Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

27.06.21

Bolo de Ançã, Cantanhede - Confraria, História e Receita

Miluem

17436200_1158725940923371_6772851577415654097_o.jpg

Confraria do Bolo de Ançã

https://m.facebook.com/ConfrariaDoBoloDeAnca/

60905384_2089944874468135_8227071904880525312_o.jpg

 

Fundada a 24 de novembro de 2005, a Confraria do Bolo de Ançã tem por missão a defesa e promoção de uma tradição secular que, se reflete ainda, no quotidiano desta vila histórica: o Bolo de Ançã, um bolo artesanal, doce, confecionado em forno de lenha.

 

A confraria gastronómica tem ainda o papel de valorizar o caráter genuíno desta especialidade regional, servindo também para preservar o uso das técnicas tradicionais na confeção das suas três versões: o Bolo Fino, o Bolo de Cornos e o Bolo de Ovos.

 

https://www.cm-cantanhede.pt/mcsite/entidade/3143/

 

 

84319503149acfc08968a824aecff0be_w400.jpg

Bolo de Ançã

Descrição, História e Receita

 

Descrição: Bolo doce, de textura leve e macia, feito à base de farinha, açúcar, ovos e manteiga. Apresenta um aspecto característico com pequenas “cristas” douradas na parte superior do bolo.

 

Características particulares: O Bolo de Ançã enquadra-se na família dos folares doces, com forte tradição na época de Páscoa. É pouco doce e apresenta alguma durabilidade.

 

Região: Centro

 

Ingredientes utilizados:

Farinha,

açúcar,

ovos,

manteiga e fermento de padeiro.

 

Modo de preparação:

Junta-se à farinha, aos poucos, o fermento previamente desfeito em água, deixando descansar durante 10 minutos.

Misturam-se depois parte dos ovos e do açúcar e adicionam-se à massa de farinha, trabalhando-a até incorporar bem os ingredientes.

Adicionam-se depois os ovos e o açúcar restantes, adicionando um ovo da cada vez.

Junta-se a manteiga, trabalhando bem até obter uma massa lisa, elástica e homogénea.

Deixa-se a levedar num local ameno.

Quando a massa dobrar de volume, modelam-se os bolos e colocam-se em tabuleiros de forno; deixam-se crescer de novo, pincelam-se com gema de ovo batida e vão a cozer em forno a lenha, até ficarem bem dourados.

 

Saber fazer:

O Bolo de Ançã tem como base um processo artesanal de fabrico, sendo amassado manualmente e cozido em forno a lenha.

8d7d11040f902961ca915cff2e8d151e.jpg

Foto: Pintrest

Em Ançã são também fabricados os bolos de cornos, em forma de "S" e com sabor a canela, e os bolos finos, mais ricos e com mais ovos, geralmente dados como folar na Páscoa.

ideviajarmulher_anca14-1.jpg

Foto: https://ideviajarmulher.com/isto-e-a-vila-de-anca-para-la-da-pedra-e-dos-bolos/

 

Formas de comercialização: São comercializados sobretudo na vila de Ançã, onde as boleiras os vendem em açafates, ou em feiras e mercados da região.

 

Disponibilidade do produto ao longo do ano: Durante todo o ano.

 

Historial do produto:

A origem do bolo de Ançã perde-se no tempo, tendo o segredo do seu fabrico sido transmitido de pais para filhos.

O bolo é de confeção simples, com ingredientes vulgares, mas de reconhecida qualidade, e tem como base um processo artesanal de fabrico.

Este processo, mantido durante gerações de boleiras, tornou-o num produto típico dessa Vila, conhecido e apreciado sobretudo na Beira Litoral.

Há muito que os viajantes e os turistas os compram às boleiras, que com os seus açafates recheados de bolos dourados se tornaram uma imagem típica da Vila, sendo também presença habitual em mercados e feiras.

Este bolo recolhia admiradores também de Lisboa, “que no regresso à Capital levam os carros carregados da explêndida lambarice”, conforme testemunho de Jaime Cortesão, no ano de 1933.

 

Representatividade na alimentação local: Muito popular nas feiras e ruas dos concelhos de Cantanhede, Coimbra e Figueira da Foz.

 

Fonte: DGADR, com base em elementos recolhidos no sítio da Internet do Munícipio de Cantanhede.

 

https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/cat/doces-e-produtos-de-pastelaria/998-bolo-de-anca

 

20.06.21

A História dos Ovos Moles de Aveiro e a sua Confraria

Miluem

2.0001.portfolioimagens.jpg

Confraria dos Ovos Moles de Aveiro

 

banner.0001.capa.jpg

História dos Ovos Moles

 

Após a introdução da plantação da cana-de-açúcar na Península Ibérica pelos árabes a partir do séc. VIII, foram os portugueses que, depois de tentativas de produção em território nacional, a difundiram pelo espaço atlântico logo nas primeiras viagens dos descobrimentos. Foi numa das primeiras terras a ser “descoberta”, a Ilha da Madeira (1420), que a produção e comércio de açúcar se tornaram uma das mais fortes actividades económicas, logo na segunda metade do século XV, em consequência da excelência do clima e elevada fertilidade dos solos da ilha.

 

A 5 de Dezembro de 1452, o Infante D. Henrique assina um contrato com o capitão de caravela Diogo de Teive, pelo qual este se compromete a construir um engenho de água na Madeira para a produção de açúcar e a entregar ao Rei a terça parte da sua produção. Logo em 1454, segundo relatos do navegador veneziano Cadamosto, o Infante apresenta a venezianos “amostras de açúcar da Madeira, e sangue de drago e outras boas coisas”.

 

Da parte do açúcar que cabia à coroa, algum foi dado como “esmola”a várias instituições como por exemplo ao hospital de Todos os Santos em Lisboa (1506), Misericórdias do Funchal (1512) e Ponta Delgada (1515) e aos conventos de Guadalupe (1485), Évora (1497), Beja (1500), Aveiro (1502), Coimbra (1510), Vila do Conde (1519).

 

De facto, está bem atestado documentalmente, que o Convento de Jesus de Aveiro recebia açúcar da Madeira. Por carta régia, de 31 de Outubro de 1502, D Manuel I dá como esmola, 10 arrobas anuais de açúcar, da parte do Funchal, pagas e assentadas do quinto que o rei dispunha na ilha. A 7 de Novembro de 1527, D. João III assina em Coimbra uma tença de 10 arrobas de açúcar também da Madeira, em carta de Aires Fernandes. D. Sebastião renovou a concessão das 10 arrobas de açúcar.

 

O primeiro uso do açúcar dentro do Mosteiro de Jesus terá sido na botica (farmácia). Tanto podia ser usado na síntese de medicamentos ou ingerido diretamente como suplemento energético aos doentes (normalmente subnutridos). Efectivamente, em carta de 4 de Abril de 1512, a prioresa do Convento solicitava o envio urgente do açúcar, a fim de ser usado na enfermaria.

 

O mosteiro de Jesus de Aveiro foi fundado em 1458 por D. Brites Leitoa, senhora nobre, casada com Diogo de Ataíde. Este casal veio da corte, em Lisboa, viver para Ouca (Vagos), onde possuíam uma rica e vasta quinta. Posteriormente, D. Brites, enviuvando aos 27 anos, resolveu dar-se à vida religiosa promovendo a construção de uma casa de recolhimento espiritual, em Aveiro, que viria a ser o futuro Mosteiro de Jesus.

 

A sua Quinta em Ouca produzia grandes quantidades de produtos alimentares como os cereais, vinho ou ovos, que serviam como ajuda ao sustento das religiosas.

 

Com a entrada no convento dos ovos, provenientes da quinta de Ouca ou dos pagamentos de foros (feitos em géneros, onde se destacam o trigo, as galinhas e os ovos), e do açúcar, rapidamente estes produtos terão passado da botica para a cozinha. Aqui, as freiras agora tornadas cozinheiras doceiras, terão experimentado com mestria tão doce ingrediente. Também a necessidade de encontrar uma forma de conservar por mais tempo os ovos, ou melhor as gemas, pois as claras tinham várias utilizações como a de engomar os tecidos, terá levado á sua junção com o açúcar, constituindo-se assim um doce de ovos.

 

Não se sabe quando se deu esta primeira junção destes dois ingredientes para formar um doce. No entanto, com a entrada do açúcar no convento no início do séc. XVI, onde já existiam os ovos (e a água tão abundante nas redondezas), poderá ter sido por esta época que terão ocorrido as primeiras experiências na cozinha. A antiga receita do doce de ovos da cozinha do convento terá dado origem ao actual característico doce de Aveiro, os Ovos moles, não se sabendo no entanto quando terá aparecido tal como hoje o conhecemos. A sua apresentação mais conhecida é dentro de moldes de obreia (hóstia), com motivos, normalmente, ligados ao mar como conchas, búzios ou peixes. Esta hóstia é feita da mesma matéria das hóstias utilizadas nas celebrações litúrgicas, e sabendo-se que estas eram produzidas no convento, facilmente podemos aceitar que a incorporação da massa de ovo dentro da hóstia tenha sido realizada por alguma freira, talvez numa tentativa de facilitar o seu manuseio. Mas também aqui não se sabe ao certo a sua origem.

 

Com a extinção das ordens religiosas em 1834, foi deliberado que um convento ou mosteiro pertencente a ordens religiosas femininas seria extinto por óbito da última religiosa, que no caso do Mosteiro de Jesus de Aveiro aconteceu a 2 de Março de 1874.

1280px-Mosteiro_de_Jesus_-_museu_de_Aveiro.jpg

Museu de Aveiro - Santa Joana (Antigo Mosteiro de Jesus)

Foto: David Machado - Wikipedia

 

Esta religiosa tinha uma empregada, a D. Odília Soares, que sabia a receita e fazia os ovos moles no mosteiro. É assim, pelas mãos desta senhora, que a receita deste doce transpõe os muros do convento, secularizando-se. D. Odília começa então a fazer os ovos moles, em casa, segundo a receita do mosteiro. Posteriormente a receita passa para outras mãos sendo difundida a sua produção.

 

Fonte:

http://www.confrariadosovosmolesdeaveiro.pt/

Fotos:

http://www.confrariadosovosmolesdeaveiro.pt/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_de_Jesus

 

10.06.21

Sopa da Pedra | Lenda, História e Receita

Miluem

Receita-de-sopa-da-pedra.jpg

 

A lenda da Sopa da Pedra

 

Um frade andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram aí dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse:

– Vou ver se faço um caldinho de pedra!

E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança.

Perguntou o frade:

– Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa boa.

Responderam-lhe:

– Sempre queremos ver isso!

Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu:

– Se me emprestasse aí um pucarinho.

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

– Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas.

Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, tornou ele:

– Com um bocadinho de unto, é que o caldo ficava um primor!

Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via. Dizia o frade, provando o caldo:

– Está um bocadinho insosso. Bem precisava de uma pedrinha de sal.

Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou:

– Agora é que, com uns olhinhos de couve o caldo ficava que até os anjos o comeriam!

A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras.

O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.

Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade:

– Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça.

Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele botou-o à panela e, enquanto se cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era uma regalo. Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou:

– Ó senhor frade, então a pedra?

Respondeu o frade :

– A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez.

 

 

Um pouco de história…

Sopa da pedra é uma sopa típica portuguesa, em particular da cidade de Almeirim, situada no coração da região do Ribatejo, considerada a capital da Sopa da pedra.

A designação Sopa de pedra encontra-se em muitas culturas ocidentais e tem como base lendas e mitos.

(...)

 

sopa-pedra.jpg

Receita

Ingredientes:

– 2,5 l de água

– Uma pedra tipo seixo

– 1 kg de feijão vermelho

– 1 orelha de porco

– 1 chouriço de carne

– 1 chouriço de sangue (morcela)

– 200 g de toucinho

– 2 cebolas

– 2 dentes de alho

– 700g de batatas

– 1 molho de coentros

– Sal, louro e pimenta a gosto

 

Preparação:

Ponha o feijão a demolhar de um dia para o outro. De véspera, escalde e raspe a orelha de porco de modo a ficar bem limpa.

No próprio dia, leve o feijão a cozer em água, juntamente com a orelha, os enchidos, o toucinho, as cebolas, os dentes de alho e o louro. Tempere de sal e pimenta. Junte mais água, se for necessário. Quando as carnes e os enchidos estiverem cozidos, tire-os do lume e corte-os em bocados.

Junte, então, à panela as batatas, cortadas em cubinhos e os coentros bem picados.

Deixe ferver lentamente até a batata estar cozida. Tire a panela do lume e introduza as carnes previamente cortadas.

No fundo da terrina onde vai servir a sopa coloque a pedra bem lavada.

Depois de servir a sopa toda, guarde a pedra para a próxima.

 

Nota:

Também pode utilizar o feijão enlatado, sempre pode fazer a sopa mais rapidamente, eu pessoalmente uso uma conhecida marca portuguesa de legumes em conserva.

Toque especial:

Guarde um pires com os coentros picados para que cada convidado coloque a quantidade de coentros a gosto na sua sopa.

 

Fonte: 

https://lusojornal.com/na-cozinha-do-vitor-sopa-da-pedra/

Fotos:

https://www.mulherportuguesa.com/

 https://maisribatejo.pt/

 

14.02.21

Cozido à portuguesa

na cozinha do Vítor

Miluem

cozido-à-portuguesa-ok.jpeg

Carnes, enchidos, couves e vegetais cozidos. Pode parecer simples, mas não é. O Cozido à Portuguesa é o resultado de séculos de aperfeiçoamento, com contributos das diferentes regiões do país e, até, ao nível das famílias. Por exemplo, há famílias que gostam de incluir o frango no cozido, outras que o dispensam; há quem goste de acrescentar feijão e há quem passe bem sem ele. Uma coisa é certa: este é um dos mais adorados pratos nacionais, um verdadeiro prato de família.

 

Um pouco de história…

A história do cozido está envolta em algumas dúvidas. Terá vindo de Espanha (Olla Podrida ou Cocido)? Será uma herança mais antiga? A verdade é que existem muitas variações do cozido por toda a Europa. Em França chama-se Pot-au-feu e em Itália chamam-lhe Bollito Misto. Em ambos estão presentes as carnes e os legumes cozidos.

 

 

Ingredientes

100g entrecosto de porco

150g chispe

75g entremeada

1 chouriço de sangue

60g orelha de porco

1 morcela

1 chouriço de carne

1 farinheira

125g novilho do cachaço

100g frango

50g sal grosso

60g de nabo

150g couve-lombarda

Hortelã

1 cenoura

60g batatas

150g couve-coração

100g couve-portuguesa

Arroz

 

Preparação

Tempere todas as carnes com sal no dia anterior ao da cozedura.

Descasque o nabo e as cenouras e corte-os em pedaços.

Lave muito bem todos os legumes, retirando-lhes os talos centrais e corte-os em pedaços.

Separe a couve portuguesa em folhas e corte as batatas em quartos ou metades.

Coloque as carnes, exceto o frango, numa panela grande com água suficiente para as cobrir e junte os raminhos de hortelã. Deixe cozer até verificar que estão cozidas.

Retire-as, à medida que ficarem prontas e reserve.

Na mesma água, coza o frango. Retire e reserve.

Retifique o nível da água e os temperos e aproveite o caldo da carne para cozer os enchidos separadamente. Retire-os e reserve.

Na mesma água, introduza as couves e a cenoura e deixe ferver durante cinco minutos.

Adicione, então, as batatas e o nabo. Não os deixar cozer demasiado, evitando assim que se desfaçam.

Prepare o arroz, utilizando a água das várias cozeduras. Para isso, coloque num tachinho duas medidas de água para uma de arroz e junte algum chouriço de sangue e farinheira desfeitos e sem pele. Retifique temperos e deixe cozer.

Corte as carnes em pequenos pedaços e disponha-as numa travessa de servir.

Faça o mesmo com os enchidos.

Noutra travessa, coloque os legumes e o arroz.

 

  • Nota: Este prato é realmente saboroso e um bom motivo para juntar família e amigos à mesa.

 

Toque especial: Se não tiver os ingredientes todos, não faz mal, o que conta é a refeição em família 🙂

 

Vinho: Um vinho alentejano resultante de uma mistura das castas Aragonês, Touriga Nacional e Alicante Bouschet, que no palato apresente uma boa estrutura, volumosa e equilibrada. Este vinho deve ser consumido a uma temperatura entre os 16ºC e os 18ºC. Ou então um vinho da sua região.

 

Dica: Guarde a água da cozedura das carnes é para fazer uma sopa, acrescentando-lhe apenas pão, ou massa ou feijão branco e um pouco de hortelã.

 

Reza a Lenda que…

 

No século XVII, Domingos Rodrigues, cozinheiro da Casa Real de Portugal e o primeiro a escrever um Tratado de culinária em português (“Arte de Cozinha”, de 1680), considerava o Cozido à Portuguesa um prato riquíssimo, onde não faltavam perdizes, coelho e pombos:

 

“Ponha-se em huma panella a cozer hum pedaço de vaca muito gorda; huma galinha, huma ave, huma perdiz ou pombos, hum coelho, huma lebre, huma orelheira ou pá, se for tempo de porco, chouriços, linguiça e lombos de porco, tudo misturado com nabos ou rábanos, três cabeças de alhos grandes, grão, duas ou três dúzias de castanhas, sal e cheiros”. No entanto, não lhe chamava Cozido à Portuguesa, mas sim o nome em espanhol escrito de forma aportuguesada: Olha Podrida.

 

  • As variações

 

Pode não levar frango, não levar presunto, não ter feijão ou não ter nabo. Pode ter milho, arroz, orelha de porco ou chispe, salsichas frescas de porco ou até batata-doce. Mas nunca lhe faltam os enchidos, seja em que região do país for. São eles que dão ao cozido o seu sabor único e aconchegante, apreciado o assim que o tempo começa a arrefecer.

 

No Minho, ao cozido junta-se uma galinha gorda, presunto, salpicão e focinho de porco. A couve é tronchuda e o arroz feito no forno.

 

Em Trás-os-Montes não falta a alheira, que faz companhia ao chouriço de sangue e à farinheira. Também há quem junte feijão-verde à couve-lombarda, couve-coração e couve-portuguesa.

 

No Alentejo, o cozido, que se chama cozido à alentejana, não leva galinha, mas pode levar borrego. O porco é rei, aproveitando-se quase todas as partes: joelho, orelha, entrecosto, rabo, toucinho… Não faltam os enchidos, da morcela à farinheira, passando pelo chouriço de carne, chouriço de sangue e ainda a linguiça. O grão também é tradicional usar-se.

 

No Algarve, há quem junte ao cozido batata-doce e um raminho de hortelã. Tal como no Alentejo, o grão também faz parte do prato.

 

Nos Açores, onde o famoso Cozido das Furnas – uma variação do Cozido à Portuguesa – é cozinhado debaixo da terra com o calor vulcânico das Furnas, junta-se inhame e toucinho fumado à carne de vaca e de galinha. Não faltam a batata, a cenoura, a batata-doce e as couves. Os enchidos eleitos são o chouriço e a morcela.

 

Na Madeira, o Cozido à Portuguesa tradicional serve-se com fatias de pão e hortelã e, numa variação mais típica da ilha, com cuscuz e tomilho, sem enchidos, apenas com carne de porco magra e salgada.

 

Apesar das variações, pode-se afirmar que a receita-base é esta: carne de vaca, porco e frango; chouriço de carne e de sangue; farinheira e morcela; couve-portuguesa e couve-lombarda; cenoura, batata e nabo.

 

https://lusojornal.com/na-cozinha-do-vitor-cozido-a-portuguesa/

 

 

10.02.21

A Tradição de Benzer e Cozer o Pão

Trás-os-Montes

Miluem

amassar-pao-712x406.jpg

Benzer o Pão

Trás-os-Montes - S. Cibrão, Vinhais

 

Quando a massa vai levedar:

São João levede o pão
São Vicente te acrescente
Santa Marinha levede a beijinha
Em honra de Deus e da Virgem Maria
Um Pai-Nosso com uma Avé Maria

Devem-se fazer cruzes na massa com a mão ao mesmo tempo que se diz

A beijinha é a "flor do pão"

 

 

Depois de levedar e tender o pão, ao mesmo tempo que se põe no forno diz-se:

Deus cresça o pão no forno
A paz e o dono
e Deus pelo mundo todo
Em louvor de São João, que faça pão
Em louvor de São Vicente, Deus te acrescente
Que a Senhora da Peneda e a Senhora da Carvalheda
Advogadas das forneiras
Peçam a Deus que este pão nos fique bom

Ao colocar-se o pão no forno deve-se fazer uma cruz na massa mas desta vez com a pá de o colocar lá dentro.

 

Fonte: Google

Foto: https://beira.pt/portal/noticias/hoje-dia-amassar-pao-videmonte/

 

07.02.21

Caderno de Receitas do Convento das Salésias

Arquivo Nacional da Torre do Tombo

Miluem

Screenshot_20210206-225156_1.png

download

 

 (...) Convento de Nossa Senhora da Visitação de Santa Maria, da Ordem de São Francisco de Sales, também conhecido por Convento das Salésias, localizado na Junqueira, em Lisboa. Recebeu as suas cinco primeiras religiosas, vindas de França, no ano de 1784. Tudo parece indicar que este caderno de receitas, culinárias e outras de diferente teor, entre elas as de remédios caseiros, se destinava exclusivamente à prática culinária das religiosas, certamente um importante elemento de sobrevivência económica, como era muitas vezes habitual nos conventos. Particularmente depois de 1834, ano em que foram extintas as ordens religiosas e as freiras se depararam com a necessidade de arranjar dinheiro para o seu sustento. Inclui as mais variadas receitas, algumas tipicamente portuguesas, caso do bacalhau albardado, outras com influências alheias, como a de arroz de leite, provavelmente de influência moura.  (...) 

Screenshot_20210206-225933_1.png

 

http://antt.dglab.gov.pt/caderno-de-receitas-do-convento-das-salesias/

 

31.12.20

Tarte de maçã

sem glúten

Miluem

tarte-de-maca.jpg

Tarte de maçã

 

2 c. sopa azeite

30 g amido de milho

4 c. sopa açúcar

1 c. sopa canela em pó

2 kg maçã reineta

50 g amêndoa laminada

 

 

Prequeça o forno a 160ºC.

Unte uma forma redonda com 22cm de diâmetro com o azeite e forre o fundo com um disco de papel vegetal.

Misture o amido de milho com o açúcar e a canela.

Descasque as maçãs, tire-lhes os caroços e corte-as em fatias finas. Disponha as fatias de maçã na forma em camadas, polvilhando cada uma com a mistura de açúcar. 

Leve ao forno cerca de 50 minutos ou até as maçãs estarem tenras.

Quando os 50 minutos estiverem a terminar, espalhe as amêndoas sobre um tabuleiro e leve-as ao forno para alourarem.

Retire a tarte do forno, deixe arrefecer e desenforme, retirando o papel vegetal. 

Salpique com as amêndoas tostadas.

 

https://www.pingodoce.pt/receitas/tarte-de-maca/