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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

30.11.20

Chacim, Macedo de Cavaleiros @ Lendas de Portugal - Senhora de Balsamão

Miluem

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Senhora de Balsamão

 

Perto de Chacim, aldeia do Concelho de Macedo de Cavaleiros, lá no alto do Monte Carrascal, há um convento habitado pelos padres marianos. E, junto do convento, há uma ermida branquinha aonde diariamente chegam grupos de pessoas que aí vão rezar, mergulhar no silêncio que dá paz ao espírito e apreciar a paisagem fascinante que dali se desfruta.

 

A pequena ermida tem por Padroeira Nossa Senhora de Balsamão, nome curioso, cuja origem a lenda seguinte nos vai explicar.

 

Segundo a lenda, no lugar da ermida, havia antigamente uma mesquita em honra de Maomé; e, no sítio do convento, um castelo ocupado por soldados mouros, às ordens dum rei cruel, inimigo figadal dos cristãos aos quais impunha, além de pesados impostos pecuniários, o humilhante imposto das donzelas.

 

Esse imposto consistia na obrigação de todas as raparigas dos seus domínios passarem a primeira noite do seu casamento no seu harém, para satisfazer os seus caprichos animalescos e libidinosos.

 

Amedrontados pelo seu grande poderio e pela sua extrema crueldade, os súbditos submetiam-se, embora revoltados, a esta ignominiosa prepotência, por se reconhecerem incapazes de se lhe oporem com êxito.

 

Longos anos se passaram debaixo desta humilhação revoltante, até que, um dia, um jovem, destemido e audaz, resolveu pôr fim a esta odiosa servidão.

 

Na véspera do seu casamento, jurou à noiva que não a deixaria sujeitar-se àquela desonra insuportável. A noiva, receosa da vingança do despótico tirano, implorou fervorosamente a protecção de Nossa Senhora de quem era muito devota e prometeu levantar-Lhe uma capela se Ela lhe valesse naquela angustiosa aflição.


No dia do casamento, depois da boda, o jovem recém-casado, disfarçado com o vestido da esposa, e acompanhado dos amigos com quem tinha combinado o plano da revolta, apresentou-se no castelo, pedindo licença para, todos juntos, oferecerem presentes e prestarem vassalagem a tão alto Senhor.

 

O pedido foi aceite e a comitiva entrou na sala do castelo com as facas de matar porcos, dissimuladas nos açafates, à guisa de presentes.

 

Quando o rei moiro apareceu, acompanhado da sua guarda real, para receber os presentes e levar a noiva para a sua alcova, o jovem puxou do punhal e cravou-o no coração do tirano, ao mesmo tempo que os companheiros faziam o mesmo aos guardas que o acompanhavam.

 

Aos gritos lancinantes dos moribundos, irromperam na sala estrepitosamente os restantes soldados, em grande número e armados até aos dentes.

 

A luta foi terrível e desigual: dum lado, a coragem e a determinação; do outro, a crueldade e a força. E, como contra a força não há resistência, a vitória pendia naturalmente para o lado dos mouros.

 

Mas, quando os cristãos começavam a fraquejar, feridos pelos alfanjes dos maometanos e tudo parecia irremediavelmente perdido, apareceu surpreendentemente, no meio deles, uma Senhora alta, toda vestida de branco, com um vaso de bálsamo na mão, que começou a ungir-lhes as feridas.

 

À medida que a Senhora desconhecida os ungia, as feridas ficavam subitamente curadas e a coragem renascia-lhes dentro da alma. Renovadas as forças e empolgados com esta aparição, atiraram-se, como S. Tiago aos mouros e a sorte do combate começou a mudar.

 

Agora, eram os mouros que retrocediam, apavorados com aquela aparição inopinada e inexplicável que atribuíam a alguma feitiçaria dos inimigos e contra a qual se sentiam impotentes para lutar.

 

Desmoralizados, incapazes de continuar a luta, puseram-se em fuga, precipitadamente, encosta abaixo, atropelando-se uns aos outros, para salvarem a vida. Mas encontraram pela frente toda a população que entretanto tomou conhecimento da revolta dos jovens e se preparou para os ajudar.

 

Então, os mouros, atacados pela frente e pela retaguarda, sofreram uma terrível chacina que os vitimou implacavelmente.

 

E assim acabou a abominável opressão do domínio sarraceno e começou a liberdade dos habitantes da região, os quais, atribuindo a vitória a Nossa Senhora, que, com o bálsamo na mão, curou as feridas dos seus filhos e lhes infundiu ânimo para levarem de vencida os odiados opressores, e ainda para darem cumprimento à promessa de noiva, iniciaram a construção da capela em sua honra, precisamente no local da antiga mesquita.

 

A Nossa Senhora deram o nome de Senhora do Bálsamo na Mão, que depois evoluiu para Senhora de Balsamão.

 

E ao lugar onde os mouros sofreram a chacina deram o nome de Chacim, terra próxima do Santuário de Balsamão.

 


Fonte: LITERATURA POPULAR DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO, por Joaquim Alves Ferreira (5 volumes)

https://www.folclore-online.com

Foto: https://viagens.sapo.pt/viajar/viajar-portugal/artigos/dormir-no-convento-de-balsamao-em-silencio-e-paz#&gid=1&pid=23

30.11.20

Lenda do Rio Sever @ Lendas de Portugal

Miluem

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Lenda do Rio Sever

 


Versão literária, com proveniência desconhecida, publicada por Possidónio Mateus Laranjo Coelho (1967), reproduzida por Alexandre de Carvalho Costa (1982) e por Ruy Ventura (2005) – Contos e Lendas da Serra de São Mamede, antologia breve, Almada, Associação de Solidariedade Social dos Professores: 75.

 


Em distante e já remota época, numeroso e escolhido cortejo de damas e cavaleiros, de longada para as bandas de Castela, resolve descansar das fadigas da jornada junto às margens do rio e no sítio onde mais fácil se torna a passagem a vau.

 

Ao pretender, porém, recomeçar a viagem, quando as damas se preparavam para compor os seus vestidos e alisar os cabelos desgrenhados pelos solavancos da travessia através dos ásperos córregos e do pedregoso trilho dos rústicos caminhos viram, com desconsolada surpresa, que em nenhuma das encouradas arcas de bagagem se encontrava um espelho, objecto tão necessário às mais novas e tafús e que haviam esquecido na azáfama confusa da partida.

 

Compreender-se-á o desespero em que esse facto lançaria as entristecidas e contrariadas damas, tão ávidas de bem parecer e para as quais o espelho é o mais dilecto, necessário e indispensável companheiro.

 

Diz-se mesmo que em algumas delas tal contratempo se denunciava por mal contidas e furtivas lágrimas que não passaram despercebidas ao olhar atento e enamorado de um gentil moço e garboso cavaleiro da comitiva.

 

Pressuroso e cortês acudiu este procurando remediar a contrariedade das aflitas damas, lembrando-lhes que não havia, em verdade, motivo para se entristecerem pois que, para substituir o espelho tinham elas ali bem perto um belo rio de se ver.


Para comemorar a gentil lembrança do moço fidalgo e como prémio e agradecida homenagem à sua tão feliz e oportuna ideia puseram, então, as damas ao sítio onde haviam estado a pentear-se o lindo e romântico nome de “Porto de Cavaleiros” […].

 

Foto: Wikipédia - Por Caligatus - Obra do próprio, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=54056797

 

29.11.20

# À moda de Cá # Arroz-Doce

Arroz-Doce (Receita da Mãe)

Miluem

 

Arroz-Doce  (Receita da Mãe)

Clara de Sousa

 

 

    Ingredientes:

    100 g de arroz carolino

    250 ml de água

    Pitada de sal

    1 litro de leite meio-gordo

    150 g de açúcar

    Casquinhas de limão

    1 pau de canela

    1 ou 2 gemas (opcional, para dar cor)

    Canela em pó a gosto, para polvilhar

 

Confecção:

"Coloque o leite a aquecer.

Leve ao lume uma panela média, com a água, a pitada de sal e o arroz.

Quando o arroz absorver toda a água, junte duas conchas de leite quente, para cobrir, mais as casquinhas de limão e o pau de canela.

Mantenha ao lume, sempre a fervilhar e sempre mexendo, em movimentos lentos e circulares. O restante leite continua sempre ao lume, no mínimo, para se manter bem quente.

À medida que o arroz for absorvendo o leite, o creme fique mais denso e a fervura faça bolhas maiores, coloque mais duas conchas de leite. Repita o processo, mexendo sempre, até esgotar todo o leite. No final, terá um creme que pinga como uma lágrima da colher, oferecendo alguma resistência. Nem demasiado líquido, nem demasiado denso.

Desligue o lume, junte o açúcar e mexa até estar bem envolvido. Retire as casquinhas de limão e o pau de canela.

Se quiser dar cor, desfaça a(s) gema(s) num pouco de leite frio, junte ao creme quente e mexa rapidamente, para incorporar.

Coloque numa taça ou em tacinhas. Deixe arrefecer. Quando arrefecer polvilhe com canela em pó.

Sirva à temperatura ambiente."

 

"Notas:

Quando terminar o leite e o creme já tiver a consistência desejada, prove um bago de arroz e garanta que está bem cozido. Se não estiver no ponto, aqueça mais um pouco de leite e mantenha o processo de cozedura até que o interior do bago esteja mesmo macio.

Ao encher as taças o arroz pode parecer demasiado fluido. Não se preocupe. Vai ficar mais denso ao arrefecer."

 

Receita, Foto e Video retirados de:  https://claradesousa.pt/receita/arroz-doce-branco/

 

Quando encontrei esta receita, fiquei muito contente, é muito parecida com a que a irmã do meu pai fazia, ela não usava ovos e também ficava super cremosa, a diferença é que ela era muito gulosa, fazia doces e licores maravilhosos mas tudo para lá de doce.

 

 

29.11.20

# À moda de Lá # Grød - arroz doce

Risengrød - Dinamarca @ Eurocid

Miluem

Risengrød
 
 
Ingredientes
  • 120 g de arroz
  • 1 litro de leite
  • manteiga
  • açúcar
  • canela em pó

 

Modo de preparação
  1. Deita-e o arroz no leite a ferver e deixa-se cozer em lume brando durante 1 hora.
  2. Quando ficar pronto deita-se numa travessa.
  3. É costume cada pessoa servir-se e juntar à sua porção um pouco de manteiga, açúcar e canela, mais ou menos conforme a sua gulodice.

 

Tradicionalmente escondia-se uma amêndoa no arroz e quem a recolhesse tinha direito a uma prenda.

 

Fonte: Eurocid - República Portuguesa - Negócios Estrangeiros

Foto: https://mariavestergaard.dk/risengroed/

 

 

27.11.20

««Tradições »» Benzer o Pão

Alenquer @ Antiga Tradição da Benção do Pão antes de ir para o forno

Miluem

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Benzer o pão

 


[Cruz – era fazer a cruz com uma mão no forno. E depois dizia assim:


Assim como Deus é poderoso
Assim cresças tu no forno
Como a graça do Senhor cresceu pelo mundo todo]


Deus te acrescente
Deus te ponha a virtude
Para a boca da minha gente
Ámen, Jesus


Punha a farinha toda num monte (mais ou menos como a mim me ensinaram,
não é?) Era para o forno, era para o pão crescer.


[E a minha mãe dizia: Deus te acrescente para a boca da gente, que és para
muita gente. A gente, como éramos muitos: Deus te acrescente que és para muita gente,
dizia a minha mãe!]

 


Maria José Grácio, 2011,

Pereiro de Palhacana, Alenquer

 

Fonte:www.memoriamedia.net
Foto: Pixibay

 

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