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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

19.05.20

Mogadouro, Bragança @ Lendas de Portugal - A lenda da aranha

Miluem

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A Fuga para o Egito, por Fra Angelico
Museo di San Marco, em Florença, Itália

 

 

A lenda da aranha

 

A Santa Família seguia o seu itinerário na rota do Egipto, muito confiante em Deus, de Quem tinham recebido ordem da fuga, mas pouco confiantes na malícia e crueldade dos homens.

 

Procuram, pois, ocultar-se o mais possível, para não serem vistos, sobretudo com receio dos soldados do rei tirano.

 

Em certa altura da viagem, encontraram uma gruta bastante espaçosa Resolveram pernoitar ali e descansar da fadiga da viagem.

 

Enquanto dormiam, uma diligente aranha teceu uma grande teia que tapava completamente a entrada da gruta.

 

As nossas donas de casa, sabem bem, por experiência própria, como este insecto é desembaraçado, pois muitas vezes tiram uma teia e, no dia seguinte, eia aparece de novo, já reconstruída!

 

Os soldados de Herodes, que vinham seguindo as pegadas da burrinha, que, segundo a lenda transportava os poucos haveres da Sagrada Família, foram atraídos para a gruta por essas pegadas. Vendo, porém, a entrada vedada com a teia de aranha, disseram uns para os outros:

  

  — Aqui não podem estar porque, se entrassem, tinham que desfazer esta “aranheira”.

 

E retiraram-se sem terem notado a presença das três Santas Pessoas.

 

Quando José, Maria e o Menino acordaram e se dispunham a prosseguir viagem, notaram a teia de aranha na entrada da gruta, e, fora desta, as pegadas dos soldados.

 

 Compreenderam que tinham sido salvos pela humilde e fraca aranha.

 

 Nossa Senhora teria dito então:

 

     —Bem hajas, pobre bichinho. Abençoado sejas por Deus.

 

É essa a razão, ainda segundo a lenda, por que muitas pessoas não matam a aranha, limitando-se a espantá-la, pois têm a superstição de que, matando-a, traz azar.

 

 

Fonte Biblio: OLIVEIRA, Casimiro Raízes: Poesia, Contos e Lendas Mogadouro,

Associação Cultural e Recreativa de Soutelo, 1998 , p.85-86

Place of collection: MOGADOURO, BRAGANÇA

Narrativa – When: XX Century, 90s - Crença: Unsure / Uncommitted

 

CeAO - Centro de Estudos Ataíde Oliveira

 

Foto: Wikipédia