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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

28.12.21

Ano Novo | Corrida de São Silvestre, qual a origem?

Miluem

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Corrida de São Silvestre, qual a origem?

 

Em 1924 Cásper Líbero durante uma viagem a Paris, assistiu a uma corrida noturna pelas ruas da cidade, em que os atletas participantes corriam com tochas acesas.

De volta ao seu país natal, o Brasil, o advogado e jornalista (em 1928 fundaria o jornal "Gazeta Esportiva") decidiu criar em S. Paulo, a sua cidade, uma prova inspirada naquela que viu em França.

A primeira edição realizou-se no dia 31 de Dezembro de 1924.*

O nome deve-o ao nome do Santo que a igreja católica festeja no dia 31 de Dezembro, São Silvestre (que foi papa e governou a Igreja de 314 a 355)

Inicialmente, e durante muitos anos, a corrida só contemplava a participação de atletas masculinos. 

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Só em 1975, aquando da instituição do Ano Internacional da Mulher, pela ONU, a participação na corrida foi aberta às mulheres.

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Em Portugal, a primeira corrida de São Silvestre realizou-se na Madeira, no ano de 1958 e também é conhecida por "Volta à Cidade do Funchal“.

 

* As fonte consultadas, para além das mencionadas, não são concensuais quanto à data, 1925 é muitas vezes referido como o 1.° ano da prova.

 

Créditos:

Fonte:

https://m.historiadomundo.com.br/amp/idade-moderna/a-historia-da-corrida-de-sao-silvestre.htm?espv=1

https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Volta_%C3%A0_Cidade_do_Funchal

Fotos:

https://blog.futfanatics.com.br/esportes/sao-silvestre-a-historia-da-corrida-mais-famosa-da-america-latina

https://pedrazzini.blog/2018/03/06/dia-internacional-da-mulher/

https://revistaatletismo.com/58a-volta-a-cidade-do-funchal-milhares-animam-ruas-da-cidade/

27.12.21

Santa Marta de Penaguião @ Lendas de Portugal - Lenda de Santa Marta

Miluem

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Vitral de Lino António  (1945), escadaria nobre da sede da Casa do Douro, em Peso da Régua

Lenda de Santa Marta

 

 

Lendas são lendas. 

Umas vezes com algum fundamento histórico, outras vezes nem por isso.

Normalmente tentam encontrar uma explicação para a origem ou significado de certos topónimos, localidades, ou mesmo acontecimentos. 

Mais ou menos ingénuas, simples ou complexas, todas são graciosamente populares. 

 

No caso de Santa Marta de Penaguião, a mais conhecida e celebrada, assumiu mesmo lugar de destaque no vitral que Lino António pintou em 1945 para figurar na escadaria nobre da sede da Casa do Douro, em Peso da Régua, situando-se a sua representação iconográfica no lado esquerdo do painel central. 

 

Contemo-la, pois:

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Certo e desconhecido cavaleiro francês, um tal Conde de Guillon, tendo invadido estas terras, mandou queimar a capela de Santa Marta. 

Consumado o ato sacrílego, a Santa apareceu-lhe ditando o castigo: que plantasse uma vinha, e cuidasse dela.

Arrependido e humilhado, nem quis ver a aparição e, curvado, tapou os olhos com as mãos, mas ao descobri-los, tinha a seus pés um corvo, ave profética e sagrada, de acordo com crenças antigas, símbolo do mau agoiro que pressente a morte com o seu grasnar. 

O contrito conde cumpriu a dura penitência, e ficou cheio de alegria na hora da vindima, porque nunca tinha produzido nada na vida. 

Lembrou-se então de oferecer à Santa as uvas, fruto do seu suor, e em vez de um corvo, apareceram-lhe pombas brancas e um cordeiro, símbolos da pureza e da reconciliação. 

Estava perdoado. E, desde então, a localidade começou a ter um nome:

Santa Marta de Pena (castigo) de Guillon.

Que, segundo a tradução (e tradição) popular, veio a dar “Santa Marta de Penaguião”.(…)

 

Textos gentilmente cedidos por Dr. Artur Vaz

 

Créditos: 

Fonte:

https://www.cm-smpenaguiao.pt/santa-marta/

Fotos:

https://media.rtp.pt/cookoff/guias/vitral-da-casa-do-douro/

https://noticiasdevilareal.com

26.12.21

Rodeios, Vila Velha de Ródão @ Lendas de Portugal - Lenda de Nossa Senhora da Paz

Miluem

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Lenda de Nossa Senhora da Paz

 

Rodeios era, dantes, o local escolhido pelos pastores para reunirem o seu gado, para o apartarem, contarem ou examinarem, formando assim, grandes rodas de animais, que baptizaram a povoação. Certo dia, a um destes pastores apareceu, no alto onde hoje se ergue a capela, numa toca de sobreiro, uma senhora.

Dirigiu-se-lhe esta pedindo que os pastores lhe construíssem uma ermida e dela fizessem uma imagem que deveriam apelidar Nossa Senhora da Paz. Pediu ainda que, a seu lado, fosse colocado um menino e nas suas mãos tivesse uma bola do mundo.

Segredou-lhe, por fim, que quando a bola caísse o mundo acabaria. Ficaram, desde então, os devotos de Nossa Senhora da Paz incumbidos de zelar para que nada acontecesse a esta bola do mundo. Quando um dia deflagrou um incêndio na capela, logo o imaginário local, atormentado pela responsabilidade, se pôs a recear pelo que poderia acontecer ao mundo, se tal incidente havia ocorrido à patrona da paz.

No dia 12 para 13 de Maio, não se sabe de que ano, começou o fogo na capela. Estava tudo em chamas quando o povo lá chegou, a gritar, com medo que algo acontecesse à imagem. Quando entraram na capela, enegrecida pelo fumo da cera ardida, verificaram, espantados, que ao altar nada acontecera, apenas o coração de Maria ficara despedaçado e por isso foi, depois, levado para o cemitério e enterrado. No meio dos choros pela destruição verificada, a voz de uma velha clamou:

- Temos guerra, temos guerra!

Ora, foi por esta altura que as telefonias começaram a anunciar a guerra em Angola.

Tratava-se pois de um aviso de Nossa Senhora: ficou a capela destruída como Portugal: o coração de Maria despedaçou-se como o de muitas mães a quem morreram os filhos no Ultramar; as paredes da capela ficaram pretas em sinal do luto que muitas mães vestiram para sempre; o altar salvou-se como se salvaram todos os homens que da zona de Rodeios foram para o Ultramar. Nenhum lá ficou.

 

Batista, Graça (2001) Vila Velha de Ródão – Viagens do Olhar, Centro Municipal de Cultura e Desenvolvimento de Vila Velha de Ródão, p.206-207

 

Créditos:

Fonte e Foto: https://www.cm-vvrodao.pt/descobrir/lendas-e-tradicoes/sra-alagada.aspx

25.12.21

Santa Comba Dão, Viseu @ Lendas de Portugal - A lenda da Madre Comba

Miluem

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Lenda de Santa Comba Dão

A lenda da Madre Comba

 

Comba era madre abadessa de um convento a montante de Coimbra, numa ribanceira do rio Om. Liderava um conjunto de outras freiras e era admirada por todas elas. A cidade, desde que os sarracenos entraram no sul da península, vivia a conturbação das conquistas e reconquistas, ora dos exércitos a sul, muçulmanos, ora dos exércitos a norte, cristãos.

O rumor, naqueles dias, avisava as hostes cristãs de que a cidade de Coimbra estava prestes a ser tomada pelo rei Almançor. Não eram boas notícias para os conventos e igrejas cristãs, muito menos para o da madre Comba, constituído apenas por mulheres.

As freiras sabiam, de alguma forma, o que uma vitória moura significava – uma invasão do convento e, depois, uma vingança física nas mulheres, que assumiria com quase certeza a retirada da sua virgindade. Todas percebiam isso, apesar de evitarem as palavras. Mas comprovava-se pelo medo nos seus olhos, enquanto clamavam as últimas rezas da salvação.

Passaram-se dias de tensão. As conversas lá fora confirmavam a tomada de Coimbra por Almançor, génio militar sarraceno, e os seus exércitos subiam pelo Mondego acima, e daí pelo rio Om. Alguns cristãos, por precaução, retiraram. Comba ficou, sabendo que ali era a sua casa e a das suas irmãs. A partir dali, as freiras da madre Comba contavam os dias até àquele que, nas profundezas da sua consciência, sabiam que chegaria.

E ele não demorou a aparecer, no instante em que se ouviu o bater de uma porta e uma voz de homem, do lado de fora, a exigir que fosse recebido. Comba inspirou fundo e ganhou coragem. Dirigiu-se até à porta e espreitou para ver quem vinha. Um relance bastou para perceber que os seus receios eram fundamentados.

– Sou a abadessa do convento, Comba de nome, quem é e o que pretende desta casa de Deus? – perguntou, hesitante, a freira.

– Venho em nome do rei Almançor – respondeu o mouro - e tenho ordens dele para que eu e os meus soldados aqui fiquem esta noite.

As palavras só vieram confirmar o que madre Comba já suspeitava. Tentou demover o muçulmano, dizendo que a pureza das suas mulheres era dedicada a Deus e que a noite que estes homens iriam passar no convento iria pôr tudo em causa. Depois de uma acesa troca de palavras, o mouro, visivelmente impaciente, atirou:

– Mulher, se não abrires esta porta, os meus homens o farão por ti, e o resultado vai ser bem pior!

Assustada, madre Comba abriu ligeiramente a porta. O sarraceno, à primeira oportunidade, empurrou-a, ficando cara a cara com a freira. Surpreendido com a sua beleza, disse:

– Bem me tinham dito que as freiras por aqui eram belas e jovens. Tu serás a minha companhia nas próximas horas. E as tuas meninas serão escolhidas, uma a uma, pelos meus soldados. Prometo que entrarão ordeiramente se não resistires.

– Não tenho outra hipótese que não resistir – desafiou Comba -, eu e as minhas irmãs somos destinadas a Deus e apenas dele somos esposas, bem que podeis matar-nos a todas!

O mouro sorriu. Surpreendido com a coragem, não deixou de insistir:

– Minha abadessa, vós, mortas, de nada nos servem. Os meus homens começam a ficar ansiosos e ninguém quer isso, sobretudo as suas irmãs.

Comba já não sabia o que dizer. A decisão dos sarracenos estava tomada. A invocação de Deus de nada servia. Resignada e angustiada, acabou por escancarar a entrada à turba. O mouro apontou para um dos seus homens, dando-lhe permissão para ser o primeiro a entrar no convento.

A abadessa dispôs-se a encaminhar o soldado para junto das suas irmãs. Chegado a um claustro, o sarraceno não podia acreditar no que via. Todas as freiras eram de um encanto inegável. Mal podia esperar para dar a notícia aos restantes. Mas antes tinha a sua escolha por fazer. Olhando para uma jovem irmã, com um aceno de cabeça disse:

– Quero aquela!

Comba dirigiu-se à pretendida, segurou-lhe o rosto, e deu-lhe um beijo na testa. Um sinal. Ao receber o beijo, a freira agarrou num punhal e espetou-o no seu próprio peito. As restantes irmãs repetiram o gesto. Uma a uma, de punhal na mão, entregavam os seus corpos ao céu. O homem, que a tanta morte tinha assistido nas suas guerras contra os cristãos, ficou apavorado. Gritou como nunca, fugindo daquele cenário, até fora do convento. Relatou o que tinha visto aos seus colegas. Os sarracenos tornaram a entrar no convento apressadamente, ainda sem acreditar no que tinham acabado de ouvir.

Quando chegaram ao claustro, deram com uma imagem que estava para lá do que haviam vivido em qualquer campo de batalha. Um chão de sangue, com dezenas de freiras tombadas, sem vida. No meio delas, lá se encontrava Comba. O choque tomou conta do exército sarraceno. O seu líder estava furioso. Vociferou que aquelas mulheres nem gente eram, e que o que mereciam era ter sido mortas por uma espada infiel.

 

Créditos:

Fonte: https://www.portugalnummapa.com/lenda-de-santa-comba-dao/

Foto: https://adescobertadomeupais.blogspot.com/2017/10/santa-comba-dao.html

24.12.21

Poemas de Natal * Natal… Natais… de Cabral do Nascimento

Boas Festas. Desejo um Natal com Saúde, Alegria e Paz.

Miluem

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Natal… Natais…

Tu, grande Ser,

Voltas pequeno ao mundo.

Não deixas nunca de nascer!

Com braços, pernas, mãos, olhos, semblante,

Voz de menino.

Humano o corpo e o coração divino.

 

Natal… Natais…

Tantos vieram e se foram!

Quantos ainda verei mais?

 

Em cada estrela sempre pomos a esperança

De que ela seja a mensageira,

E a sua chama azul encha de luz a terra inteira.

Em cada vela acesa, em cada casa, pressentimos

Como um anúncio de alvorada;

E ein cada árvore da estrada

Um ramo de oliveira;

E em cada gruta o abrigo da criança omnipotente;

 

E no fragor do vento falas de anjos, e no vácuo

De silêncio da noite

Estriada de súbitos clarões,

A presença de Alguém cuja forma é precária

E a sua essência, eterna.

Natal… Natais…

Tantos vieram e se foram!

Quantos ainda verei mais?

 

Cabral do Nascimento, em ‘Cancioneiro’.

 

Créditos:

Fonte: https://www.revistaprosaversoearte.com/12-poemas-de-natal-escolha-o-seu/?amp=1

Foto: 

https://queridasbibliotecas.blogspot.com/2015/11/joao-cabral-do-nascimento-1897-1978.html?m=1

23.12.21

Miranda do Corvo @ Lendas de Portugal - Lenda do Santuário da Senhora da Piedade de Tábuas

Miluem

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Lenda do Santuário da Senhora da Piedade de Tábuas

 

Três quilómetros a Este da vila de Miranda do Corvo está o Santuário de Nossa Senhora da Piedade. 

Situado na garganta de duas serras e onde nos meses de Agosto e Setembro concorrem infinitos romeiros, (alguns de mais de 100 kms de distância) e duas bandeiras de Coimbra, uma que sai da igreja de S. João de Almedina e outra (vulgarmente chamada de Teodoro) da igreja de Santa Ana.

Fica este próximo do lugar de Tábuas, e junto dele passam duas ribeiras que fazem o sítio muito fresco e ameno no Verão.

 

Segundo a tradição a origem deste templo está relacionada com um rico lavrador de muitas terras, Domingos Pires, que tinha muitos gados.

O sítio onde se edificou a capela da Senhora da Piedade tinha antigamente o nome de Malhadinha e a ela vinha Domingues Pires esperar o regresso dos seus gados.

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Diz a lenda que a senhora apareceu a este venturoso lavrador, por várias vezes sobre um penhasco, numa gruta que ainda hoje existe na encosta fronteira do referido sítio da Malhadinha.

Tratou logo Pires de edificar, no sítio da Malhadinha, uma casa à Senhora da Piedade, e depois de construída a capela, foi a Coimbra onde então havia bons escultores, para encomendar a imagem representando o transe doloroso em que tinha o seu Divino Filho morto nos seus braços.

Chegou à cidade, ao antigo convento de Santa Clara, que está junto à ponte, e ali foi pousar, a uma casa que devia ser hospedaria.

Pouco tempo depois de ali chegar, entraram dois formosíssimos mancebos que perguntando-lhe o motivo da sua ida a Coimbra, e sabido por eles, disseram a Pires que eram escultores, e que se lhes quisesse encomendar a manufactura da imagem, que não ficaria descontente; e que mesmo já tinham feito algumas imagens, que lhe traziam para examinar, ao que Pires acedeu.

No dia seguinte chegaram os dois escultores com uma perfeitíssima imagem da Santíssima Virgem da Piedade que mais parecia obra de anjos do que de homens, e exactamente semelhante à que lhe tinha aparecido na Malhadinha.

Pires de sobremaneira alegre e satisfeito, sem querer ver mais nenhuma imagem, perguntou logo quanto esta custava.

Disseram os mancebos que ficasse com a imagem, e no dia seguinte viriam tratar do ajuste; mas não vieram e Pires procurou-os dois dias pela cidade, sem deles poder obter a menor notícia, nem na hospedaria houve quem os visse entrar ou sair.

No fim de dois dias de buscas infrutíferas assentou Pires que os dois pretendidos escultores eram anjos que lhe tinham dado a imagem, e tratou de a levar Mondego acima, até ao lugar de Ceira e aí a colocou num carro seu, levando-a para casa até se concluir o seu altar.

Foi um dia de grande festa o da colocação da imagem na capela. É esta grande e bonita.

Tem o altar-mor onde está a padroeira (em um oratório envidraçado).

 

Créditos:

Fonte: https://www.freguesiadevilanova.pt/lendas-e-tradicoes

Fotos:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Santuário_de_Nossa_Senhora_da_Piedade_de_Tábuas

https://visitregiaodecoimbra.pt/cultura-e-patrimonio/mulheres-e-os-lugares/miranda-do-corvo/santuario-da-senhora-de-piedade-de-tabuas/#