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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

04.02.21

Castelo Branco @ Lendas de Portugal - Esponjinhos

Miluem

Captura de ecrã 2021-02-01 133027.jpg

 

Quando eu ainda era cachopo novo, ia ajudar o meu pai na lavoura.

Lembro-me de ver muitos esponjinhos, mas um dia vi um tão grande que tive medo.

Era outono e havia muitas folhas no chão lá da tapada onde eu estava.

Começo a ver as folhas a andarem à roda, â roda, cada vez mais folhas se iam juntando e começou a alargar, a alargar...

Eu, naquela altura, benzi-me e fiz uma cruz com os braços.

De repente, aquele zzz,zzz,zzz era cada vez mais forte, e o esponjinho começa a subir, a subir até que desapareceu por completo lá muito no alto.

Quando se via um esponjinho, tínhamos que fazer o sinal da cruz, porque senão eramos levados para o meio dele e desapareciamos com o esponjinho.

Dizia-se que lá no meio andava o diabo, e quem o quisesse matar tinha que deitar lá para o centro do remoinho uma laje fininha molhada com cuspo.

Uma laje é uma pedra muito fina de forma achatada que se encontra nas ribeiras e nos rios.

Eu nunca experimentei deitar a laje, mas diziam que era verdade que a laje até ficava com marcas de sangue do diabo.

 

Source: SALVADO, Maria Adelaide Neto Remoínhos, Ventos e Tempos da Beira s/l, Band, 2000 , p.37-38

Year: 1994 - Place of collection: Salgueiro do Campo, CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO

Collector:  Cristina Maria Martinho (F) – Informant: Manuel dos Santos Azevedo (M), 75 y.o.,

Narrative – When:  20 Century, Belief: Unsure / Uncommitted

Centro de Estudos Ataíde Oliveira

Foto: Pintrest