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As coisas que eu gosto! E as outras...

Este é o meu espaço, nele partilho as minhas fotos amadoras, as coisas que aprendi e vou aprendendo.

As coisas que eu gosto! E as outras...

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01
Dez19

Mêda @ Lendas de Portugal - Lenda de Mêda

Miluem

Foto: https://www.jornaldofundao.pt

 

A Mêda a séculos atrás chamava-se vale da aldeia a cerca de 2km de distância da actual Cidade de Mêda.

 

Esta mudança surgiu quando um tufão de formigas gigantes rebentou no Vale da Aldeia.

 

Então foi quando a primeira família se mudou par ajunto do morro onde se construía a primeira casa com o nome de Quinta do Medo.

 

Então o resto das outras famílias começaram também abandonar as suas casas no vale da aldeia.

 

Refugiando-se nas cavernas do morro onde também guardavam os cereais.

 

No morro construíram uma capela de Santa Barbara.

 

Que acerca de 85 anos foi destruída por estar muito degradada dando lugar a existente Torre do Relógio.

 

Foi então que se começaram a construir as casas em volta do morro mudando assim o nome de Quinta do Medo para Mêda.

Mêda recebeu foral de Vila em 1 de Junho de 1519.

 

Lenda desenvolvida pela tradição oral.

 

Fonte: http://medalendasetradicoes.blogspot.com

 

30
Nov19

A Padeira de Aljubarrota @ Lendas de Portugal

Miluem

800px-Aljubarrota.padeira.azulejo.jpg

Foto: Pintrest

A Padeira de Aljubarrota

 

 

Brites de Almeida não foi uma mulher vulgar.

 

Era feia, grande, com os cabelos crespos e muito, muito forte.

 

Não se enquadrava nos típicos padrões femininos e tinha um comportamento masculino, o que se reflectiu nas profissões que teve ao longo da vida.

 

Nasceu em Faro, de família pobre e humilde e em criança preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de donde estes tiravam o sustento diário.

 

Aos vinte anos ficou órfã, vendeu os poucos bens que herdou e meteu-se ao caminho, andando de lugar em lugar e convivendo com todo o tipo de gente.

 

Aprendeu a manejar a espada e o pau com tal mestria que depressa alcançou fama de valente.

 

Apesar da sua temível reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e lhe propôs casamento.

 

Ela, que não estava interessada em perder a sua independência, impôs-lhe a condição de lutarem antes do casamento.

 

Como resultado, o soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo da justiça.

 

Mas o destino quis que o barco fosse capturado por piratas mouros e Brites foi vendida como escrava.

 

Com a ajuda de dois outros escravos portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, veio dar à praia da Ericeira.

 

Procurada ainda pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve.

 

Um dia, cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e casou-se com um honesto lavrador..., provavelmente tão forte quanto ela.

 

O dia 14 de Agosto de 1385 amanheceu com os primeiros clamores da batalha de Aljubarrota e Brites não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza.

 

Pegou na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano.

 

Chegando a casa cansada mas satisfeita, despertou-a um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos.

 

Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os logo ali.

 

Tomada de zelo nacionalista, liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que ainda se escondiam pelas redondezas.

 

Conta a história que Brites acabou os seus dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal.

 

A pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto.

 

Fonte: http://leirianacional.blogspot.com

 

29
Nov19

Pinheiro de Guimarães @ Natal • Lendas • Contos & Tradições

Miluem

 

Pinheiro de Guimarães

 

Pinheiro – 29 de Novembro

 

 

 

Embora seja hoje o primeiro número oficial na celebração profana das Festas Nicolinas, e também de longe o mais participado, o “Pinheiro”, tal como hoje o conhecemos, não é um dos primitivos Números Nicolinos.

 

O seu aparecimento como número nicolino deve-se à evolução do aproveitamento de uma tradição popular tipicamente minhota, que consistia em levantar no largo onde se realizam as festas, um grande mastro, normalmente um pinheiro, anunciador do início dos festejos, aí permanecendo ao longo da duração das festas.

 

De tal modo que inicialmente, o grande anunciador das Festas Nicolinas não era o “Pinheiro”, mas antes o “Pregão”, uma vez que se realiza no dia antecedente ao dia de S.Nicolau (6/Dezembro), servindo precisamente para anunciar a realização de mais umas festas.

 

De qualquer forma, o “Pinheiro” representa hoje o mais participado número nicolino, sendo igualmente o mais difundido por todo o país.


As raízes deste cortejo, remontam aos inícios do século XIX e o seu modelo mantém-se na essência, inalterado: o “Pinheiro” segue enfeitado com lanternas e um festão com as cores escolásticas (verde e branco), pousado em carros puxados por juntas de bois, levando à sua frente uma representação da figura da deusa Minerva, deusa da sabedoria (que na realidade é desempenhada por um homem travestido com um traje de soldado romano).

 

 

O cortejo é liderado pela figura máxima deste dia, um membro da Comissão de Festas, o Chefe de Bombos. É ele quem conduz e lidera todo o cortejo do “Pinheiro”, e atrás de si e da sua “boneca” – que usa para marcar o ritmo dos bombos – seguem os estudantes, novos e velhos, rufando nas caixas o toque do Pinheiro e batendo forte nos bombos ao ritmo marcado pelo Chefe de Bombos.

 

O “Pinheiro” encerra igualmente uma simbologia que se prende com o facto de ser tradicionalmente conduzido apenas pelos homens da cidade.

 

O “Pinheiro” é, neste sentido, a representação simbólica e figurativa da órgão sexual masculino (daí o facto de se escolher, por tradição, “o mais alto pinheiro da região”), que é ostentado orgulhosamente pelos homens da cidade, numa manifestação de masculinidade durante o cortejo que se mantém inalterada nos comportamentos dos participantes até aos nossos dias.

 

E esta ostentação masculina é desempenhada perante as meninas da cidade que, tradicionalmente, assistem ao desfile sem poder participar.

 

Razão pela qual, aliás, em sua homenagem, lhes é dedicado o número das “Maçãzinhas” no dia mais importante (dia 6 de Dezembro, dia de S.Nicolau), estando as meninas nas janelas, representação simbólica do local onde estiveram ao longo de todo os números.

 

A título de mera curiosidade é de referir que, por uma única vez, houve um ano em que o “Pinheiro” não se festejou a 29, mas antes a 30 de Novembro; foi em 1951, devendo-se essa alteração ao facto de, nesse ano, o regime republicano ter decretado luto nacional pelo falecimento da Rainha D.Amélia de Orleans e Bragança, viúva de D.Carlos I.

 

 

Este facto, até por ter sido isolado, não só manifesta a associação inequívoca dos estudantes vimaranenses e da festa nicolina ao decretado luto nacional, como serviu como uma forma de prestar respeito, à herança e à História da Nação Portuguesa.

 

No dia do “Pinheiro”, o cortejo é antecipado pelas tradicionais “Ceias Nicolinas”.


Na origem directa da tradição das Ceias Nicolinas está a Ceia que os Irmãos de São Nicolau (membros da Irmandade de S.Nicolau) tinham por hábito realizar, todos os anos, na passagem do dia da festa religiosa do santo, com o objectivo de conviver, apreciar o desempenho da Irmandade naquele ano e programar actividades futuras.

 

Tendo como base esta Ceia e tendo em conta que o “Pinheiro” é o único número que se realiza à noite (razão principal do seu sucesso em termos de adesão da população), as “Ceias Nicolinas” foram sendo criadas, como um jantar de convívio entre grupos de antigos estudantes, que se encontram apenas uma vez por ano, neste dia, para juntos desfilarem pelas ruas da cidade relembrando os velhos tempos.

 

Constituíram-se algumas Ceias famosas como a do “jantar do penico” na tasca do Carneiro, a da Pescoça, a do Zé da Costa e a do Terrinha.

 

Hoje em dia, reúnem ainda muitas tertúlias nicolinas neste dia.

 

A “Ceia Nicolina” é tradicionalmente composta por caldo verde com tora, papas de sarrabulho, rojões de porco com batatas, tripas com grelos e castanhas assadas, sempre bem regadas com (muito) vinho verde da região (branco ou tinto).

 

O cortejo arranca sempre à meia-noite (0.00h), num desfile de milhares de pessoas, saindo como antigamente do Terreiro do Cano ao lado do Campo de S.Mamede (parte alta da cidade), passando depois pelo Castelo de Guimarães, Palheiros, Rua de Santo António, Toural, Alameda S.Dâmaso e Campo da Feira, vindo depois a terminar no Largo de S.Gualter, ao lado da Igreja de Santos Passos, num local agora definitivo, onde tem uma placa evocativa.

 

Após o final do cortejo, numa tradição ainda recente mas que faz já parte integrante da “Noite do Pinheiro”, os estudantes deslocam-se até à Alameda Abel Salazar, em frente ao antigo e simbólico Liceu Nacional de Guimarães, para aí ficarem a rufar o toque do Pinheiro, até ao raiar do dia.

 

Esta tradição iniciou-se porque há alguns anos, não havia dispensa de aulas na manhã a seguir ao “Pinheiro”, razão pela qual, os estudantes ali ficavam a tocar até ao início das aulas do dia seguinte, para impedir a sua realização.


Como se diz num escrito de 1883, manda a tradição que o Pinheiro “tem de levantar-se com a costumada bandeira para anunciar os Festejos de São Nicolau”.

 


https://nicolinas.pt/pinheiro/

Fotos: www.guimaraesturismo.com

 

28
Nov19

Rio Águeda (Douro) @ Rios de Portugal

Miluem
Rio Águeda (Douro)

 

 Por Mr. Tickle - Obra do próprio, CC BY-SA 3.0

 https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=891311

Foto Wikipédia = Puente antiguo sobre el río Águeda. Ciudad Rodrigo (provincia de Salamanca, España)
 


O Rio Águeda (Douro) nasce em Espanha na Serra da Gata (Sierra Gata ), o seu curso vai depois em direção à localidade histórica de Cidade Rodrigo (Ciudad Rodrigo).

O Rio Águeda faz a fronteira natural, entre Portugal e Espanha, na zona entre Almofala até Barca d'Alva onde desagua no Rio Douro.
 
 
 
 
Ciudade Rodrigo

Ciudade Rodrigo pertence à Província de Salamanca, Comunidade Autónoma de Castela e Leão.

Site da Câmara Municipal de Cidade Rodrigo:
https://ciudadrodrigo.es/turismo/

 

 

 
 
Almofala
 

Arribas do rio Águeda - Capela de Santo André em Almofala
 
 

Torre de Almofala Monumento Classificado
 
Foto: https://cm-fcr.pt



Antiga sede de Freguesia, entretanto integrada na União das Freguesias de Almofala e Escarigo, pertence ao Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.

Vale do Rio Águeda em Almofala, Figueira de Castelo Rodrigo

 
 
 

Barca d'Alva

Barca d'Alva
Foto: https://cm-fcr.pt
 

 



Pertence ao Concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.

 

 

Aldeia Histórica de Castelo Rodrigo
Foto: https://cm-fcr.pt
27
Nov19

Caldas da Rainha @ Lendas de Portugal - A Praça da Fruta

Miluem

Foto: https://papelariapapiro.blogs.sapo.pt/27473.html

 
 
Caldas da Rainha  -  A Praça da Fruta
 
 
 
 
 
Conta a lenda que a Praça do Rossio foi oferecida pela própria Rainha Dona Leonor aos Produtores Agrícolas da Região para aí venderem os seus produtos.
 
 
Apesar de não existirem registos históricos de tal oferenda, a verdade é que o Mercado de Rua Caldense, comumente denominado Praça da Fruta, funciona até aos dias de hoje no local primitivo onde iniciou a sua atividade durante o século XV.
 
 
Todos os dias da semana as bancas coloridas são montadas, dando lugar ao único Mercado Diário ao Ar Livre em Portugal.
 
 
Apesar de os hábitos dos produtores e vendedores se terem mantido durante seis séculos, muitas são as histórias que há para contar sobre o local que inicialmente se denominava de Rossio da Vila.
 
 
É sabido que o pólo atrativo inicial da Cidade de Caldas da Rainha foi o Hospital Termal de Nossa Senhora do Pópulo, mandado edificar pela Rainha Dona Leonor no ano de 1485.
 
 
Para este lugar, doentes e banhistas de todo o País e Europa se veem dirigindo durante séculos para usufruir dos poderes medicinais das águas termais.
 
 
Contudo, desde cedo o comércio desenvolvido no Rossio da Vila atraía a si produtores das zonas circundantes para venderem os seus produtos: ”Tornando-se o centro de uma região agrária em crescimento, com bons campos para produções diversas, desde vinho, azeite e cereais até à preparação de lanifícios e ao arroteamento de terras para o cultivo dos mais variados produtos. Era também encontro de oleiros que ali se dirigiam para vender as suas peças de utilização doméstica “ (in Terras de Água, pág. 70)
 
 

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Foto: http://www.oesteativo.com

 
A dinâmica
 
 
O dinamismo desta zona leva a que no ano de 1750 aí seja construído o primeiro edifício destinado ao “Passo do Concelho, Câmara, Cadeia e Assougues” fora do Hospital Termal, onde a Câmara Municipal vinha desenvolvido funções até então.
 
 
Este novo espaço destinado às funções municipais foi mandado edificar pela Esposa de D. João Quinto, Rainha Dona Maria Ana.
 
 
O novo edifício da Câmara Municipal marca efetivamente a separação física da municipalidade em relação ao Hospital Termal e reforça a importância regional do Mercado de Caldas da Rainha.
 
 
Por esta altura já o Mercado Caldense, vulgo Praça da Fruta, se destacava por ser um pólo regional atrativo de produtores e compradores, sendo grande a abundância de géneros aí comercializados.
 
 
A denominação de Rossio da Vila foi mantida até ao ano de 1887 quando lhe foi atribuído o nome de Praça Maria Pia.
 
 
Por esta altura, no ano de 1880 a Câmara Municipal inicia um vasto programa de obras municipais destinadas a ampliar a rede de esgotos e embelezar o Rossio.
 
 
Assim, é construído o tabuleiro central com ondulados de basalto negro sobre fundo branco, identidade arquitetónica caldense, inaugurada no ano de 1883 e símbolo de um embelezamento progressivo da cidade, que lentamente prosperava com a vinda dos banhistas.
 
 
Segundo historiadores caldenses, para além de dar lugar a um grande foco de comércio local, a Praça Maria Pia congrega nos seus edifícios as tendências da arquitetura urbana de Caldas da Rainha, desde as suas primeiras manifestações românticas.
 

 

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A cerâmica
 
 
A utilização da cerâmica local está também presente na Praça, na decoração das fachadas das lojas com revestimentos cerâmicos, que denunciam a influência da Arte Nova e constituem o cenário romântico onde diariamente é montado o Mercado.
 
 
Com a Implantação da República a Praça Maria Pia passa a ser denominada Praça da República mantendo a mesma atividade e afluência de gentes, tendo sido recentemente recuperada pela Câmara Municipal com obras de embelezamento finalizadas a 10 de novembro de 2014.
 
 
O dinamismo da Praça da Fruta perdura até aos nossos dias simbolizando as múltiplas funções que os Mercados proporcionam às economias urbanas, constituindo-se como ponto de encontro da economia camponesa com o ciclo dos preços e o estímulo monetário, sendo um local para a circulação de mercadorias bem como de informações.
 
 
Como nos dizem os Autores de Terra de Águas – Caldas da Rainha História e Cultura: “No mercado se trocam “novidades”, se combinam negócios, se discutem alianças, se aprazam casamentos.” (pág.382)
 
 
Diariamente, nas Caldas da Rainha, desde do século XV perante um cenário de edifícios Românticos e o colorido das Frutas e Vegetais da época.
 
 
 
 

 

26
Nov19

Beja @ Lendas de Portugal - Uma Luz Misteriosa

Miluem

Foto: http://estrelaseouricos.sapo.pt/passear/patrimonio/beja-360--o-novo-mapa-interativo-21554.html

 

Uma Luz Misteriosa

 

As histórias de lobisomens e de bruxas são vulgares no meio rural tradicional.

 

Maus encontros com animais a horas tardias, doenças provocadas por mau querer (feitiçarias), filtros de amor (beberagens para atrair ou afastar paixões), visões, vozes, são elementos do vasto manancial do imaginário popular sobre forças maléficas.

 

Há, contudo, outro tipo de histórias que são comuns a várias aldeias e vilas do Alentejo.

 

É o caso da estranha luz que, de noite, acompanhava os viajantes (normalmente pastores, almocreves e, mais recentemente, tractoristas que de noite procedem às grandes charruadas).

 

Era uma luz que seguia o caminhante sem, contudo, o incomodar.

 

A luz acompanhava o viajante, seguindo a seu lado, parando quando este parava, e acompanhando a velocidade da deslocação.

 

Nenhuma das pessoas que afirmam ter estado em contacto com o fenómeno, esboçou qualquer reacção.

 

Para essa passividade contribuiu seguramente o facto de ser conhecida a reacção da luz quando atacada.

 

O fim da história aqui apresentada é relativamente benéfico.

 

Noutras descrições, que a tradição popular registra, a luz, quando hostilizada, conduz à morte do atacante.

 

História veridica: Algures na região de Beringel (Beja), havia um sujeito que não acreditava em coisas estranhas, daquelas que se contam nas aldeias.

 

Naquele tempo, corria o boato de que havia no campo uma espécie de luz vermelha que andava de um lado para o outro, mas que não se deixava ver de perto. Os mais velhos afirmavam que já a tinham visto, e esse homem que não acreditava disse, na brincadeira:

 

- “Se eu a encontrar, desfaço-a toda aos bocados com o meu cajado”

 

O que vos conto a seguir é a narração do próprio.

 

“Numa noite, eu ia guinado a minha charrete e lá estava à minha frente a luz vermelha parada em cima do muro. Saí, peguei no cajado e disse com ar forte e corajoso:

 

- Já que aí estás, então espera, que já vais ver o que é para a saúde!

 

E assim dirigi-me até junto dela e tentei dar-lhe com o cajado, mas não consegui porque ela se desviou.

 

Continuei à cajadada com ela, mas falhava sempre e ia ficando mais furioso.

 

Voltei para a charrete quando ela se voltou contra mim.

 

Não sei o que aconteceu (parecia que estava levando uma grande tareia) e desmaiei.

 

Os cavalos voltaram para casa e eu fui na charrete como morto.

 

Na manhã seguinte, a minha mulher, já preocupada, foi ver se eu estava dormindo na charrete.

 

Ela diz que eu estava com a roupa toda rasgada, todo cheio de sangue, que parecia morto.

 

Mas estava apenas desmaiado.

 

Depois a minha mulher tratou de mim e nunca mais quis ouvir falar dessa luz.”

 

http://www1.ci.uc.pt/iej/alunos/2001/lendas/Lendas%20de%20Beja.htm

 

25
Nov19

Alfândega da Fé @ Lendas de Portugal - A lenda dos Cavaleiros das Esporas Douradas

Miluem

 

 

A lenda dos Cavaleiros das Esporas Douradas

 

A lenda dos Cavaleiros das Esporas Douradas tem origem no tempo da reconquista Cristã da Península. Altura em que as lutas entre mouros e cristãos eram frequentes, época em que a história se confunde com as histórias transmitidas de geração em geração. Verdade ou não explica o próprio toponímico do concelho e a formação da localidade.


Conta a lenda que durante a ocupação Muçulmana existia nestas terras um mouro que espalhava o terror na região. Abdel-Alí tinha o seu Castelo no Monte carrascal, próximo da atual localidade de Chacim e dominava toda a região. Senhor destas paragens, exigia como feudo a entrega de um determinado número de Donzelas. Abdel-Alí obrigava a população a dar-lhe conta de todos os casamentos que se realizavam na região, exigia saber o nome de cada donzela que ia contrair matrimónio e se quisesse podia possuí-la. Este imposto ficou conhecido como o “Tributo das Donzelas”


Mas o casamento de dois jovens haveria de mudar o destino da população e do mouro malvado. O anúncio da união entre Teolinda, filha de D. Rodrigo Ventura de Melo, Senhor de Castro e Casimiro, filho de D.Pedro Rodrigues de Malafaia, líder dos Cavaleiros das Esporas Douradas, faz inverter o rumo dos acontecimentos.


A cobrança do tributo por parte do Mouro revolta a população. É então que os “Cavaleiros das Esporas Douradas” organizam uma investida contra o infiel. Conta o povo que tal batalha não foi fácil, os Cristãos chegaram mesmo a estar em desvantagem. Foi então que apareceu Nossa Senhora que com um bálsamo que trazia na mão foi reanimando os mortos e curando os feridos. A luta aumentou, então, de intensidade e os invasores acabaram por ser expulsos destas terras, pondo-se assim fim ao “Tributo das Donzelas”.


No local construiu-se uma capela em homenagem a Nossa Senhora, hoje Santuário de Balsamão, o lugar de tão grande Chacina deu origem a Chacim e Alfândega, graças à bravura e valentia dos seus Cavaleiros das Esporas Douradas, e em nome da Fé cristã passou a designar-se Alfândega da Fé.

 

Fonte: https://www.cm-alfandegadafe.pt/pages/1029

 

24
Nov19

Sintra @ Lendas de Portugal - A Lenda dos Sete Ais

Miluem

Foto: www.cm-sintra.pt

 

 

A Lenda dos Sete Ais

 

Esta é uma lenda estranha que está na origem do nome de um local do concelho de Sintra e que remonta a 1147, data em que D. Afonso Henriques conquistou Lisboa aos Mouros.

 

Destacado para ocupar o castelo de Sintra, D. Mendo de Paiva surpreendeu a princesa moura Anasir, que fugia com a sua aia Zuleima. A jovem assustada gritou um "Ai!" e quando D. Mendo mostrou intenção de não a deixar sair, outro "Ai!" lhe saiu da garganta. Zuleima, sem lhe explicar a razão, pediu-lhe para nunca mais soltar nenhum grito do género, mas ao ver aproximar-se o exército cristão a jovem soltou o terceiro "Ai!".

 

D. Mendo decidiu esconder a princesa e a sua aia numa casa que tinha na região e querendo levar a jovem no seu cavalo, ameaçou-a de a separar da sua aia se ela não acedesse e Anasir deixou escapar o quarto "Ai!".

 

Pouco depois de se instalar na casa, a princesa moura apaixonou-se por D. Mendo de Paiva, retribuindo o amor do cavaleiro cristão que em segredo a mantinha longe de todos.

 

Um dia, a casa começou a ser rondada por mouros e Zuleima receava que fosse o antigo noivo de Anasir, Aben-Abed, que apesar de na fuga se ter esquecido da sua noiva, voltava agora para castigar a sua traição.

 

Zuleima contou a D. Mendo que uma feiticeira lhe tinha dito que a princesa morreria ao pronunciar o sétimo "Ai!".

 

Entretanto, Anasir curiosa pela preocupação da aia em relação aos seus "Ais", exprimiu o quinto e o sexto consecutivamente, desesperando a sua aia que continuou a não lhe revelar o segredo.

 

D. Mendo partiu para uma batalha e passados sete dias foi Aben-Abed que surpreendeu Anasir, que soltou o sétimo "Ai!", ao mesmo tempo que o punhal do mouro a feria no peito.

 

Enlouquecido pela dor, D. Mendo de Paiva tornou-se no mais feroz caçador de mouros do seu tempo.

 

https://www.folclore-online.com

24
Nov19

Freixo de Espada à Cinta @ Lendas de Portugal - Lenda do Freixo de Espada à Cinta

Miluem

Foto:  PEDRO SARMENTO COSTA/LUSA

  https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/sopas-e-merendas-vao-reinar-em-freixo-de-espada-a-cinta

 

Lenda do Freixo de Espada à Cinta

 

 


Aqui está mais um exemplo típico de que as lendas não têm origem certa, nem no espaço, nem no tempo. Esta foi-me contada por várias vezes. E de cada vez, por assim dizer, se situava numa época diferente...
De todas as narrações preferi a de uma doce velhinha de olhos sem luz que me dizia ter ainda conhecido Guerra Junqueiro e que, talvez por isso mesmo, recitava como oração duas das suas quintilhas mais ternas e mais formosas, como se ela própria tivesse inspirado esses versos:

 

Oh velhinha santa, minha boa amiga,
Reza o teu rosário, move os lábios teus!
A oração é ingénua! Vem da crença antiga?
Que me importa? Reza, minha boa amiga,
Que orações são línguas de falar com Deus!

 

Pois, velhinha santa, tua crença pura.
Tua reza antiga, que me fez chorar,
É igual aos cegos que na noite escura
Não precisam d’astros para ver a altura,
Não precisam d’olhos para te olhar!

 

Conta-se, pois, que em tempos já distantes, nas eternas questiúnculas com seu filho o príncipe D. Afonso, el-rei de Portugal D. Dinis chegou um dia àquelas terras, então ainda praticamente desertas, que hoje fazem parte do distrito de Bragança, quase na raia de Espanha.


Os correligionários do príncipe D. Afonso tinham cometido tropelias graves e D. Dinis viu-se obrigado a correr o Norte do reino, com os seus melhores cavaleiros, para castigar os prevaricadores e salvar os inocentes.


Por mais de uma vez a sua própria espada teve de salpicar-se de sangue e o rei de Portugal, em plena pujança de vida e de glória, gritava furioso e agastado:


— Filho indigno que não sabe respeitar seu pai que tanto o ama!... Que deseja ele mais?... Não lhe tenho dado honrarias e poderes?... Umas vezes, por minha espontânea vontade… outras vezes, a pedido da Rainha?... Ingrato D. Afonso, antes eu não fosse vosso pai, antes não tivésseis o meu sangue... e eu vos saberia ensinar duma vez para sempre!


E fitando os que o fitavam, e semicerrando o olhar naquele prenúncio de cólera e ameaça que tanto fazia temer os que bem o conheciam, el-rei D. Dinis rematava febrilmente:


— Lá porque amo também outro filho, D. Afonso Sanches — e esse, sim, é bom e sabe respeitar-me — pensa o ingrato, o indigno D. Afonso que há-de rebelar o reino contra mim e contra seu irmão... Mas eu vos garanto, senhores... eu vos garanto que um dia me cansarei de ser bom e clemente e então não mais perdoarei a D. Afonso!


Depois, num gesto sem réplica, ordenava:


— Vamos! Acompanhai-me, que temos ainda de castigar muitos rebeldes e maus Portugueses!

 

Assim decorria a jornada por terras do Norte, entre rancores e perseguições, inquietudes de alma e cansaços de corpo. Por tudo isso, talvez, ao passar junto dum grande freixo, plantado à beira do caminho e derramando em seu redor uma sombra de encantar, el-rei D. Dinis, segundo narra a velha lenda, sentiu-se subitamente desejoso de um merecido repouso.


E não resistiu, a sua voz ergueu-se sobre os que o acompanhavam:


— Ide, cavaleiros… ide e montai mais além o nosso acampamento... Depois irei ao vosso encontro, pois agora quero ficar alguns momentos a gozar a sombra deliciosa deste magnífico freixo.


As ordens foram cumpridas. De facto, D. Dinis ficou sozinho junto do grande freixo. Desmontou então e à vontade desentorpeceu os membros fatigados por tanta correria e tanta luta.


Teve a ilusão de que remoçava. Sorrindo, el-rei de Portugal aspirou forte o ar fresco e reconfortante que por ali passava.


— Oh, como é bom podermos descansar quando se deseja!


Voltou a olhar em seu redor.


— E como é refrescante esta sombra, meu Deus!


Sempre sorrindo, el-rei de Portugal confidenciava a si mesmo:


— Nunca me apeteceu tanto adormecer um pouco... libertar os meus pensamentos de inquietação… lavar a alma neste sossego que me envolve...


E assim falando, tal como conta também a lenda remota e pitoresca, D. Dinis desembaraçou-se da sua pesada espada e do cinto que a sustentava, prendendo-o ao próprio tronco do freixo...


Depois, na volúpia saborosa de se encontrar sozinho e poder fazer quanto lhe apetecesse, não como rei, mas como homem — estendeu-se preguiçosamente, aspirou nova golfada de ar puro, encostou a cabeça ao freixo... e adormeceu.

 

Foi então que tudo se passou conforme a lenda revela e tem sido transmitido de geração em geração...


Sonhando, el-rei D. Dinis viu de repente que se erguia junto dele, em aparição fantasmagórica, um velho de longas barbas brancas, trazendo à cinta a sua própria espada.


Surpreendido, desconfiado, inquieto, o rei de Portugal perguntou:


— Mas... quem sois vós, ancião?... Que desejais de mim?


Em voz irreal, que mais parecia eco doutra voz distante, o vulto respondeu apenas:


— Sou o espírito vivo deste freixo, ao qual tu te encostaste... Aqui estou encantado para sempre, desde que morri... Tu hoje, porém, quebraste o encantamento e por isso aqui me vês...


Novo espanto nasceu no rosto de D. Dinis:


— Quebrei-vos o encantamento?... Mas... como, se nada fiz?... Explicai-vos, por favor, bom velho!


Na mesma voz estranha, o vulto satisfez-lhe a vontade:


— Pois é bem fácil de explicar. Sempre que um rei de Portugal pendure a sua espada no meu tronco… eu poderei viver, de novo, durante alguns momentos!


Houve um silêncio. Pequeno. Frágil. E el-rei D. Dinis insistiu:


— Mas... afinal quem sois? Ainda não me dissestes o vosso nome...


A voz feita de eco subiu de intensidade, tornando-se mais forte e mais estranha ainda:


— Sou um velho rei visigodo... Sim, rei como tu, Dinis! E, como tu, também fui valente e temido. Conquistei terras e dominei povos... Um dia, porém, adormeci à sombra deste mesmo freixo a que tu te encostaste... E os inimigos surpreenderam-me assim... e mataram-me!


Num movimento instintivo, el-rei de Portugal procurou imediatamente erguer-se e afastar-se.


Mas a voz tremeu, como numa risada, e sentenciou:


— Não tenhas medo, Dinis!... A ti não te farão a mesma coisa... Estamos aqui apenas os dois... E eu vim para te aconselhar...


D. Dinis aquietou-se. Todavia, a sua curiosidade não o deixou calado:


— Que sabeis vós da minha vida, bom velho rei?


— Sei tudo! Tudo, compreendes?... Quando se liberta o espírito das algemas da terra, vê-se e aprende-se muita coisa... Por exemplo, eu sei que, lá no íntimo, o que tu desejas é fazer as pazes com teu filho Afonso.


Descoberto no seu segredo, o rei de Portugal mal teve forças para gritar, num desabafo de alma:


— Mas ele é um ingrato, um pérfido!...


A voz estranha voltou a soar com brandura:


— Acalma-te Dinis!... Vou ensinar-te como deves proceder... Quero ajudar a tua felicidade.


— Nem sei como agradecer-vos... Não mais esquecerei este encontro!


A voz desceu até junto dele, tornou-se murmúrio:


— Escuta primeiramente um aviso que te quero dar: tens tratado muito mal tua esposa, a Rainha Isabel! D. Dinis reagiu:


— Ela está sempre ao lado do filho... contra mim!


— Enganas-te... Ela é mãe. Mãe verdadeira. Mãe amantíssima. E procede como tal!


Por instantes, o génio indomável do rei de Portugal veio à superfície:


— Também a defendeis, não é verdade? Também vós sois contra mim? Porquê? Porquê, meu Deus? Porque querem todos que eu seja afinal o culpado... se eu procedo de acordo com a justiça e com a razão?


A voz, como se já o conhecesse perfeitamente, deixou passar a fúria. E, agora no mesmo tom de murmúrio, acentuou:


— Sim... em grande parte, és tu o culpado de tudo, Dinis!... Se desses mais ouvidos à Rainha tua esposa... se mais te guiasses pelos seus conselhos... talvez houvesse menos incompreensão e menos guerra...


E de tal modo era persuasiva a força dessas palavras, ditas quase em tom de segredo e numa voz estranhamente irreal, que D. Dinis sentiu vontade de aceder e concordar:


— Está bem! Passarei a dar melhor atenção ao que diz a Rainha... Mas respondei-me, velho rei: como hei-de conseguir as tréguas com meu filho Afonso?... Estou ansioso por saber!


De novo passou uma tremura pela voz, como se fosse um riso. E o vulto de grandes barbas brancas inclinou-se sobre ele e disse devagarinho:


— Escuta, Dinis... Escuta, porque é segredo...


E conta a lenda que o velho misterioso fez ouvir no íntimo de el-rei de Portugal os seus sábios conselhos. Sem voz. Sem palavras. Apenas em pensamento. E conta também que D. Dinis, logo de início, ao ouvir a primeira parte do segredo, se excitou demasiadamente: — Oh, mas é prodigioso, o que acabais de dizer!... E eu que nunca pensara em tal... Obrigado, mil vezes obrigado, velho rei do freixo!... Vou já pôr-me a caminho e fazer tudo quanto dissestes...


E, num dos seus impulsos habituais, el-rei D. Dinis quis erguer-se de novo, deixando o local onde se encontrava. Nem ligou mais importância àquela voz estranha, que lhe dizia:


— Espera, Dinis!... Não te alvoroces... Falta ensinar-te o resto... senão tudo voltará a mesma... Espera!


Mas era tarde, de facto. Com a excitação dos seus próprios pensamentos, el-rei de Portugal já acordara!


E viu-se de novo sozinho, junto do grande freixo... O velho desaparecera por completo. Por completo e para sempre.


Numa preocupação salpicada de rugas, D. Dinis olhou lentamente a árvore a cuja sombra se acolhera.


— Meu Deus, é extraordinário como o velho rei visigodo se assemelhava a este freixo... Parecia até o próprio freixo de espada à cinta!


Desde então, el-rei D. Dinis não se cansou de contar às pessoas mais íntimas o sonho singular que tivera.


E, aos poucos, de boca em boca, de terra em terra, pelo País fora, foi-se espalhando o caso espantoso do velho rei do freixo de espada a cinta — até que, logicamente, pela tradição do povo, esse local ficou a chamar-se para sempre Freixo de Espada à Cinta.

 

Aliás, tudo se passou conforme a profecia do sonho. D. Dinis conseguiu, na verdade, umas tréguas com seu filho, o príncipe D. Afonso; mas a paz não foi duradoira e a guerra entre ambos não tardou em recomeçar. E isso, afinal, porque D. Dinis não ouvira o resto dos conselhos do misterioso e bizarro espírito encantado do Freixo de Espada à Cinta — espírito que também não tomou mais a desencantar-se, porque nenhum outro rei de Portugal voltou a pendurar a sua espada no grande freixo plantado à beira do caminho...

 

 

Fonte Biblio: MARQUES, Gentil Lendas de Portugal Lisboa, Círculo de Leitores, 1997 [1962] , p.Volume I, pp. 33-37

Place of collection: Freixo De Espada À Cinta, FREIXO DE ESPADA À CINTA, BRAGANÇA
Narrativa - When: XIV Century - Crença: Unsure / Uncommitted