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As coisas de que eu gosto! e as outras...

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06.08.20

Beja @ Lendas de Portugal - A Lenda da Costureirinha

Miluem

Janela Manuelina - https://cm-beja.pt/pt/menu/578/janela-manuelina.aspx

 

 

A Lenda da Costureirinha

 

Entre as crenças que algum dia existiram no Baixo Alentejo, a da costureirinha era uma das mais conhecidas.

 

Não é difícil, ainda hoje, encontrar pessoas de alguma idade, e não tanta como isso... que ouviram a costureirinha.

 

O que se ouvia, então? Segundo diversos testemunhos, ouvia-se distintamente o som de uma máquina de costura, das antigas, de pedal, assim como o cortar de uma linha e até mesmo, segundo alguns relatos, o som de uma tesoura a ser pousada.

 

Um trabalho de costura, portanto. O som trepidante da máquina podia provir de qualquer parte da casa: cozinha, quarto de dormir, a casa de fora, e até mesmo de alpendres.

 

De tal modo era familiar a sua presença nos lares alentejanos que não infundia medo. Era a costureirinha.

 

Mas quem era ela? Afirma a tradição que se tratava de uma costureira que, em vida, costumava trabalhar ao domingo, não respeitando, portanto, o dia sagrado.

 

É esta a versão mais conhecida no Alentejo.

 

Outra versão afirma que a costureirinha não cumprira uma promessa feita a S. Francisco.

 

Esta última versão aparece referenciada num exemplar do Diário de Notícias do ano 1914 em notícia oriunda de aldeias do Ribatejo.

 

Pelo não cumprimento dos seus deveres religiosos, a costureirinha for a condenada, após a morte, a errar pelo mundo dos vivos durante algum tempo, para se redimir.

 

No fundo, a costureirinha é uma alma penada que expia os seus pecados, de acordo com a crença que os pecados do mundo, o desrespeito pelas coisas sagradas e, nomeadamente, o não cumprimento de promessas feitas a Deus ou aos Santos podiam levar à errância, depois da morte.

 

Já não se houve, agora, a costureirinha?

 

Terminou já o seu fado, expiou o castigo e descansa em paz?

 

A urbanização moderna, a luz eléctrica, os serões da TV, afastaram-na do nosso convívio.

 

Desapareceu, naturalmente, com a transformação de uma sociedade rural arcaica, que tinha os seus medo, os seus mitos, as suas crenças e o seu modo de ser e de estar na vida.

 


http://www1.ci.uc.pt/iej/alunos/2001/lendas/Lendas%20de%20Beja.htm

 

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