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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

11.06.21

Pelo mar abaixo @ Lenga-lengas da cultura portuguesa

Versão de Cinfães

Miluem

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Pelo mar abaixo

vai um cobertor;

Quem pega e não pega?

Pega o meu amor.

 

Pelo mar abaixo

vai uma cestinha;

Quem pega e não pega?

Pego eu que é minha.

 

Pelo mar abaixo

Vai uma panela (tijela)

Quem pega e não pega?

Pega o dono dela.

 

Pelo mar abaixo

Vai um tinteiro.

Quem pega e não pega?

Pega o meu dinheiro.

 

https://cancioneiropopularmar.wordpress.com/tag/lengalenga/

 

10.06.21

Sopa da Pedra | Lenda, História e Receita

Miluem

Receita-de-sopa-da-pedra.jpg

 

A lenda da Sopa da Pedra

 

Um frade andava no peditório. Chegou à porta de um lavrador, não lhe quiseram aí dar esmola. O frade estava a cair com fome, e disse:

– Vou ver se faço um caldinho de pedra!

E pegou numa pedra do chão, sacudiu-lhe a terra e pôs-se a olhar para ela, para ver se era boa para fazer um caldo. A gente da casa pôs-se a rir do frade e daquela lembrança.

Perguntou o frade:

– Então nunca comeram caldo de pedra? Só lhes digo que é uma coisa boa.

Responderam-lhe:

– Sempre queremos ver isso!

Foi o que o frade quis ouvir. Depois de ter lavado a pedra, pediu:

– Se me emprestasse aí um pucarinho.

Deram-lhe uma panela de barro. Ele encheu-a de água e deitou-lhe a pedra dentro.

– Agora, se me deixassem estar a panelinha aí ao pé das brasas.

Deixaram. Assim que a panela começou a chiar, tornou ele:

– Com um bocadinho de unto, é que o caldo ficava um primor!

Foram-lhe buscar um pedaço de unto. Ferveu, ferveu, e a gente da casa pasmada pelo que via. Dizia o frade, provando o caldo:

– Está um bocadinho insosso. Bem precisava de uma pedrinha de sal.

Também lhe deram o sal. Temperou, provou e afirmou:

– Agora é que, com uns olhinhos de couve o caldo ficava que até os anjos o comeriam!

A dona da casa foi à horta e trouxe-lhe duas couves tenras.

O frade limpou-as e ripou-as com os dedos, deitando as folhas na panela.

Quando os olhos já estavam aferventados, disse o frade:

– Ai, um naquinho de chouriço é que lhe dava uma graça.

Trouxeram-lhe um pedaço de chouriço. Ele botou-o à panela e, enquanto se cozia, tirou do alforje pão e arranjou-se para comer com vagar. O caldo cheirava que era uma regalo. Comeu e lambeu o beiço. Depois de despejada a panela, ficou a pedra no fundo. A gente da casa, que estava com os olhos nele, perguntou:

– Ó senhor frade, então a pedra?

Respondeu o frade :

– A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez.

 

 

Um pouco de história…

Sopa da pedra é uma sopa típica portuguesa, em particular da cidade de Almeirim, situada no coração da região do Ribatejo, considerada a capital da Sopa da pedra.

A designação Sopa de pedra encontra-se em muitas culturas ocidentais e tem como base lendas e mitos.

(...)

 

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Receita

Ingredientes:

– 2,5 l de água

– Uma pedra tipo seixo

– 1 kg de feijão vermelho

– 1 orelha de porco

– 1 chouriço de carne

– 1 chouriço de sangue (morcela)

– 200 g de toucinho

– 2 cebolas

– 2 dentes de alho

– 700g de batatas

– 1 molho de coentros

– Sal, louro e pimenta a gosto

 

Preparação:

Ponha o feijão a demolhar de um dia para o outro. De véspera, escalde e raspe a orelha de porco de modo a ficar bem limpa.

No próprio dia, leve o feijão a cozer em água, juntamente com a orelha, os enchidos, o toucinho, as cebolas, os dentes de alho e o louro. Tempere de sal e pimenta. Junte mais água, se for necessário. Quando as carnes e os enchidos estiverem cozidos, tire-os do lume e corte-os em bocados.

Junte, então, à panela as batatas, cortadas em cubinhos e os coentros bem picados.

Deixe ferver lentamente até a batata estar cozida. Tire a panela do lume e introduza as carnes previamente cortadas.

No fundo da terrina onde vai servir a sopa coloque a pedra bem lavada.

Depois de servir a sopa toda, guarde a pedra para a próxima.

 

Nota:

Também pode utilizar o feijão enlatado, sempre pode fazer a sopa mais rapidamente, eu pessoalmente uso uma conhecida marca portuguesa de legumes em conserva.

Toque especial:

Guarde um pires com os coentros picados para que cada convidado coloque a quantidade de coentros a gosto na sua sopa.

 

Fonte: 

https://lusojornal.com/na-cozinha-do-vitor-sopa-da-pedra/

Fotos:

https://www.mulherportuguesa.com/

 https://maisribatejo.pt/

 

04.06.21

Sonim, Valpaços @ Lendas de Portugal - A perna da moira

Miluem

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Vista de Sonim

 

Sonim é uma pitoresca aldeia de Concelho de Valpaços, com uma invejável tradição cultural. De lá me vieram muitas quadras, alguns romances, jogos, peças de teatro popular e também a lenda que se segue.

 Perto da povoação, levanta-se um esfíngico penedo, com desenhos caprichosos que fazem lembrar uma perna de mulher, um vaso em forma de cálice e algumas figuras semelhantes a moedas, espalhadas pela superfície.

 Ao centro, a todo o comprimento, vê-se uma fenda a dividi-lo em duas partes iguais, mas só à superfície. O resto do interior está perfeitamente unido.

 A lenda assegura que tudo isto surgiu quando uma moira solitária, perseguida pelos cristãos, ali passou. Prestes a ser alcançada, agarrou-se ao penedo e pronunciou a palavra mágica: abracadabra.

 A esta palavra, o penedo abriu-se ao meio, para lhe dar guarida. E a moira apressou-se a entrar nele, para escapar à perseguição.

 Mas fê-lo com tal precipitação que deixou de fora o vaso, em forma de cálice, com moedas, que se espalharam pelo penedo. De fora ficou também uma perna da moira, cortada pelas arestas do penedo, que se fechou tão rapidamente como se abrira.

 Dentro, ficou a moira, só com uma perna e duas talhas de ferro:

uma cheia de oiro, e outra cheia de peste, para que as pessoas não se atrevessem a tentar apoderar-se do oiro.

 Quem pretendesse fazê-lo teria de superar essas duas dificuldades:

rachar a pedra ao meio e acertar com a talha do oiro; porque, se abrisse a talha da peste, sofreria morte imediata e causaria a destruição de todos os habitantes de Sonim.

 Certo dia, os moradores da aldeia reuniram-se para deliberarem se valia a pena correr esses riscos, mas não conseguiram chegar a acordo.

 Os mais novos, de espírito aventureiro, pronunciaram-se pela afirmativa, argumentando com a sabedoria do povo: quem não arrisca não petisca, dos fracos não reza a história.

 Os mais velhos, mais cautelosos, foram pela negativa, contrapondo o velho rifão: mais vale burro vivo do que cavalo morto. Deixassem, por isso, a moira em paz, para poderem também eles viver em paz.

 Os jovens falcões calaram-se, vencidos, mas não convencidos; e, lá por dentro, dispostos a levar a deles avante.

 No dia seguinte, reuniram-se sozinhos e decidiram meter ombros à arriscada, mas tentadora empresa.

 Escolheram uma noite de lua cheia, para poderem trabalhar à vontade. E, quando toda a aldeia dormia o primeiro sono, pegaram em ferros, picaretas, marras e guilhos e abalaram para o penedo do tesoiro.

 Chegados lá, traçaram um risco ao meio e a todo o comprimento do fragão. Depois, com as picaretas, abriram buracos ao longo do risco e espetaram os guilhos. Pegaram nas marras e foram batendo nos guilhos.

 A cada pancada que davam, o coração batia-lhes no peito, mais pelo medo que pelo esforço, e quase parou, quando, após algumas horas de trabalho esfalfante, o penedo começou a abrir em toda a extensão da linha traçada.

 Então, quando, já refeitos da ansiedade e do receio, se preparavam para meter os ferros, separar as duas partes do fragão e deitar as mãos ao cobiçado tesoiro, ouviram uma voz cavernosa, vinda do interior:

 - Fugi, miseráveis criaturas, que estais a abrir as vossas sepulturas.

Ao ouvir aquelas palavras aterradoras, ó meu amigo, saltaram como um raio do penedo abaixo e, num salve-se quem puder, correram desenfreadamente, até chegarem a casa, banhados em suor frio e a tremer as maleitas.

 Quando os mais velhos souberam da malograda tentativa e da covarde fuga dos jovens atrevidos, riam-se deles e comentavam com ironia:

 - Então, valentões, já lavastes os calções?

 Depois disso, nunca mais ninguém tentou apoderar-se do tesoiro do penedo da perna da moira, embora com a fenda aberta, porque, como diz o povo, o medo guarda a vinha.

 

 

Fonte Biblio: FERREIRA, Joaquim Alves

Lendas e Contos Infantis Vila Real, Edição do Autor, 1999 , p.21-23

Place of collection: Sonim, VALPAÇOS, VILA REAL Narrativa, When: XX Century, 90s Crença: Unsure / Uncommitted

Fonte: CEAO - Centro de Estudos Ataíde Oliveira

 

Foto: https://valpacos.pt/pages/531?locale=pt

 

 

 

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