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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

05.06.20

Arcozelo @ Lendas de Portugal - Lenda do Rio do Espírito Santo

Miluem

Rib-Esp-Santo-D.jpg

Foto:

 http://registo-imagens.blogspot.com/2010/06/ribeira-do-espirito-santo.html?m=1

 

Lenda do Rio do Espírito Santo

 

    A freguesia de Arcozelo é atravessada por um riacho a que chamam Rio do Espírito Santo.

 

     Segundo a tradição as águas desse Rio têm o privilégio de curar o bichoco ou bostelha, um mal que se caracteriza por feridas persistentes, cuja cura não é fácil.

 

     E dizem as crenças populares que todo o doente desse mal que se banhe nessas águas ficará curado.

 

     A fama das águas daquele rio teve, no passado, o condão de atrair muita gente doutras paragens que lá ia em busca de tratamento para as suas mazelas de bostelha.

 

     A anotada prerrogativa diz-se ter advindo do facto de passar ali junto do riacho um bispo dotado de poderes extraordinários que abençoou as suas águas e lhes conferiu esse dom curativo.

 

 

Fonte Biblio:  VALLE, Carlos Revista de Etnografia 26, Tradições Populares de Vila Nova de Gaia - Narrações Lendárias Porto, Junta Distrital do Porto, 1969 , p.422

Place of Collection: Arcozelo, VILA NOVA DE GAIA, PORTO

Narrativa – When: XX Century, 60s – Crença: Unsure / Uncommitted

CeAO Centro de estudos Ataíde Oliveira

 

04.06.20

Sintra @ Lendas de Portugal - O Penedo dos Ovos

Miluem

1 penha longa.jpg

 

O Penedo dos Ovos

 


Versão de Alfredo Beato
(História de Sintra)

 


Eleva-se perto do antigo mosteiro (Penha Longa), um alto monte que
serve de pedestal a uma cruz de pedra.


É conhecido pelo “Penedo dos Ovos”,
que tem também a sua lenda:


Dizia-se, que debaixo dele um tesouro encantado se ocultava, o qual
pertenceria a quem pudesse derrubá-lo à força dos ovos.


Uma velha daqueles
sítios, não perdia de olho o tesouro, e caladamente foi juntando os ovos que
pode conseguir, e quando lhe pareceu oportuno, deu começo ao trabalho.


Escusado é dizer que espatifou a provisão, e o penedo ficou uma
lástima.


Ainda hoje há quem suponha que os musgos que o revestem são
amarelados pelas gemas de ovos que a velha arremessou.

 

LENDAS de SINTRA
(compilação de Manuel J. Gandra)

 

Foto: http://antikuices.blogspot.com/2012/10/historia-sintra-o-penedo-dos-ovos-ou.html?m=1

 

 

03.06.20

««Tradições »» Calão Mirense - Mira de Aire e Minde

Miluem

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Polje Mira-Minde

Foto: https://www.mediotejo.net

 

 

Mira de Aire pertence ao concelho de Porto de Mós, Minde ao de Alcanena.

 

Tanto Mira de Aire como Minde há uns anos eram terras que viviam sobretudo das empresas de fiação e lanifícios, isto do que me recordo em pequena e jovem das visitas de estudo da escola.

 

Entre si partilham um "Polje" uma maravilha da natureza que eu não conhecia, mas que a Junta de Freguesia de Minde explica muito bem 

 

https://jf-minde.pt/sobre-a-nossa-terra/mar-de-minde/

 

e uma linguagem com termos muito próprios, que era usada sobretudo em mercados e conversas entre conhecidos, que se começou a perder, mas que está a ser recuperada.

 

A Câmara Municipal de Porto de Mós, no seu site, tem uma lista com termos que aqui reproduzo.

 

Calão Mirense

 

Alforges - beringeis

Almoço - zé pequeno

Ano - planeta

Arroz - venezo

Azeite - vale da serra

Azeitonas - granadeiras

Açucar - brasileiro

Bacalhau - navega

 Batata - pera serrada

Bigode - roda pé

Boca - tosadeira

Boi - turino

Bom - cópio

Broa - risota

Burro - tróia

Cabeça - caturra

Cajado - samoucal

Calças - cardosas

Cama - giraldo

Camisa - berliquia

Cardador - tanoador; charal

Carne - pelota

Carne de porco - pelota de bicho sarrudo

Carta - a de rio alcaide

Carteira - a do joão do rato

Casa - classe

Casar - emanar

Chave - a do serralheiro

Chifres - azeiteiros

Cinta - a da conceição inácia

Coelho - cartifo

Colete - o facada

Comida - trilha

Conversa - piação

Cão - modeio

Defecar - enfigueirar

Dinheiro - neto

Dormir - passar pelo regueira

Embebedar-se - emotear-se

Enxada - a do pai adão

Ervilhas - guisates

Escudo - montante

Esposa - emanada

Estrada - a del´rei

Faca - a de guimarães

Favas - lajas

Feijões - batalheiros

Figos - lutos

Fome - ambria

Galinha - souto-sico

Garfo - carretadeiro

Gato - cartifo

Grande - ancho

Homens - charais

Horas - as do bandarra

Igreja - a do joão pedro

Individuo - covano

Lenha - a do monteiro

Lume - o de alhandra

Lã - a de arraióis

Manta - meniza

Manusear - adogaivar

Mau - didi

Mira de aire - cidade de santo estevão

Morcelas - as do albino jorge

Morrer - espadilhar

Mãe - antiga

Mão - adogaiva

Nariz - chaveca

Negociante - charal

Olho - mirante

Orelhas - guarda lamas

Padre - raso; francisco vaz

Pai - antigo

Pedra - santo estevão

Peixe - navega

Peras - reconqueiras

Perceber - penetrar

Porco - bicho sarrudo

Prato - o de malpique

Pulgas - cacildas

Pão - cinquete

Queijo - portel

Rabo - torquelho

Rapariga - tirrazinha

Rapaz - tirrazinho

Relógio - bandarra

Retrete - guedes

Sapato - balões

Sono - o da regueira

Tear - tronco

Terra - terruja

Tostões - marroazes

Tremoços - alcains

Trigo - folha da costa

Urina - regatinha

Urinar - regatinhar

Uvas - labranças

Vinho - gandil; mota

Vinte escudos - uma de são mamede

Água - regata

•°

02.06.20

Cuco @ Lenga-Lengas da cultura portuguesa

Miluem

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Era uma vez um Cuco
Que não gostava de couves.
Mandou-se chamar o pau
Para vir bater no cuco
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar o fogo
Para vir queimar o pau
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar a água
Para vir apagar o fogo
A água não quis apagar o fogo
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar o boi
Para vir beber a água
O boi não quis beber a água
A água não quis apagar o fogo
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar o homem
Para vir ralhar com o boi
O homem não quis ralhar com o boi
O boi não quis beber a água
A água não quis apagar o fogo
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar o polícia
Para vir prender o homem
O polícia não quis prender o homem
O homem não quis ralhar com o boi
O boi não quis beber a água
A água não quis apagar o fogo
O fogo não quis queimar o pau
O pau não quis bater no cuco
O cuco não quis comer as couves
Ele ia sempre a dizer:

“Couves não hei-de eu comer!”

 

Mandou-se chamar a morte
Para vir matar o polícia
A morte quis matar o polícia
O polícia já quis prender o homem
O homem já quis ralhar com o boi
O boi já quis beber a água
A água já quis apagar o fogo
O fogo já quis queimar o pau
O pau já quis bater no cuco
O cuco já quis comer as couves

 

Era uma vez um cuco
Que já gostava de couves!