim o Rei se perdia. E assim deixava passar as doces tardes nos ardorosos favores duma linda burguesa ou duma simples mas graciosa camponesa.


Sabedora das virtudes e dos pecados do marido, a Rainha Santa, que apesar de Rainha e Santa não deixava de ser mulher e ciosa das suas crenças, sentia a par dum normal ciúme, um particular estímulo de defesa. Quando o rei não chegava à hora acostumada, por mais esforço que fizesse para se não notar, ficava inquieta, pensativa e nervosa. El-Rei não mudava. Por mais que lhe prometesse, voltava sempre ao mesmo. Ela, a Rainha Santa, bem entendia aqueles olhares indiscretos e de pena que as aias deixavam subentender. El-Rei, novamente perdido por alguma camponesa mais fresca e ladina.


Ficara para trás o idílio com a camponesa da pequenina aldeia a que, devido ao desvaria de El-Rei, o povo apodara de Amor. Aos primeiros indícios notados, a Rainha tentou não ligar, mas a distância com que presenciava o ciciar das aias fê-la entender que o caso era mais sério. Então recordava Amor: quando sabedora de que o idílio perdurava, resolveu, com o seu pequeno séquito, ir em demanda da alcova do amor. Saindo ao começo da noite, ordenou que se prendessem pelo caminho archotes de resina e pez a arder, para que o Rei encontrasse a luz, ou seja, o remoque dum caminho iluminado a quem, num estado de cegueira, não via o desvario que o tomava.

 

https://dias-com-arvores.blogspot.com/2014/09/camarinha-de-outras-praias.html

 

El-Rei, na sua alcova alertado, pôs-se a caminho do Paço, vindo a encontrar a Rainha, no sítio onde o povo ficou a chamar de Cegodim, porque D.Dinis, ao encontrar a Rainha com todo aquele aparato de luminosidade, lhe disse: - Senhora minha! Vindes com tamanha luz!… E eu que tão cego vim!


De “Cego Vim”, a voz do povo, pelo tempo fora, transmudou em Segodim, sendo com este nome que o lugar hoje se denomina.


No dia seguinte, a Rainha, que pressentia novos e sérios pecados de El-Rei, partia em busca do local de novo idílio, tentando surpreender El-Rei consumando o pecado. A meio da tarde Isabel chegara ao local que as aias lhe indicaram. Mandou parar o pequeno séquito e, sozinha, com o coração destroçado, encaminhou-se para junto do rochedo, entre Pinhal e mar, até dar com D.Dinis em flagrante delito amoroso. Ao vê-la, D. Dinis abriu os olhos espantados… Enquanto, dos belos olhos da Rainha Santa, as lágrimas abriam, cristalinas, pelo rosto abaixo, perdendo-se sobre o mato em verdadeiro aljôfar, branco, tão branco, que logo todo aquele mato, à orla do Pinhal se alindou.

 

Corema_album_berries.jpg

Foto: Por Júlio Reis (User: Tintazul) - Wikipédia


E assim se fez a lenda das camarinhas. Desde esse dia que esses pequenos arbustos, as camarinheiras, florescem em homenagem às lágrimas santas da Rainha, por essa época do ano, em Setembro, cobrindo-se de pequenos frutos brancos, agridoces, pelo imenso Pinhal do Rei, mais intensamente à orla da beira-mar.

 

www.cm-mgrande.pt

Percurso interpretativo de Lendas da Marinha Grande

Nesta página apresentamos a versão completa de algumas das lendas mais conhecidas da história da Marinha Grande e das suas praias, integrantes do Percurso Interpretativo das Lendas, inaugurado no dia 27 de setembro de 2019, ao longo do percurso da ciclovia de São Pedro de Moel. Acompanhe-nos enquanto lhe mostramos os excertos completos dos livros de José Martins Saraiva, onde as lendas são descritas pormenorizadamente.

 

04
Nov19

Aveiro @ Lendas de Portugal - A Lenda do Barco Moliceiro da Ria de Aveiro

Miluem

Foto: Pintrest.br

 

 

A Lenda do Barco Moliceiro da Ria de Aveiro

 

 

 

"...Há muitos, muitos anos - nem a velhinha que me contou, quando eu era menina, sabia quantos, - um pescador da Ria de Aveiro ouviu uma mulher a cantar e logo se apaixonou por ela só pela beleza da sua voz.

 

Chamava-se Ramiro e era órfão de pai e mãe, tendo sido criado pela madrinha, uma solteirona bastante feia, baixa e gorda, de forte buço, que nunca encontrara quem gostasse dela para casar, embora tivesse um coração de pomba, terno e doce.

 

Ramiro vogava pelas águas espelhadas da Ria e foi guiando o barco para o sítio de onde vinha aquele doce cantar, deparando com uma jovem que se banhava, como se estivesse de pé, pois só se lhe via o corpo da cintura para cima, sem qualquer peça de roupa. Ela não fugiu nem parou de cantar, enquanto o pescador se aproximava. Ao vê-lo junto a si, sorriu-lhe e estendeu-lhe a mão, que Ramiro agarrou entre as suas, ao mesmo tempo que o coração acelerava os seus batimentos.

 

Era bela como uma princesa, com longa cabeleira de algas caindo-lhe pelas costas e torneando-lhe os peitos fartos e erectos. A sedosa pele era da alvura da areia da praia e os olhos tinham a cor verde do mar sem fundo. Os braços, compridos e esguios, terminavam em mãos de dedos finos, que iam movendo a água em seu redor, em gestos serenos e calmos, como se a afagasse.

 

Conversaram longamente e então ele disse-lhe:

 

- Amo-te e quero casar-me contigo!

 

A jovem sorriu e respondeu:

 

- Seria para mim uma grande felicidade casar-me contigo, pois nunca vi um homem mais belo e mais forte do que tu, mas, infelizmente, não pode ser. Eu não sou uma mulher, mas uma sereia.

 

Soltou a mão que o pescador tinha agarrada e deitando-se de costas na água, mostrou-lhe como a parte inferior do seu corpo tinha a forma de peixe, com cauda e escamas douradas, rebrilhando ao Sol.

 

- Sou a filha mais nova do Rei dos Mares e estou destinada a um Tritão, que me fará infeliz, porque não lhe tenho amor - continuou, começando a chorar e as lágrimas eram pérolas pequeninas, que ficavam a boiar, à sua volta.

 

- Não me importo que não sejas mulher - retorquiu ele. - Casa comigo e construirei para nós uma casa, metade em terra, para mim, e metade na Ria, para ti.

 

- Isso não pode ser! - insistiu ela. - O Tritão matava-me, porque é muito mau e feroz. Se eu pudesse transformar-me em mulher, então, sim, poderia casar contigo, mas nós sabemos que tal nunca será possível.

 

Estava muito triste agora a bela sereia. Atirou-lhe um beijo na ponta dos dedos, mergulhou e desapareceu.

 

 

Foto: https://mood.sapo.pt/grande-regata-dos-moliceiros-regressa-a-aveiro

 

 

Ramiro, antes de lançar a rede para pescar, ia todos os dias ao local onde tinha visto a sua amada, mas ela não tornou a aparecer. Assim, na sua faina diária, ora suspirava, ora cantava umas trovas tristes, que ele compunha na altura. Era o peixe que lhe dava o sustento para si e para a madrinha. Por vezes, ao cair do Sol, quando puxava a rede, julgava ver reflectida na água o rosto querido da bela sereia.

 

A madrinha, conhecedora daquele sofrimento e querendo-lhe como se seu filho fora, disse-lhe um dia:

 

- Devias ir à ti Bárb'ra, que é mulher de ciência. Talvez ela saiba uma maneira de transformar a tua sereia em mulher. Eu gostava muito de te ver feliz...

 

- Vou, sim, madrinha - respondeu o rapaz. - Por ela eu farei tudo!

 

- Então, tens de ir sozinho e de noite, que ela só tem poderes depois de se pôr o Sol.

 

Assim, ao morrer a tarde de um certo dia, ele meteu pés ao caminho, andando muito tempo sobre as dunas, até chegar a uma choupana sobranceira ao mar. O vento forte empurrava-o para trás e ele fazia um esforço redobrado para continuar a caminhar; terríveis relâmpagos cortavam o céu no escuro da noite, obrigando-o a fechar os olhos para não ficar cego; tenebrosos trovões faziam tremer a terra e a chuva era tanta, que lhe parecia que os próprios ossos estavam encharcados. Cheio de coragem, indiferente à adversidade da Natureza, bateu à porta da choupana, gritando:

 

- Ti Bárb'ra! Ó ti Bárb'ra!

 

Daí a pouco a porta abriu-se e Ramiro viu uma velha toda vestida de negro e com uma vela na mão, cuja chama tremulava com a ventania cá de fora.

 

- Entra, filho! - disse ela, com uma voz que lembrava uma gaita desafinada. - Eu sabia que vinhas.

 

Apesar de valente como poucos lá da terra, Ramiro hesitou por um instante, perante aquela figura sinistra, que mais parecia já não ser deste mundo, de faces cor de terra, um lenço preto à volta da cabeça, de onde caíam umas farripas de cabelo completamente branco, nariz afilado como uma faca, curvo como o bico do mocho, e uns olhos pequeninos, encovados, escondidos num montão de pregas da pela toda engelhada.

 

- Entra, filho! Não tenhas medo! - insistiu a velha.

 

Lá dentro havia uma fogueira e uma panela de barro sobre uma trempe, de onde saía um vapor que se desfazia no ar. As paredes de madeira davam a impressão de estar dançando com o reflexo das labaredas. Ao fim de algum tempo, começou a perceber que havia uma mesa no meio da choupana e que três gatos pretos dormiam ao pé do lume, aquecendo-se no braseiro.

 

- Ti Bárb'ra, eu venho cá por causa de - começou Ramiro.

 

- Não precisas de contar, meu filho, que eu sei tudo! Senta-te aqui à mesa!

 

Lá fora, o temporal continuava. A chuva e o vento faziam abanar a cabana, como se a quisessem derrubar. Sentaram-se à mesa, em bancos de madeira, um de cada lado, de modo que ficaram frente a frente.

 

Ramiro viu então uma caveira sobre a mesa e teve um sobressalto.

 

- Não te assustes, meu filho! - tornou a velha. - É nisto que se transformam as belezas do mundo, os bons e os malvados, os ricos e os pobres. Eu sei que gostarias de ver a tua sereia transformada em mulher. Vou-te dizer o que tens de fazer. Não é difícil, mas desde já te aviso: o que vais fazer só pode ser feito uma vez; se correr bem, a tua amada sairá das profundezas das águas em forma de mulher e assim permanecerá para sempre; se correr mal, nunca mais a verás, nem mesmo sob a forma de sereia.

 

- Estou disposto a tentar seja o que for - assegurou Ramiro.

 

Então, a velha explicou tudo, tim-tim por tim-tim:

 

- Primeiro, vais construir uma casa de madeira, na duna, no sítio que chamam Costa Nova, pintando-a às riscas da cor que mais gostares, alternando com branco, por causa do mau-olhado; depois, vais pescar a Lua Cheia.

 

- Pescar a Lua Cheia? - perguntou ele, incrédulo.

 

- Foi isso mesmo que eu disse - continuou a velha. - Metes-te no barco numa noite de Lua Cheia, vais vogando até onde vires o astro reflectido na água. Aí, paras e lançando a rede, puxa-la devagar, de modo que traga a Lua inteira lá dentro. Então, só tens que ir até à casa nova e atirar a rede para o seu interior e logo verás a mulher que foi sereia a sair da água e a entrar em casa. Pode parecer que é tudo fácil, assim, mas o grande problema é que nem a Lua te pode ver nem pode haver o menor ruído até que chegues a casa com a Lua dentro da rede.

 

Não te esqueças! Ao mais pequeno barulho, estará tudo perdido. Ah! ainda uma outra coisa: não podes contar isto a ninguém, nem mesmo à tua madrinha. Para te não esqueceres de nada, repete lá tudo até haveres decorado todos os passos a seguir!

 

 

Foto: https://mood.sapo.pt/grande-regata-dos-moliceiros-regressa-a-aveiro

 

 

Três meses levou a fazer a casa e a preparar o moliceiro, pondo na parte superior da proa um acrescento em forma de quarto crescente, o qual, cobrindo-o, não deixaria que a Lua o visse. Numa noite de Lua Cheia, meteu-se no barco, foi até onde se via a Lua toda reflectida na água, atirou com cuidado a rede em toda a sua volta e foi puxando, vendo com satisfação que a bola branca vinha dentro dela. Seguiu então na direcção da casa que fizera, aproou na areia e saltou para terra, sempre com a rede fechada na mão e a bola luminosa lá dentro aprisionada. Foi então que o silêncio foi quebrado, porque uma gaivota que dormia na praia ia sendo pisada por Ramiro e levantou voo a grasnar, cheia de medo. Quando o grito da ave atravessou o silêncio da noite, a bola branca desapareceu de dentro da rede e tudo ficou perdido.

 

O pescador tornou ao barco, navegou até umas covas que havia do outro lado da ria, saltou em terra, deitou-se no chão e chorou mil dias e mil noites sem parar.

 

As lágrimas foram tantas, que encheram as covas e o Sol, secando a água, deixou-as cheias de sal.

 

Tudo isto se passou há muitos, muitos anos, mas ainda hoje se podem ver as salinas, que são o sal das lágrimas que Ramiro chorou, tal como muitas casas que depois fizeram na Costa Nova e, porque gostaram da que ele tinha feito, lhe seguiram a traça. O moliceiro, esse, continua a apresentar aquela proa em forma de quarto crescente..."

 

http://www.aveiro.com.pt

 

31
Out19

Alguns versos para quem não tem prática a pedir o "Pão por Deus"

Miluem

 

Alguns versos para quem não tem prática a pedir o "Pão por Deus"

 

 

São vários os versos para pedir o Pão por Deus:

 

Ó tia, dá Pão-por-Deus?

Se o não tem Dê-lho Deus!.

 

Ou então:

 

Pão por Deus,

Fiel de Deus,

Bolinho no saco,

Andai com Deus.

 

 

 

Versos dos Açores

 

Dae pão-por-deus

Que vos deu deus

P'ra repartir

C'os fieis de deus

Pelos defuntos

De vo'meces...

 

Quando o peditório é infructuoso:

 

Tranca me dáes

fujo p'rá rua

E seja tudo

P'l'amor de deus

 

Fonte: Revista dos Açores, Volume 1 Sociedade Auxiladora das Lettras Açorianas

 

 

 

    Bolinhos e bolinhós

    Para mim e para vós,

    Para dar aos finados

    Que estão mortos e enterrados

    À bela, bela cruz

    Truz, Truz!

    A senhora que está lá dentro

    Sentada num banquinho

    Faz favor de s'alevantar

    Para vir dar um tostãozinho.

 

Se dão doces:

 

    Esta casa cheira a broa,

    Aqui mora gente boa.

    Esta casa cheira a vinho,

    Aqui mora um santinho.

 

Se não dão doces:

 

    Esta casa cheira a alho

    Aqui mora um espantalho.

    Esta casa cheira a unto

    Aqui mora algum defunto

 

Fonte: A canção ródia da andorinha

 

 

 

    Pão, pão por deus à mangarola,

    encham-me o saco,

    e vou-me embora.

 

Se não ficarem satisfeitos dizem:

 

    O gorgulho gorgulhote,

    lhe dê no pote,

    e lhe não deixe,

    farelo nem farelote

 

Fonte: Teófilo Brága. O povo portuguez nos seus costumes, crenças e tradições, Volume 2. As festas do calendário popular

 

 

 

“Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.”

 

”Bolinhos e Bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu’estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz"

 

 

 

Agrupamento de Escolas Monte da Lua

 

Aqui fica um verso:

“Em vez de dizer adeus
bato à porta, que é a tua
Venho pedir pão-por-Deus,
o teu amor e a Lua”.


Agora quero rebuçados!

http://azulnuvem.blogspot.com

 

 

 

Na região da Sertã, a cantilena é diferente:

 

Bolos, bolos,

Em honra dos Santos todos

Bolinhos, bolinhos,

Em honra dos Santinhos.

 

http://garfadasonline.blogspot.com

 

 

 

Outras expressões de Património Imaterial relacionadas com a Festa:


Durante o peditório do Pão por Deus, as crianças também cantavam ou recitavam a seguinte ladainha:

 


Dar pão, por Deus
Que vos deu Deus,
P’ra repartir
Com os fiéis de Deus,
P’los defuntos de vossemecê.

 

http://www.cm-lourinha.pt

 

 

 

Estas são algumas quadras que prevalecem, até aos dias de hoje:

 

Vem aí o Pão-por-Deus

Dia de muita alegria

Vou pedir à minha mãe

Um saquinho pra esse dia.

 

Um saquinho bem bonito

Onde eu possa deitar

Castanhas, figos e nozes

Pra depois saborear.

 

Hei-de lembrar-me também

De quem agora é velhinho

Senão lhe der figos e nozes

Dar-lhe-ei o meu carinho.


http://casadopovocalheta.com

 

 

30
Out19

Ditos e Ditados Populares @ CXXIV

Miluem

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500 provérbios portugueses antigos - Educação moral, mentalidade e linguagem - de Jean Lauand

Estudo e recolha com base no Livro de provérbios de Antonio Delicado

Na Biblioteca Municipal Mário de Andrade (São Paulo-Brasil), encontra-se uma raridade: um exemplar original do livro do lecenciado prior Antonio Delicado, Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs, Lisboa, Officina de Domingos Lopes Rosa, 1651.

 

27
Out19

Ditos e Ditados Populares @ CXXIII

Miluem

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500 provérbios portugueses antigos - Educação moral, mentalidade e linguagem - de Jean Lauand

Estudo e recolha com base no Livro de provérbios de Antonio Delicado

Na Biblioteca Municipal Mário de Andrade (São Paulo-Brasil), encontra-se uma raridade: um exemplar original do livro do lecenciado prior Antonio Delicado, Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs, Lisboa, Officina de Domingos Lopes Rosa, 1651.

 

20
Out19

Ditos e Ditados Populares @ CXXI

Miluem

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500 provérbios portugueses antigos - Educação moral, mentalidade e linguagem - de Jean Lauand

Estudo e recolha com base no Livro de provérbios de Antonio Delicado

Na Biblioteca Municipal Mário de Andrade (São Paulo-Brasil), encontra-se uma raridade: um exemplar original do livro do lecenciado prior Antonio Delicado, Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs, Lisboa, Officina de Domingos Lopes Rosa, 1651.

 

16
Out19

Ditos e Ditados Populares @ CXX

Miluem

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500 provérbios portugueses antigos - Educação moral, mentalidade e linguagem - de Jean Lauand

Estudo e recolha com base no Livro de provérbios de Antonio Delicado

Na Biblioteca Municipal Mário de Andrade (São Paulo-Brasil), encontra-se uma raridade: um exemplar original do livro do lecenciado prior Antonio Delicado, Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs, Lisboa, Officina de Domingos Lopes Rosa, 1651.

 

16
Out19

Pinhal do Rei @ Lendas de Portugal - Lenda da fonte da felícia

Miluem

http://pinhaldorei.net/lugares-recantos/felicia/ "Antigo fontanário posto a descoberto após a limpeza efetuada pelo fogo de 2017"

 

 

Lenda da fonte da felícia

 

Numa das suas visitas ao pinhal, chegando ao cima da alta duna, D. Dinis desmontou do cavalo para desentorpecer as pernas.

 

Olhou a paisagem à sua volta. A mata estava ali. Era pouca, mas muito mais haveria de semear. O Pinhal nascia. Verdejava. Crescia. Muitos barcos haveria de dar para embelezar aquelas águas e florir o sonho que o perseguia para lá das Canárias…

 

O sol começara a descer, de repente, lembrou-se que deixara a sua Isabel e o Infante no cansaço da espera.

 

Levantou-se dum pulo. Montou o cavalo e partiu a galope, galgando montes e barrancos, subindo e descendo morros. Chegou ao local, desmontou dum salto e dirigiu-se à Rainha.

 

A Rainha sorriu e perdoou. Ela amava demasiado o seu rei, para lhe pesar as faltas.

 

O Rei pegou nas mãos do infante e contou-lhe a magia do pinhal e do mar.

 

A certa altura, o infante pediu água para saciar a sede e D. Isabel ordenou que uma das aias lhe fosse buscar água.

 

A aia dirigiu-se a um fio de água cristalina que rompia da encosta fresca, de entre mimosa vegetação, e que escorrendo, engrossando, cantava suavemente, até se dispersar no rio, dezenas de metros à frente.

 

Trouxeram a água ao Príncipe. Este, encantado com a sua leveza e frescura perguntou:

 

       - Que fonte é esta, Senhora mãe?

 

       - Esta fonte…esta fonte, meu Príncipe? Parou um instante, como se procurasse na memória, e depois de ter encontrado um nome adequado ao fiozinho fresco e cristalino, sorriu e respondeu: - É a fonte da Felícia, meu príncipe!

 

Fonte da Felícia, um nome posto em homenagem ao doce momento que estava a passar junto de El-Rei e do Príncipe Afonso.

 

Fonte da FELICIDADE…

 

 

Tradição oral

 

 

 

16
Out19

Responso a Santo António - 2 versões - Bragança e Portel

Miluem

Pintor: Garcia Fernandes

“Santo António pregando aos peixes”

pintura a óleo sobre madeira datada de 1535-1540, Museu Nacional de Arte Antiga.

 

 

Responso dirigido a Santo António recolhido em Bragança (conforme o discurso da informante):

 

“os perdidos e achados é, portanto, uma pessoa perde qualquer coisa, e não a encontra, e então há uma oração, se a pessoa a disser três vezes seguidas, sem se enganar, as coisas aparecem. Pronto, e então é assim:

 

Santo António se bestiu e se calçou.

Pelo caminho do Senhor andou.

Encontrou o Senhor,

O Senhor lhe perguntou:

– António, onde bais?

– Oh Senhor, eu consigo irei.

– Comigo não irás,

Nesta terra ficarás,

Guardar o perdido

Com o achado encontrarás.

 

Três bezes seguidas!”

 

 

Mariana GOMES, Recolhas do Centro de Tradições Populares Portuguesas - RiS (2007), no âmbito doseminário de Mestrado em Estudos Românicos – Literatura Oral e Tradicional. Informante: Virgínia Salazar (Bragança), 2007

 

Foto: Pintrest

 

Numa outra versão, recolhida em Portel, basta dizer uma vez o responso para que seja concretizado o pedido.

 

Vejamos:

 

Santo António pequenino,

Se vestiu e se calçou.

No seu caminho caminhou,

Onde Jesus lhe perguntou.

- António, tu onde vais?

- Senhor, contigo vou.

- Tu comigo não irás.

Tu na Terra ficarás.

Todas as coisas perdidas e roubadas,

Santo António mas darás

 

 

Sandra SALES, Recolhas do Centro de Tradições Populares Portuguesas - Ri5 (2006)-13, no âmbito dacadeira de Literatura Oral e Tradicional de Licenciatura. Informante: Genoveva Sales (Portel), 2006

 

 

 

TRADIÇÃO DEVOCIONAL DE SANTO ANTÓNIO

Mariana Gomes     Isabel Dâmaso Santos

Centro de Tradições Populares Portuguesas

“Professor Manuel Viegas Guerreiro”

Universidade de Lisboa

 

15
Out19

Lenda do Folar da Páscoa

Miluem

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Foto: TeleCulinária

 

 

Lenda do Folar da Páscoa

 

A lenda do folar da Páscoa é tão antiga que se desconhece a sua data de origem.

 

Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo.

 

Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa.

 

Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer.

 

Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte.

 

Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.

 

Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe.

 

No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar.

 

Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante.

 

Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.

 

Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação.

 

Durante as festividades cristãs da Páscoa, os afilhados costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.

 

 

Como referenciar:

Lenda do Folar da Páscoa in Artigos de apoio Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2019.

Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$lenda-do-folar-da-pascoa

 

14
Out19

Mougadouro @ Lendas de Portugal - A lenda dos tremoços

Miluem

Foto: http://asleguminosas.blogspot.com/p/tremoco.html

 

 

A lenda dos tremoços

 

Maria e José, para furtarem o Menino à fúria de Herodes, seguiram temerosos, de alma dorida, sem compreenderem como é que um rei tão tirano podia odiar de morte aquele Ser tão pequenino tão indefeso e tão inocente que apenas tinha como abrigo os braços de sua Mãe e a protecção de um pobre carpinteiro que tinha por únicas armas as suas ferramentas de ofício.

 

A cada ruído que ouviam por pequeno que fosse como o cair de uma folha ou o rastejar de um pequeno réptil julgavam ouvir os passos dos soldados.

 

Procuravam portanto evitar os caminhos mais transitáveis e atravessavam por sítios onde não ficassem pegadas que denunciassem a sua passagem.

 

A certa altura da caminhada embrenharam-se por um campo de tremoços.

 

Como se sabe o tremoceiro quando esta seco e ainda com o tremoço dentro da vagem faz um barulho dos demónios comparável ao de um enorme ruge-ruge, daqueles que se compram para os bebés.

 

Ao atravessarem o tremoçal, o barulho era de tal ordem que, Maria, dorida e receosa, a quem o medo tornava um pouco impaciente, teria dito para José:

 

     — Estas malditas ervas fazem tanto barulho, que, se os soldados passam por aqui perto, vão ouvir e somos apanhados.

 

     Depois, dirigindo-se aos tremoços, disse:

 

     — Ó ervinhas, peço-vos que não façais barulho, senão sereis amaldiçoadas e o vosso fruto não matará a fome a ninguém, por mais que comam.

 

Os tremoços continuaram com o mesmo barulho, e daí a razão por que esse fruto, que é tão apreciado como aperitivo e tão comum nas festas de baptizados e casamentos, não sacia o apetite a ninguém.

 

Quantos mais se comem, mais se querem comer, sem nunca sentirmos o estômago cheio.

 

 

Fonte Biblio: OLIVEIRA, Casimiro Raízes: Poesia, Contos e Lendas Mogadouro,

 Associação Cultural e Recreativa de Soutelo, 1998 , p.75-76

Place of collection: Soutelo, MOGADOURO, BRAGANÇA

Narrativa – When: XX Century, 90s - Crença: Unsure / Uncommitted

 

13
Out19

Ditos e Ditados Populares @ CXIX

Miluem

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500 provérbios portugueses antigos - Educação moral, mentalidade e linguagem - de Jean Lauand

Estudo e recolha com base no Livro de provérbios de Antonio Delicado

Na Biblioteca Municipal Mário de Andrade (São Paulo-Brasil), encontra-se uma raridade: um exemplar original do livro do lecenciado prior Antonio Delicado, Adagios portuguezes reduzidos a lugares communs, Lisboa, Officina de Domingos Lopes Rosa, 1651.