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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

08.08.20

Lisboa @ Lendas de Portugal - Da Imagem de nossa Senhora do Rosario, que se venera em Santa Monica

Miluem

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Da Imagem de nossa Senhora do Rosario, que se venera em Santa Monica

 

Huma pessoa de fóra, tendo já noticia desta Santa Imagem, & dos favores que della recebiaõ as Religiosas, (ainda que a não havia visto) vendose em hum grande perigo a invocou, & lhe valeo a Senhora de sorte, que reconheceo dever a sua vida à sua intercessaõ, pela invocação da sua Santa Imagem.

 

Obrigada do favor, foy esta pessoa ao Convento, & procurou ver a Santa Imagem, com cuja vista se alegrou muito, & lhe prometeo não só de a servir em quanto vivesse; mas de a festejar em trinta & hum de Agosto, estando neste dia o Senhor manifesto: o que ainda hoje continua com grandeza, & ostentaçaõ.

 

Prometeolhe tambem de lhe fazer hũa Capella, (o que executou logo) q’ he magnifica; ainda sendo as Capellas daquella Igreja fabricadas quasi à face.

 

Fica esta quasi defronte da porta principal.

 

He a obra da Capella de valente architectura, & de excellente talha dourada, com grandes por fóra de évano, & de muito culto.

 

A Senhora está collocada em hũ trono, cuberta com hũa rica cortina, & se naõ descobre, senaõ nos dias de suas festividades, & nos dias Santos, & Domingos, & sempre cõ luzes acesas.

 

Havia tambem naquelle Convento hũa Religiosa chamada Catharina de Jesus, a qual estando doente, & desconfiada já dos Medicos da terra, adormeceo, & teve hum sonho, ou paracismo, em que se lhe representou que via a esta Senhora, & que a via junto a si, & q’ a aliviava naquelle aperto, em que se achava, dandolhe perfeita saude.

 

Despertou, & se achou boa, & livre do mal que padecia; & reconhecendo as melhoras, foy a dar as graças à Senhora pelo beneficio que da sua clemencia havia recebido; & assim se aservorou mais dalli por diante na devoção da mesma Senhora, servindoa com muito cuidado.

 

Succedeo isto pelos annos de 1684. & he de advertir, que no mesmo tempo, em que sonhava, que era pelas nove horas da noite, se lhe representou tambem que ouvia hum grande baque, & que cahia a Senhora, & ficando muito sobresaltada, chamava muito depressa por huma pessoa de fóra, dizendo fosse à Igreja a erguer a Senhora, que havia cahido: foraõ, & achàraõ-na posta em pè como se naõ cahira, & puzeraõ-na outra vez no seu lugar; & depois de acabar de referir o sonho, se fez a experiencia, se fora sonho, & se achou ser verdade que a Senhora estava fóra do seu lugar, & posta sobre o Altar em pè, donde a tiràraõ, & a collocáraõ outra vez no seu lugar: entendendose daqui que a Senhora obrára aquella demonstraçaõ, para se conhecer a maravilha, que a favor da sua serva havia obrado.

 

 

Fonte: Biblio AGOSTINHO DE SANTA MARIA, Fr. Santuário Mariano Alcalá, Imperitura, 2007 [1711] , p.Tomo I, Livro II, Título XXV, pp. 340-342

Place of collection: LISBOA, LISBOA - Narrativa - When:  XVII Century,

Crença: Unsure / Uncommitted

Foto: http://patrimoniocultural.cm-lisboa.pt/lxconventos/ficha.aspx?t=i&id=660

 

06.08.20

Beja @ Lendas de Portugal - A Lenda da Costureirinha

Miluem

Janela Manuelina - https://cm-beja.pt/pt/menu/578/janela-manuelina.aspx

 

 

A Lenda da Costureirinha

 

Entre as crenças que algum dia existiram no Baixo Alentejo, a da costureirinha era uma das mais conhecidas.

 

Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de alguma idade, e não tanta como isso... que ouviram a costureirinha.

 

O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada.

 

Um trabalho de costura, portanto. O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa: cozinha, quarto de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres.

 

De tal modo era familiar a sua presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha.

 

Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que, em vida, costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado.

 

É esta a versão mais conhecida no Alentejo.

 

Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco.

 

Esta última versão aparece referenciada num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de aldeias do Ribatejo.

 

Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha for a condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir.

 

No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte.

 

Já não se houve, agora, a costureirinha?

 

Terminou já o seu fado, expiou o castigo e descansa em paz?

 

A urbanização moderna, a luz eléctrica, os serões da TV, afastaram-na do nosso convívio.

 

Desapareceu, naturalmente, com a transformação de uma sociedade rural arcaica, que tinha os seus medo, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida.

 


http://www1.ci.uc.pt/iej/alunos/2001/lendas/Lendas%20de%20Beja.htm

 

08.06.20

Vagos @ Lendas de Portugal - Lenda da Nossa Senhora de Vagos

Miluem

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Foto: https://pela-positiva.blogspot.com/2011/09/santa-maria-de-vagos-na-lenda-e-na.html?m=1

 

Lenda da Nossa Senhora de Vagos 

 

 

 

A pouco mais de um quilómetro da vila de Vagos, situada num local campestre, pitoresco e aprazível, convidativo à oração, fica a ermida de Nossa Senhora de Vagos cheia de história e tradição.

 

Consta que antes do actual santuário, existiu outro a dois quilómetros deste de que há apenas vestígios de uma parede bastante alta, denominada «Paredes da Torre», cercada presentemente por densa floresta mas de fácil acesso.

 

Tradições antigas com várias lendas à mistura, dizem que perto da praia da Vagueira naufragou um navio francês dentro do qual havia uma imagem de Nossa Senhora que a tripulação conseguiu salvar e esconder debaixo de arbustos que na altura rareavam no areal.

 

Dirigindo-se para Esgueira, freguesia mais próxima, a tripulação contou o sucedido ao Pároco que acompanhado por muitos fiéis, veio ao local onde tinham colocado a imagem, mas nada encontrou.

 

Dizem uns que Nossa Senhora apareceu a um lavrador indicando-lhe o sítio onde se encontrava o qual aí mandou construir uma ermida; dizem outras que apareceu em sonhos a D. Sancho primeiro quando se encontrava em Viseu que dirigindo-se ao local e tendo encontrado a imagem, mandou construir uma capela e uma torre militar a fim de defender os peregrinos dos piratas que constantemente assaltavam aquela praia.

 

Mas parece que a primeira ermida e o culto da Nossa Senhora de Vagos datam do século doze.

 

O que fez espalhar a devoção a Nossa Senhora de Vagos foram os milagres que se lhe atribuem.

 

Entre eles consta a cura de um leproso, Estevão Coelho, fidalgo dos arredores da Serra da Estrela que veio até ao Santuário.

 

Ao sentir-se curado além de lhe doar grande parte das suas terras, ficou a viver na ermida, vindo a falecer em 1515.

 

É deste Estevão Coelho, que conta a lenda ter quatro vezes a imagem de Nossa Senhora de Vagos, sido trazida para a sua nova Capela, quando das ruínas da Capela antiga (Paredes da Torre), e quatro vezes se ter ela ausentado misteriosamente para a Capela primitiva.

 

Só à quarta vez se reparou que não tinham sido transferidos os ossos de Estêvão Coelho, e que as retiradas que a Senhora fazia eram nascidas de querer acompanhar o seu devoto servo que na sua primeira Ermida estava sepultado; trasladados os ossos daquele, logo ficou a Senhora sossegada e satisfeita.

 

Supõe-se que ainda hoje, à entrada do Templo existe uma pedra com o nome de Estêvão Coelho.

 

Outro grande milagre teve como cenário os campos de Cantanhede completamente áridos e impróprios para a cultura devido a uma seca que se prolongava há mais de quatro anos.

 

A miséria e a fome alastrou de tal maneira por aquela região que todo o povo no auge do deserto elevava preces ao Céu, para que a chuva caísse. 

 

Até que indo em procissão à Senhora da Varziela, ouviram um sino tocar para os lados do Mar de Vagos. 

 

Toda a gente tomou esse rumo. 

 

Chegados à Ermida de Nossa Senhora de Vagos, suplicaram a Deus que derramasse sobre as suas terras a tão desejada chuva o que de facto sucedeu.

 

Em face de tão grandioso milagre, fizeram ali mesmo um voto de se deslocarem àquele local de peregrinação, distribuindo ao mesmo tempo as pobres esmolas, dinheiro, géneros, etc. ...

 

Ainda hoje essa tradição se mantém numa manifestação de Fé e Amor.

 

Ainda hoje o pão de Cantanhede continua a ser distribuído em grande quantidade no largo da Nossa Senhora de Vagos.

 

Perto do actual santuário que pelas lápides sepulcrais aí existentes, remota ao século dezassete, construíram-se umas habitações onde de vez em quando se recolhiam em oração os Condes de Cantanhede e os Srs. de Vila Verde.

 

Hoje, já não existem vestígios dessas habitações.

www.aveiro.com.pt

07.06.20

Resende @ Lendas de Portugal - A lenda de Santa Maria de Cárquere

Miluem

 

 

A lenda de Santa Maria de Cárquere

 

 

Onde se pergunta quem foi, afinal, o primeiro rei de Portugal.


Falamos de uma história de novecentos anos, mais pózinho, menos pózinho, quando Portugal era ainda uma miragem.

 

Afonso VI de Castela e Leão, “Imperador de toda a Hispânia”, quando do matrimónio de sua filha ilegítima D. Teresa com o Conde D. Henrique da Borgonha, tinha criado o Condado Portucalense, oferecendo-o como dote a sua filha.

 

Os Condes de Portucale governavam este cantinho da Península, vassalos do Rei de Castela.


Ora vivia na corte um fidalgo, Egas Moniz de seu nome, pertencente à nobre família de Ribadouro. Homem de toda a confiança, solicitou aos seus amos que lhe permitissem a honra de ser aio do futuro governante. E assim se fez quando nasceu Afonso Henriques que veio a ser o único descendente masculino sobrevivente de Henrique e Teresa.

 

Pobre Afonso! Dizem alguns que terá nascido fraco, com as perninhas tortas – as más línguas diziam até que era corcundinha. Temeu-se pela sua vida.

 

Era este bebé o futuro Conde, o futuro chefe militar? Que futuro para o Condado! Que grande tristeza!


Egas Moniz era profundamente dedicado ao pequeno. Foi seu tutor, amigo, mestre d’armas… O bem estar do amo era a sua preocupação maior. Devoto da Virgem Maria, rezava-lhe amiúde, pedindo pela saúde da criança que tanto amava.

 

Teria Afonso uns 5 anos de idade, quando sonhou Egas com Nossa Senhora. Esta ordena-lhe:

 

-Vai, Egas Moniz! Leva Afonso à minha igrejinha de Cárquere (Resende) e aí será curado!

 

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Egas pôs-se a caminho com o jovem infante, cheio de esperança.

 

Colocado o pequeno no altar, terá então procurado uma imagem escondida da Virgem, acendido 2 velas e esperado, murmurando as suas preces.

 

O tempo, nesse tempo sem relógios, passa. Egas adormece, cansado.

 

Uma das velas cai. Assustado, o infante levanta-se com esforço, evitando as chamas e a queimadura certa. Curado sim, com a ajuda da Nossa Senhora.

 

E regressam à corte, aio e amo.

 

O povo rejubilou!!!! O Conde D. Henrique, agradecido pela graça concedida, manda construir, junto à igreja, o Mosteiro de Santa Maria de Cárquere.

 

Egas Moniz foi obreiro do milagre. Mas será que foi mais do que isso?

 

É que se conta, no rol de histórias que passam, que o infante, frágil e enfezado, não terá resistido à primeira infância, deixando o domínio sem herdeiros masculinos… E que Egas Moniz, combinado ou não com o Conde D. Henrique, terá trocado a criança morta por um dos seus próprios filhos, assegurando assim a continuação do Condado Portucalense…

 

Quem sabe?

 

Sabe-se que “Afonso” cresceu e se fez homem. Alto e forte, segundo estudos feito no seu túmulo, dizia-se a que a sua espada era pesadíssima e que nenhum outro poderia manejá-la.

 

E não queria ser Conde! Queria ser Rei! E, para tal, combateu os do seu próprio sangue (?), com Egas Moniz sempre a seu lado.

 

Conforme se diz noutro relato, no auge da guerra pela independência de Portugal, Egas Moniz faz uma promessa de cavaleiro ao rei de Castela e Leão, Afonso VII, em nome de Afonso.

 

Afonso não cumpre! Então Egas Moniz e a família viajam a Toledo, apresentando-se ao Rei de Castela e Leão, todos de corda ao pescoço, oferecendo a vida.

 

Afonso VII, condoído, perdoa… E os Moniz voltam para Portugal. Para seu rei…ou seu parente chegado?


Ao falecer Egas, foi sepultado junto ao seu Paço de Sousa, Penafiel. Posteriormente, foi transladado para o interior do Mosteiro. É então que, para espanto de todos, se viu serem os ossos das suas pernas extremamente longos, transformando-o aos olhos das gentes num homem descomunal, um verdadeiro gigante para a época.

 

Aio ou pai do primeiro Rei de Portugal, Egas Moniz foi, sem dúvida, um homem lendário!

 

Fonte: https://portugaldelesales.pt

Fotos:

 https://cm-resende.pt

https://www.rotadoromanico.com

 

 

05.06.20

Arcozelo @ Lendas de Portugal - Lenda do Rio do Espírito Santo

Miluem

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Foto:

 http://registo-imagens.blogspot.com/2010/06/ribeira-do-espirito-santo.html?m=1

 

Lenda do Rio do Espírito Santo

 

    A freguesia de Arcozelo é atravessada por um riacho a que chamam Rio do Espírito Santo.

 

     Segundo a tradição as águas desse Rio têm o privilégio de curar o bichoco ou bostelha, um mal que se caracteriza por feridas persistentes, cuja cura não é fácil.

 

     E dizem as crenças populares que todo o doente desse mal que se banhe nessas águas ficará curado.

 

     A fama das águas daquele rio teve, no passado, o condão de atrair muita gente doutras paragens que lá ia em busca de tratamento para as suas mazelas de bostelha.

 

     A anotada prerrogativa diz-se ter advindo do facto de passar ali junto do riacho um bispo dotado de poderes extraordinários que abençoou as suas águas e lhes conferiu esse dom curativo.

 

 

Fonte Biblio:  VALLE, Carlos Revista de Etnografia 26, Tradições Populares de Vila Nova de Gaia - Narrações Lendárias Porto, Junta Distrital do Porto, 1969 , p.422

Place of Collection: Arcozelo, VILA NOVA DE GAIA, PORTO

Narrativa – When: XX Century, 60s – Crença: Unsure / Uncommitted

CeAO Centro de estudos Ataíde Oliveira

 

01.06.20

Ansião, Leiria @ Lendas de Portugal - Ponte da Cal

Miluem

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Ponte da Cal

 

Sobre as águas calmas do rio Nabão construiu-se, no século XVII, uma ponte que ligava o importante e antigo eixo viário oriundo de Coimbra que passava por Lagoas em direção ao centro da vila de Ansião.

 

Trata-se de um monumento de alvenaria, constituído por dois arcos de volta perfeita, em cantaria siglada. Um estreito passeio, do lado Norte, delimita dois interessantes tanques de banhos, destinados, respetivamente, às mulheres e aos homens.

 

O primeiro tanque é constituído por uma pia mais funda onde, segundo a lenda, a Rainha Santa se teria um dia refrescado, após atravessar uma longa zona agreste sob o sol tórrido de verão, vinda da cidade de Coimbra.

 

A fadiga apoderara-se já de toda a comitiva quando avistaram, ao longe, o arvoredo refrescante que emerge das margens do rio onde a ponte se ergueu. A Rainha ter-se-á apeado e terá descido à margem para molhar os pés.

 

Recomposta toda a comitiva, prosseguiram a viagem e eis que, ao encontrar um velho pedinte na beira do caminho, a Rainha mandou de novo parar, para lhe dar uma esmola. Teria sido este velho, ou "ansião", que segundo a tradição determinou o nome da povoação.

 

As águas que correm sob a ponte santificaram-se e práticas milagrosas aí ocorreram desde então. Neste local ainda hoje se pratica o "banho santo" de 29 de junho - dia de S. Pedro - ao dia 4 de julho - dia da Rainha Santa Isabel.

 

 

Como referenciar: Ponte da Cal in Artigos de apoio Infopédia. Porto: Porto Editora, 2003-2019. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$ponte-da-cal

 

Foto: https://www.cm-ansiao.pt

 

29.05.20

Fundão @ Lendas de Portugal - A Invenção dos Moinhos

Miluem

Foto: https://viagens.sapo.pt

 

A Invenção dos Moinhos

 

 

Em tempos muito antigos, o Diabo inventou os moinhos para fazerem farinha dos grãos do trigo, do centeio, da cevada e até da aveia. Farinha para se fazer o pão, no forno, e as papas, nas panelas.

 

Depois da obra acabada, o Diabo chamou Nosso Senhor para os ver.

 

Nosso Senhor foi apreciar os moinhos e, ao chegar às mós, fez uma cruz com um dedo nas galgas, as pedras de cima que rodam.

 

Ainda hoje todas as mós têm uma cruz.

 

Ao ir ver o que Nosso Senhor tinha feito, o Diabo, dando com os olhos na cruz, rebentou , desfazendo-se numa bola de vento e caiu para o inferno, que é a parte debaixo do moinho, onde estão as engrenagens que fazem andar a mó.

 

 

Fonte Biblio:  MATOS, Albano Mendes de Literatura Popular Tradicional na Gardunha s/l, Edição do Autor, 2004 , p.36

Ano: 1987 - Place of Collection: Alcaide, FUNDÃO, CASTELO BRANCO

Informante: Laura Saraiva (F), 97 y.o., born at Castelo Novo (FUNDÃO) CASTELO BRANCO,

Narrativa – Crença: Unsure / Uncommitted

CeAO - Centro de estudos Ataíde Oliveira