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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

17.06.21

Figueira de Castelo Rodrigo @ Lendas de Portugal - O “Poio” da Cegonha

Miluem

Turismo Centro Portugal - Figueira Castelo Rodrigo

 

O “Poio” da Cegonha

 

 

Um dia, por detrás das vinhas da Coelheira, no meio dos grandes fraguedos que por ali abundam, uma raposa descansava depois de uma forte correria para caçar um coelho. Satisfeita com o almoço, olhava à volta quando viu uma cegonha à procura de alimento para as crias que tinham acabado de nascer.

 

Aproximando-se, começou a conversar com a ave de arribação, inquirindo a sua origem. A cegonha disse-lhe de onde tinha vindo, contando as maravilhas que admirava na longa viagem até aquela terra.

 

Os dois animais tornaram-se amigos e, todos os dias, ali se encontravam para dois dedos de conversa. A raposa toda se deliciava com as histórias que a cegonha lhe contava. Muito culta, sem dúvida, e muito viajada, pensava ela, quando ao fim do dia se encaminhava até às arribas, para mais uma caçada.

 

Certa ocasião, a raposa convidou a cegonha para almoçar com ela. No dia combinado e à hora marcada, a amiga apareceu lá no alto, voando com a habitual elegância. Quando pousou, ficou muito espantada ao aperceber-se que a raposa estava a deitar a comida no prato. Como era educada, nada disse, mas não comeu nada, pois o enorme bico não conseguia apanhar a mais pequena migalha naquele recipiente tão raso.

 

Ainda por cima, foi tão grande a indelicadeza, da anfitriã que não hesitou em comer o que estava no prato da amiga que se limitava a olhar, sentindo que fora enganada pela manhosa raposa. Não se podia queixar, pois os tordos que pernoitavam no mesmo freixo, bem a tinha avisado para ter cuidado, mas confiara demasiado.

 

Disfarçando o aborrecimento que tal partida lhe tinha causado, a cegonha despediu-se jurando vingar-se. Alguns dias depois, retribuiu a cortesia, e convidou a que se dizia sua amiga para almoçar. Quando a raposa apareceu no local combinado, saltando de pedra em pedra, muito prazenteira e vaidosa, reparou que a comida estava dentro de uma vasilha alta e de gargalo estreito.

 

Enquanto a cegonha, com o enorme e delgado bico, se deliciava com o manjar, a raposa olhava esfomeada para a amiga. Terminada a refeição, e vendo o ar desconsolado da comadre, a cegonha convidou-a a subir numa das asas para irem comer umas migas, um pouco mais adiante. A raposa, com o apetite que tinha, não se fez rogada, subiu de imediato numa das asas e levantaram voo.

 

Depois de umas largas voltas, sobrevoaram a região das arribas. A raposa, ao olhar lá para baixo e vendo os altos penhascos que aprisionavam o rio Águeda que, a custo, rompia o caminho para a foz, por entre as gargantas graníticas que pareciam querer abafá-lo, sentiu medo e agarrou-se com mais força à asa da cegonha. Esta como que adivinhando o receio da comadre, mudou de rumo.

 

Inquirida pela raposa do tempo que ainda faltava para comerem as migas, a cegonha respondeu-lhe que faltava pouco. Entretanto, dizendo-se cansada daquela asa, pediu à comadre que se mudasse para a outra.

 

Quando a raposa, na maior das cautelas e prodígios de equilíbrio, mudava de lugar a cegonha inclinou-se, fazendo com que a companheira da viagem se despenhasse das alturas. Muito aflita, a raposa olhou para o chão, que a grande velocidade se tornava cada vez mais perto, e vendo que caía a grande velocidade se tornava cada vez mais perto, e vendo que caía em direcção a um enorme “poio“, gritou-lhe num alto e aflitivo brado:

 

– Foge “poio“, que te racho!…

 

E na verdade, quem passar pela coelheira, pode ver o alto penedo rachado de alto a baixo!

 

Fonte: https://cm-fcr.pt/visitar/lendas-e-tradicoes/o-poio-da-cegonha/

Foto: https://turismodocentro.pt/concelho/figueira-castelo-rodrigo/