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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

03.04.20

Gerês @ Lendas de Portugal - A lenda da Ponte da Mizarela

Miluem

A lenda da Ponte da Mizarela

 

ponte-da-misarela-montalegre.jpg

 

Reza sobre ela, a seguinte lenda:


"Diz-se que um padre, querendo fazer uma pirraça ao Diabo, se disfarçou em salteador perseguido pelas justiças de Montalegre, e foi certo dia, à meia-noite, àquele lugar para passar o rio.

 

Como o não pudesse passar, por meio de esconjuros, invocou o auxílio do Inimigo.

 

Ouve-se um rumor subterrâneo e eis que aparece, afável e chamejante, o anjo rebelde:

 

- "Que queres de mim?" - perguntou ele.

- "Passa-me para o outro lado e dar-te-ei a minha alma."

 

Santanás, que antegozava já a perdição do sacerdote, estendeu-lhe um pedaço de pergaminho garatujado e uma pena molhada em saliva negra, dizendo:

 

- "Assina!".

 

O padre assinou.

 

O Demo fez um gesto cabalístico e uma ponte saiu do seio horrendo das trevas.

 

O clérigo passa e, enquanto o diabo esfrega um olho, saca da caldeirinha da água benta, que escondera debaixo da capa de burel, e asparge com ela a infernal alvenaria, fazendo o sinal da cruz e pronunciando bem vincadas as palavras do exorcismo.

 

Santanás, logrado, deu um berro bestial e desapareceu num boqueirão aberto na rocha, por onde sairam línguas de fogo, estrondos vulcânicos e fumos pestilenciais.

 

O vulgo das redondezas, na sua ignorância e ingenuidade, e não sabemos a origem, aproveita-se da ponte para ali exercer um rito singular.

 

Quando uma mulher, decorridos que sejam dezoito meses após o seu enlace matrimonial, não houver concebido, ou, quando pejada, se prevê um parto difícil ou perigoso, não tem mais que ir à Mizarela, à noite, para obter um feliz sucesso. Ali, com o marido e outros familiares, espera que passe o primeiro viandante.

 

Este é então convidado para proceder à cerimónia, a qual consiste no baptismo in ventris do novo ou futuro ser.

 

Para isso, o caminhante colhe, por meio de uma comprida corda com um vaso adaptado a uma das extremidades, um pouco de água do rio e com a mão em concha deita-a no ventre da paciente por um pequeno rasgão aberto no vestuário para este efeito, acompanhando a oração com a seguinte ladaínha:

 

Eu te baptizo
criatura de Deus,
Pelo poder de Deus,
e da Virgem Maria.
Se for rapaz, será ‘Gervás’;
se for rapariga, será Senhorinha.
Pelo poder de Deus e da Virgem Maria,
um Padre-Nosso e uma Avé-Maria.

 

O barulhar iracundo da cachoeira no abismo imprime a estas cenas um cunho de tétrica magia.

 

Segue-se depois uma lauta ceia, assistindo, geralmente, o improvisado padrinho. E o êxito é completo: um neófito virá alegrar a família. Claro que se na primeira noite não passar o viandante desejado, a viagem à Mizarela repetir-se-á até o cerimonial se realizar nas condições devidas.

 

De um dos lados ergue-se um enorme rochedo que o povo denominou "Púlpito do Diabo", por crer que o Demo vai ali pregar à meia-noite, quando as bruxas das redondezas se reunem em magno concílio…


- Mário Moutinho e A. Sousa e Silva, O mutilado de Ruivães

 

http://www.serradogeres.com/index.php/locais-paisagisticos/ponte-do-diabo

 

 

https://dicasfemininas-su.blogspot.com/2014/07/paraisos-em-portugal-ponte-da-mizarela.html

 

 

Ponte do Diabo

 

A Ponte da Mizarela (ponte do diabo) localiza-se sobre o rio Rabagão, a cerca de um quilómetro da sua foz no rio Cávado, na freguesia de Ruivães, concelho de Vieira do Minho, distrito de Braga, em Portugal.

 

Liga as freguesias de Ruivães à de Ferral, no concelho de Montalegre.

 

Está implantada no fundo de um desfiladeiro escarpado, assente sobre os penedos e com alguma altitude em relação ao leito do rio, sendo sustentada por um único arco com cerca de 13 metros de vão.

 

Foi erguida na Idade Média e reconstruída no início do século XIX.

 

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde de 30 de novembro de 1993.