Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

20.11.21

Campo Maior @ Histórias e Contos - O velho sobreiro

Miluem

O velho sobreiro

 

Passava um dia perto do Rossio

Entre a igreja de São Domingos e a Ginjinha

Quando em meu corpo senti um arrepio

Que mesmo das entranhas da minha alma vinha

 

Foi uma graça de Deus a emoção que senti

Quando de repente o meu olhar pousava

No velho sobreiro ali, mesmo ali

Nesse momento senti que no Alentejo estava

 

Mas ai que para meu espanto Lisboa passa

De canastra à cabeça e chinela no pé

Bandeando a anca que enchia de graça

Benzendo seu rosto num gesto de fé

 

No velho sobreiro pousavam pardais

Trinando cantigas ao som do pregão

A varina corria em direcção ao cais

E o sino da igreja fazia dlão, dlão

 

Dlão, dlão…

 

E eu, camponesa, olhava com espanto

Toda esta visão, todo este bulício

Minha alma poeta se enchia de encanto

E as pessoas passavam sem darem por isso

 

Com vida apressada, perdeu-se o encanto

A vida é vivida em função do dinheiro

As pequenas coisas já não causam espanto

E Lisboa já chora abraçada ao sobreiro

 

Mas Deus, Deus que é amor deu o dom ao poeta

Para ver a vida com outra visão

Com outro sentir, que o faz estar alerta

Para as pequenas coisas que tão belas são.

 

 

Créditos:

nome: Rosa Dias

ano nascimento: 1947

concelho: Campo Maior, distrito: Portalegre

data de recolha: Julho 2012

https://www.memoriamedia.net/index.php/campo-maior/72-expressoes-orais/campo-maior/rosa-dias/2511-o-velho-sobreiro

 

23.10.21

Mora @ Histórias e Contos - Corre, corre cabacinha

Miluem

Corre, corre cabacinha 

Era uma vez uma velhinha. Bem, coitadita, na' tinha mais ninguém, vivia sozinha no meio de uma floresta.

Mas, noutros tempos, tinha tido uma filha. A filha entretanto cresceu, fez-se mulher, fez-se uma senhora, foi pra Lisboa. Lá, arranjou um rapaz pa' namorar e tratou do casamento.

E a velhinha sempre lá a viver na floresta. Um belo dia, chegou-lhe a filha à porta (um grande automóvel, tudo muito preparado) pa' convidar a mãe pò casamento. E disse-lhe a mãe:

– Ó filha! Como é que tu queres que eu vá pò casamento, se eu vivo aqui no meio de uma floresta destas?! Atão, os lobos comem-me no caminho!

Filha – Na' comem! Ó mãe na' tenhas medo, que os lobos na' te comem! Vá!

Bem, assim foi. A velhota lá foi. Chegou assim a um cerrozinho, apareceu um lobo com os dentes arreganhados!

Lobo – Ai, velha! Que eu agora como-te!

A velha, esperta, (as velhas são todas espertas) disse pra ele:

– Olha! Olha lobo, vamos fazer aqui um contrato. Na' me comas! Que eu agora vou ao casamento da minha filha, como lá muita carne e muito bolo e venho de lá mais gorda! Atão, depois tu comes-me.

Lobo – 'Tá bem! – O lobo muito guloso. – 'Tá certo.

Lá foi a velhinha. Ora, um grande casamento: comeu, bebeu, comeu, bebeu... Passou três dias naquela vida... A velha já não parecia a mesma! Nisto aproximou-se a hora de ela se ir embora e começou a chorar! Disse-lhe a filha:

– Ó mãe, tu 'tás a chorar de quê?

Velhinha – Ora filha... Atão eu combinei com o lobo, quando vinha pra cá, que vinha ao teu casamento e agora à volta, pra lá, é que ele me comia que eu 'tava mais gorda! E agora ele 'tá lá.

Filha – Olha, na' tenha medo! Na' há problema. Tome lá esta cabaça(4). Quando for lá quase a chegar, meta-se dentro da cabaça. Você sabe o que é que há-de fazer!

Tal e qual! Quando ia lá a chegar ao cerrozinho lá estava o lobo. A velhota pensou "bem, é aqui que o lobo deve de estar". Lá se enrolou toda dentro da cabacinha, quietinha dentro da cabacinha, e lá foi a cabacinha a rebolar. Parou-a o lobo! Disse o lobo:

– Ó cabacinha! Tu não viste p'aí uma velhinha?!

Cabaça – Eu na' vi cá nem velhinha, nem velhão! Rebola cabacinha, rebola cabação! Leva- -me à minha casinha, leva-me ao meu casão! E tu lobo ficaste aí feito gulosão, que na' meteste o dentão!»

E pronto. Assim o enganou!

 

nome: Maria Augusta, ano nascimento: 1932

freguesia: Mora, concelho: Mora                               

distrito: Évora, data de recolha: 2007

https://www.memoriamedia.net/index.php/maria-augusta

 

27.09.21

Os galegos | Contos Populares Alentejanos

Miluem

IMG_20210926_181910.jpg

Os galegos

 

Era duma vez uns poucos de galegos e fizeram uma procissão a S. Nicolau, e quando iam no meio da procissão esqueceram-se do nome do santo. 

 

Começaram uns a dizer: 

 

“Será pescada?

Será atum? 

Será bacalhau?” 

 

“Sim, sim, sim, bacalhau, S. Nicolau. 

 

Vá a procissão adiante que já lembrou o nome do santo.” 

 

(Elvas)

 

 

Fonte:

Coleção Estudos e Documentos 10 - António Thomaz Pires

Contos Populares Alentejanos recolhidos da Tradição Oral

Colectânea, edição crítica e introdução de Mário F. Lages

2ª edição aumentada - Lisboa - CEPCEP 2004

Fotos:

Pinterest

https://luisaalexandra.com

 

 

Mais sobre mim

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D

Calendário

Novembro 2021

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.