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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

10.10.19

Casa de Camilo

Miluem

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A estrada levou-me até São Miguel de Seide, uma Aldeia pertencente ao Concelho de Vila Nova de Famalicão, onde existe uma Quinta muito conhecida, a Casa de Camilo.

 

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Trata-se da Casa e Museu do Poeta e Escritor Camilo Castelo Branco, não passei dentro do horário de funcionamento, logo só tenho fotos do seu exterior. (http://www.camilocastelobranco.org)

 

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A Aldeia estava toda enfeitada de amarelo (as cores de Camilo, como se diz por lá) porque estava na altura das Festas de São Miguel Arcanjo.

 

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Disseram-me que o local onde se vêem as portadas de madeira e os bancos de pedra, no jardim junto à parede, era um dos preferidos de Camilo Castelo Branco para escrever quando se encontrava na Quinta e o tempo o permitia, não sei dizer se é realidade ou lenda.

 

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Fica aqui uma sugestão de visita para quem mora por aquelas bandas ou para quem por lá passe.

949CDBFB78704C258D4B88FCAA4EDEB4.pngMapa Google

 

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Foto: https://arquivos.rtp.pt

 

Este Amor Infinito e Imaculado


Querida, o teu viver era um letargo,
Nenhuma aspiração te atormentava;
Afeita já do jugo ao duro cargo,
Teu peito nem sequer desafogava.
Fui eu que te apontei um mundo largo
De novas sensações; teu peito ansiava
Ouvindo-me contar entre caricias,
Do livre e ardente amor tantas delicias!

 

Não te mentia, não. Sentiste-o, filha,
Esse amor infinito e imaculado,
Estrela maga que incessante brilha
Da alma pura ao casto amor sagrado;
Afecto nobre que jamais partilha
O coracão de vícios ulcerado.
Não sentes, nem recordas, já sequer?
Quem deste amor te despenhou, mulher ?

 

Eu não! Se muitos crimes me desluzem,
Se pôde transviar-me o seu encanto,
Ao menos uma só não me recusem,
Uma virtude só: amar-te tanto!
Embora injúrias contra mim se cruzem,
Cuspindo insultos neste amor tão santo,
Diz tu quem fui, quem sou, e se é verdade
O opróbrio aviltador da sociedade.

 

Camilo Castelo Branco, in 'Poema dedicado a Ana Plácido (1857)'

 

Foto: http://www.porto.pt

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A maior dor humana


Que imensas agonias se formaram
Sob os olhos de Deus! Sinistra hora
Em que o homem surgiu! Que negra aurora,
Que amargas condições o escravizaram!

 

As mãos, que um filho amado amortalharam,
Erguidas buscam Deus. A Fé implora…
E o céu que respondeu? As mãos baixaram
Para abraçar a filha morta agora.

 

Depois, um pai que em trevas vai sonhando,
E apalpa as sombras deles onde os viu
Nascer, florir, morrer!... Desastre infando!

 

Ao teu abismo, pai, não vão confortos…
És coração que a dor empederniu,
Sepulcro vivo de dois filhos mortos.

 


Camilo Castelo Branco, Nas trevas. – Lisboa : Tavares Cardoso & Irmão, 1890.

(Na morte quase simultânea dos dois filhos únicos de Teófilo Braga)

Fonte: Município de Vila Real  - Grafia actualizada

 

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