Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

14.11.21

Ponte de Lima @ Lendas de Portugal - Lenda das Unhas do Diabo

Miluem

municipio-minNew_1_1900_2500.jpg

Lenda das Unhas do Diabo

 

 

Segundo a lenda, havia em Ponte de Lima um escrivão levado do diabo…

 

Quem passasse pela sua língua, tinha a vida posta a nu.

Era difamado na honra e condenado em praça pública, mesmo que isento de culpa.

Por isso, este indivíduo era odiado por muitos na vila.

 

Quando chegou a hora do hipócrita prestar contas a Deus, este convenceu um ingénuo abade a dar-lhe a comunhão e os últimos sacramentos.

Pensava que assim recuperaria a consideração dos seus conterrâneos e ganhava o céu.

Mas, enganou-se redondamente: não houve um cidadão que lhe fizesse o caixão, quem o enterrasse, ou quem na vila rezasse por ele um Pai Nosso.

Por isso, os piedosos frades do Convento de Santo António arranjaram-lhe uma sepultura, sobrepondo-lhe uma pesada laje, pensando que assim ficaria bem enterrado e o assunto encerrado.

 

Depois da reza das “completas”, antes de dormir recolhidos nas suas celas, e logo após as 12 badaladas do sino, alguém bateu à porta principal.

 

Toda a gente sabia que, depois da meia noite, reinava o silêncio e a reclusão no convento, mas, por baterem àquela hora de forma tão insistente, os irmãos acorreram à porta, pensando tratar-se de uma emergência.

 

Era um homem de negra capa, que se apresentou como parente do escrivão, dizendo que desejava ajoelhar-se no seu túmulo para assim lhe rezar as últimas orações.

Os frades levaram-no até à sepultura da vil criatura.

Chegado a esta, proferindo um profundo rugido, dilacerou a pesada lápide com as mãos.

Erguendo-a no ar, rasgou-a em dois, como se fosse uma folha de papel e atirou-a para o fundo da igreja.

 

Os irmãos, aterrados, recuaram.

 

O homem da negra capa, com uma mão, pegou num dos cálices do altar e com a outra, no morto escrivão.

Levantou-o da tumba, inclinou aquela boca maléfica sobre o cálice, e obrigou-o a lançar boca fora a hóstia que o piedoso padre lhe dera mesmo antes da partida para a outra vida.

Extraída a hóstia, agarrou no cadáver como se de um farrapo se tratasse, e levou-o por uma janela, desparecendo na escuridão.

 

Segundo a lenda, foi Belzebu, que tinha vindo em pessoa do inferno resgatar aquela alma pecadora que lhe pertencia.

 

Os petrificados irmãos, pegaram então nas duas metades da lage sepulcral e abandonaram-na fora da igreja… a partir daí, todo o povo pôde ver rasgados na dura lage, os sulcos das Unhas do Diabo!…

 

Créditos:

Foto: https://senteahistoria.com

Foto: https://www.cm-pontedelima.pt