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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

28.05.20

Benedita, Alcobaça @ Lendas de Portugal - Lenda de Nossa Senhora da Benedita

Miluem

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Foto: http://www.paroquiabenedita.pt

 

Lenda de Nossa Senhora da Benedita

 

 

Reza a história que quando a população da Benedita decidiu construir um templo para as suas orações, o lugar escolhido foi o centro da povoação, onde hoje se encontra um cruzeiro.

 

Dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, a igreja foi iniciada mas, após cada noite, a obra aparecia derrubada e novas paredes surgiam noutro local.

 

Aleixo, homem residente no Casal dos Solões e que assumiu a responsabilidade da obra, descartou a possibilidade de se tratar de um milagre até ao dia em que a sua filha mais nova lhe confessa ter tido uma aparição de Nossa Senhora, na fonte onde habitualmente enchiam cântaros de água, e que esta lhe pediu que a igreja fosse construída noutro local.

 

Aleixo castigou a filha e só depois de se verificar um segundo milagre – a morte e ressurreição de um bói, anunciada pela Virgem – é que acreditou haver intervenção divina na construção da igreja.

 

O templo foi erguido no mesmo local onde está a actual igreja e a fonte passou a ser conhecida como "Fonte da Senhora".

 

27.05.20

Cortes, Leiria @ Lendas de Portugal - A Ponte do Cavaleiro

Miluem

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Foto: Mapio

 

A Ponte do Cavaleiro

 

 

Era uma vez ... no tempo já distante, dos princípios do cristianismo, vivia uma senhora chamada Dona Loba, que era muito rica.

 

Esta Dona Loba prometera ao Apóstolo São Tiago converter-se à religião de Jesus de Nazaré, então a espalhar-se por toda a Europa.

 

Aquele Santo, que não gostava de perder, mandou dois dos seus discípulos mais dedicados a cristianizar aquela rica senhora. Ao mesmo tempo ela escrevia uma carta a um casal muito da sua confiança e que vivia ali nas Cortes, a uma curta légua de Leiria, a pedir-lhe conselho sobre a sua conversão à Verdade de Cristo.

 

Estes seus amigos chamavam-se Lúcio Venónio, ele, ela Celerina, e eram romanos muito ricos e muito poderosos. Logo que os discípulos de São Tiago chegaram á fala com Dona Loba ela entregou-lhes a carta que havia escrito para Venónio e para sua mulher.

 

Os discípulos andaram, andaram, e alcançaram a casa de Venónio e entregaram a carta de Dona Loba. Mas Venónio, que ainda não tinha ouvido falar da doutrina de Jesus de Nazaré, não gostou do que Dona Loba dizia e mandou-os prender. Era já noite.

 

Mas ... quando os raios de sol começaram a dar os bons dias à terra, os Anjos libertaram os prisioneiros que logo deram às de Vila Diogo.

 

Venónio, ao saber da fuga dos seus prisioneiros, deu por paus e por pedras e mandou-os perseguir pelos seus homens a cavalo. Os perseguidores correram a toda a brida e foram apanhá-los junto a uma ponte que ali havia. Mas os discípulos do Apóstolo estugaram o passo para o outro lado da ponte, a salvo.

 

O mesmo não sucedeu aos homens de cavalo, de Venónio, que, quando chegaram ao meio da ponte esta ruiu e, catrapuz ... homens e cavalos foi tudo de roldão por água abaixo.

 

O povo, o bom povo das Cortes e das vizinhanças, viu neste acontecimento um castigo de Deus e converteu-se à Religião de Cristo.

 

Também Venónio e sua mulher Celerina se tornaram cristãos, tão bons e generosos que, no dizer do povo, ela era uma boa Santa.

 

Venónio, tempo depois, morreu na paz do Senhor, e sua mulher, foi para Sines onde veio a ser martirizada, por não querer abjurar a sua Fé, e tornou-se Santa muito venerada naquela terra de Sines.

 

E foi deste modo que começou, na região de Leiria, a cristianização dos Povos.

 

 

(in Anais do Município de Leiria, João Cabral)

 

27.05.20

Tranglomanglo @ Lenga-Lengas da cultura portuguesa

Miluem

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Minha mãe teve dez filhos
todos dez dentro de um pote:
deu o tranglomanglo neles,
e não ficaram senão nove.



Desses nove que ficaram
foram amassar biscoito:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão oito.



Desses oito que ficaram
foram pentear o tapete:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão sete.



Desses sete que ficaram
foram esperar os reis:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão seis.



Desses seis que ficaram
foram depenar um pinto:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão cinco.


Desses cinco que ficaram
foram depenar um pato:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão quatro.



Desses quatro que ficaram
foram matar uma rês:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão três.



Desses três que ficaram
foram dar comida aos bois:
deu o tranglomanglo neles,
não ficaram senão dois.



Desses dois que ficaram
foram matar um perú:
deu o tranglomanglo neles,
e não ficou senão um.

 

E esse um que ficou
foi ver amassar o pão:
deu o tranglomanglo nele,
e acabou-se a geração.