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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

02.03.22

««Tradições »» Quarta-feira de Cinzas

Miluem

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A Quarta-feira de Cinzas representa o primeiro dia da Quaresma no calendário cristão, podendo também ser designada por Dia das Cinzas.

A data é um símbolo do dever da conversão e da mudança de vida, para recordar a passageira fragilidade da vida humana, sujeita à morte.

As cinzas, que provêm da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, representam a mortalidade e o arrependimento dos pecados.

Por isso, elas são colocadas pelo padre na testa dos católicos durante as missas realizadas neste dia por todo o país, onde se recorda:

“Com o suor do seu rosto

você comerá o seu pão,

até que volte à terra,

visto que dela foi tirado;

porque você é pó,

e ao pó voltará”.

(Gênesis 3, 19)

 

Créditos:

Fonte:https://www.santamariasaude.pt/quarta-feira-de-cinzas-2/

Foto: https://vozdocampo.pt/2020/12/25/uso-de-cinzas-na-horta-e-jardim/

02.03.22

««Tradições »» O Jogo do Quartão e o Enterro do Galo

Chamusca, Santarém

Miluem

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Conheça o Jogo do Quartão, na Chamusca

 

“Quer saber o que é o Jogo do Quartão? Então é melhor explicar-lhe agora. É que daqui a nada já está tudo a falar sozinho!” 

 

Foi assim o nosso primeiro contacto com esta tradição secular, que acontece todas as Quartas-feiras de cinzas na Chamusca. 

 

Um grupo de homens passeia pela vila e vai lançando o cântaro ou o quartão. Pelo caminho vão parando de tasca em tasca, onde lhes é oferecida comida e bebida. 

A “paródia” começa logo a seguir ao almoço e só termina depois da meia-noite, com o Enterro do Galo. 

“Eu tenho 65 anos e sempre me lembro disto. É uma tradição muito antiga.” Francisco Pedro Malaquias Lopes é um dos mais velhos do grupo. 

Na Quarta-feira de cinzas, quando chega à hora de almoço, vários homens da terra juntam-se para comer grelos com bacalhau.

Na altura, conta Francisco Lopes, “bebe-se logo uma pinga boa e depois partimos para a brincadeira”

Esta tradição acontece de forma espontânea. “Não há nenhuma organização para se fazer isto. A malta aparece. Para nós é um dos melhores dias da quadra carnavalesca.”

Segundo os participantes, o Jogo do Quartão existe há mais um século. 

No início, quem lançava o cântaro de barro e fazia o enterro do galo eram as mulheres.

Essa tradição foi desaparecendo e a partir de determinada altura o jogo passou para os rapazes. 

Roubavam os cântaros que serviam para ir buscar água à fonte e começavam a jogar. 

O cântaro era lançado de mão em mão e quem o partisse tinha que pagar uma rodada de vinho tinto aos outros participantes. 

Hoje em dia, paga-se a rodada ou uma multa. O dinheiro serve para comprar os cântaros para o ano seguinte. 

“Dantes, como haviam cântaros em todas as casas, as senhoras é que os davam para nós jogarmos. Outras, que não davam, nós entretínhamo-las à porta e outros iam roubar os cântaros para continuar a brincadeira”, conta Francisco Lopes. 

“Durante o percurso, vamos parando em casas das pessoas e nas tascas, que nos dão uns petiscos, uns chouriços, farinheiras e a malta vai petiscando e vai roubando um bocadinho de bacalhau. Pelo meio vamos bebendo. Chegamos a um ponto que isto é uma carga de trabalhos. Às vezes até mete assim uma zaragata”. 

Antigamente, os quartões eram carregados numa carroça, levada por um burro. 

Hoje seguem numa carrinha pelas ruas da Vila. “A malta vai partindo o cântaro, vai bebendo, vai partindo, vai bebendo, e quando se chega ao fim já só vai metade da caravana. Alguns não aguentam”

E ali vão todos, de rua em rua a lançar o quartão, interrompendo o trânsito e provocando o sorriso e as buzinadelas dos condutores. 

Assim se passa a tarde, até à hora do jantar. Pelo meio, os “jogadores” vão assinando e deixando dedicatórias em vários cântaros de barro, que são guardados nas tascas da Vila para recordação.

Depois do jantar começa o baile, que se prolonga pela noite dentro, “mesmo com a malta já pingada”

 

transferir (1).jfifTrata-se de um baile carnavalesco, onde se faz o Enterro do Galo. 

 

“Durante o ano, as piadas e calhandrices que vão havendo aí na Vila é tudo descoberto nesse baile de Carnaval. A partir da meia-noite, mais ou menos, há um padre fictício, há a viúva e depois dali é descoberto tudo o que têm para dizer uns dos outros. Todas as calhandrices, vem tudo à baila”. 

O baile decorre nas instalações da União Desportiva da Chamusca. 

Os participantes mascaram-se e quando o Padre e o Sacristão dizem qualquer coisa, choram todos ao mesmo tempo. 

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Pelo meio, cada participante verseja sobre uma calhandrice da terra. Conta Francisco Lopes que “há muita mulherzinha que vai ao baile de propósito para saber as coscuvilhices cá da Vila”. 

Há cerca de 20 anos atrás, esta tradição era mal vista por muita gente. Segundo Francisco Lopes, “dizia-se que quem vinha jogar ao Quartão era a malta dos copos, que era um jogo de bebedeira. Jogar ao Quartão era uma vergonha. Até havia problema com as namoradas. Mas não. É uma tradição muito antiga, que não vai morrer porque já anda aqui muita rapaziada nova". 

Hoje, o Jogo do Quartão continua vivo e a unir gerações. “Até pró ano e que o galo vos acompanhe”.

 

As Calhandrices do Enterro do Galo

O carnaval está doente

E já não há bailaricos

A música é só tum-tum-tum

Ficamos com a cabeça em fanicos

Foram murros e facadas 

Na semana da Ascensão

Coitado do nosso forcado

Caíram-lhe os dentes no chão

Cheques é que tá a dar 

Letras e Cartão Visa

Temos do melhor que há

Mas andamos sempre na lisa!

Há cafés por todo o lado 

O negócio deve dar

Mas é sempre o mesmo fado

Abrem para depois fechar

E agora vão para casa 

Não pensem que falamos de vocês

Porque isso fazemos todos os dias 

Semana a semana e mês a mês

Despeço-me com amizade 

Deferência e consideração

Pró ano haverá mais 

Enterro do galo no União

 

 

in "Info Lezíria do Tejo", Revista da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, de Abril/Maio/Junho 2005

 

Créditos:

Fonte: https://www.cimlt.eu/visite-o-ribatejo/costumes-e-tradicoes/o-jogo-do-quartao

Fotos:

https://www.cm-chamusca.pt/conhecer-chamusca/costumes-e-tradicoes/jogo-do-quartao

https://sw-ke.facebook.com/redechamusca/videos/chamusca-entrudo-cortejo-enterro-do-galo/391400738315689/

01.03.22

««Tradições »» As “Pulhas”

Vila Nova de Monsarros, Anadia, Aveiro

Miluem

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As “Pulhas”

 

Por altura do Carnaval, eram afixadas em locais públicos relações de casamentos fictícios da terra, que ao longo do ano se evidenciavam pela sua excentricidade ou por qualquer outro motivo, eram ridicularizadas, tornando-se “noivas”.

A cada casal assim constituído eram dedicados versos jocosos e humorísticos, num tom próprio da época.

Parodiando o que aparecia nessa relação, certo ano foi feita uma representação ao vivo.

Tratava-se do “casamento” do “Sete” com a “Maria Antónia”. Fernando Ferreira (“Trancas”) personificou o “Sete” e Maria do Carmo Neves a “Maria Antónia”.

Realizou-se o cortejo da praxe, com os “noivos” vestidos a rigor.

Para abrilhantar o cortejo, aqui e ali polvilhado de “contradanças”, veio o gaiteiro de Várzeas.

Um dos participantes desempenhou o papel de parede, que celebrou o “casamento”, na tarde de Domingo Gordo.

Na tarde do dia do Entrudo, realizou-se o “divórcio”.

A presidir, o “juiz”, na presença do “casal” e de testemunhas”.

 

Créditos:

Fonte: https://www.freguesiadevilanovademonsarros.pt/ver_conteudo13

Foto: http://fvnmonline.blogspot.com/2013/10/freguesia-vila-nova-de-monsarros-estrangeiro.html

01.03.22

««Tradições »» O roubo das carroças

Covão do Lobo, Vagos, Aveiro

Miluem

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roubo das carroças

 

Em tempos idos os jovens rapazes de Covão do Lobo juntavam-se na madrugada do Dia de Carnaval para apoquentarem os mais velhos com várias tiranias e sacanices onde se incluía a troca de animais domésticos e o “roubo” de carroças.

Pela noite dentro, os grupos dividiam-se, para darem início às típicas malandrices. 

As galinhas e os porcos, os burros e as mulas trocavam o seu habitual dormitório pelo do colega mais próximo e as então muitas carroças eram atabalhoadamente expostas no largo principal da aldeia. 

Actualmente, embora algumas raparigas e rapazes mais afoitos tentem manter viva esta tradição, o desaparecimento gradual das velhinhas carroças de tracção animal e a falta de compreensão de alguns populares perante as brincadeiras de Carnaval têm vindo a contribuir para a morte de mais este costume.

 

 

Créditos:

Fonte: https://www.uf-fontedeangeaocovaodolobo.pt/lendas-e-tradicoes.

Foto: http://ww3.aeje.pt/avcultur/hjco/GafCarmo/Page024.htm

28.02.22

««Tradições »» Serração da Velha @ Alcobaça e Vestiaria, Leiria

Quarta-feira de Cinzas

Miluem

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Serração da Velha

 

Esta é uma antiquíssima tradição que subsiste em muito poucas localidades Portuguesas (e em algumas também no Brasil) tem as suas origens muito provavelmente em cultos pagãos da Idade Média.

 

Consiste na encenação do julgamento e condenação à morte de uma velha. Podemos dizer que se trata de uma revista de tipo burlesco.

Esta tradição com uma forte componente de crítica social e tem a particularidade de ser interpretada apenas por homens.

 

Realiza-se tradicionalmente durante a Quaresma, mais precisamente na quarta-feira de Cinzas e, à semelhança de outras tradições do Norte de Portugal como o “Enterro do Bacalhau” e a “Queima do Judas” têm provavelmente origens comuns, assentando na mudança de estação do Inverno para a Primavera, simbolizando a luta do dia e da noite, da luz e das trevas ou a morte do Inverno.

 

Sabe-se que no passado o ritual consistia num desfile pelas ruas em que se transportava num carro de bois um cortiço (onde supostamente a velha seria serrada) e um grande boneco simbolizando a velha.

As gentes acompanhavam o cortejo e iam cantando:

"Serra a velha, Serra a Velha..."

e pelo caminho interpretavam-se alguns quadro humorísticos.

 

Desnecessário será dizer que enquanto decorria a brincadeira nenhuma velha aparecia na rua e nem sequer assomava à janela.

Sucedia que às vezes a velha era “gaiteira” e não se limitava a ouvir, saía à rua e respondia às diatribes dos rapazes.

Aí o espetáculo ganhava outra vida mas, não raras vezes, os rapazes abandonavam o local vencidos por não terem argumentos para o discurso jocoso e às vezes picante da velha.

 

Noutras ocasiões, os moços deparavam-se com uma daquelas velhas bravas de que nos fala Fernão Lopes:

que “barafusta, grita, atira pedras, insulta, despeja água e às vezes porcarias...”.

Quando isso acontecia, era a debandada total.

E iam então pregar a outra freguesia.

 

A "Serração da Velha" foi ao longo dos tempos sendo adulterada pelos povos e, hoje em dia, as poucas localidades que mantêm esta tradição, apresentam uma grande disparidade na forma e conteúdo deste ritual.

 

Há quem afirme, no entanto, que a Vestiaria tem sabido manter esta tradição muito próximo da forma como se realizava no passado, sendo por isso uma das mais genuínas do país, embora tenha deixado de ser interpretada na rua (porta a porta) como foi no passado.

A Vestiaria orgulha-se de possuir atualmente uma comissão responsável por manter esta tradição e de zelar para que os textos e cantares associados a esta tradição se mantenham inalterados.

 

Créditos:

Fonte: http://www.jf-alcobacaevestiaria.pt

Foto: https://www.calendarios.info/serracao-velha-tradicoes-quaresma/

26.02.22

O que é o Carnaval e a origem desta celebração

Miluem

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O que é o Carnaval e a origem desta celebração

 

Carnaval ou Entrudo são os três dias de festas que precedem a quarta-feira de cinzas. 

Carnaval é uma palavra que tem origem no latim "carna vale" e que significa dizer "adeus à carne". 

Nas suas origens, o Carnaval está relacionado com determinados rituais de fecundidade da terra, que eram organizados na passagem de ano e no início da primavera.

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Os bailes de máscaras foram criados na França, por volta do século XVII, mas rapidamente ficaram populares noutros países europeus.

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Durante o Renascimento, as festas carnavalescas atingiram uma grande popularidade, principalmente na Itália, em Roma e Veneza, onde continua a acontecer um dos mais importantes carnavais do mundo.

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De referir, ainda, que o Carnaval é celebrado 40 dias antes da Páscoa, desde o século XI e que este período é chamado pela Igreja Católica de Quaresma, que preserva quarenta dias de jejum, com abstinência de carne.

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O carnaval ocorre durante os três dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas.

A terça-feira de carnaval é chamada popularmente de “Terça-feira gorda” ou "Mardi Gras", como dizem os franceses.

A quarta-feira de cinzas é o primeiro dia Quaresma, no calendário católico e as cinzas que se recebem neste dia são um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de vida, recordando a transitória e frágil vida humana.

A quarta-feira de cinzas ocorre quarenta dias antes da Páscoa, sem contar os domingos, ou quarenta e seis dias, contando os domingos. 

O seu lugar no calendário varia, de ano para ano, dependendo da data da Páscoa. 

A data pode variar do começo de fevereiro até a segunda semana de março.

 

Créditos:

Fonte:

https://www.vozdaplanicie.pt/noticias/o-que-e-o-carnaval-e-a-origem-desta-celebracao

Fotos:

https://www.cm-montalegre.pt/pages/823?news_id=909

https://peregrinacultural.wordpress.com/2012/02/09/fevereiro-que-venham-os-bailes-de-mascaras-ii/amp/

http://italiaperamore.com/historia-e-curiosidades-carnaval-veneza/

https://diarioatual.com/cerca-de-1000-folioes-passaram-pelo-carnaval-de-pitoes-das-junias/

https://www.feelingportugal.com/carnaval-portugal-e-o-tradicional/amp/

26.02.22

««Tradições »» A Morte e os Diabos @ Vinhais, Bragança

Quarta-feira de Cinzas em Vinhais

Miluem

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A Quaresma assinala um período de respeito e penitência, trazidos à lembrança dos habitantes de Vinhais pelas tenebrosas figuras da Morte o do Diabo que, na Quarta-feira de Cinzas, percorrem as ruas da vila sequiosas de almas pecadoras.

Os diabos perseguem e capturam os humanos que, desafiando o poder sobrenatural daqueles, se atrevem a sair à rua, purificando-os com acutilantes cinturadas e apresentando-os perante a Morte que, empunhando uma gadanha de forma ameaçadora, os obriga, de joelhos, a recitar umas estranhas ladainhas semi-pagãs, impondo temor e lembrando que pode chegar a qualquer altura ceifando-lhes a vida a seu bel-prazer.

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"Padre-nosso, caldo grosso, carne gorda não tem osso, rilha-o tu que eu não posso.

Salve rainha, mata a galinha, põe-na a cozer, dá cá a borracha que quero beber.

Creio em Deus, padre todo-poderoso, o filho do rei criou um raposo."

 

Trata-se de uma tradição secular e única em Portugal, cujas origens permanecem desconhecidas havendo, no entanto, diferentes interpretações que a situam nas celebrações dos Lupercais romanos, nas procissões da Quarta-feira de Cinzas, na Idade Média, ou mesmo por influência dos franciscanos do Convento de São Francisco de Vinhais, durante os séc. XVIII e XIX.

Perfeitamente enraizada nas tradições vinhaenses, em cada ano revivida com toda a genuinidade de outrora e preservada com todo o carinho e respeito pela identidade cultural deste povo serrano, a Quarta-feira de Cinzas vem provar que Vinhais é mesmo "uma terra dos Diabos".

 

Créditos:

Fonte: https://www.cm-vinhais.pt/pages/139

Fotos:

https://museudamascara.cm-braganca.pt/pages/150

http://www.rotaterrafria.com/pages/330/?geo_article_id=8127