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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

16.12.19

Lenda da Flor de Natal @ Natal • Lendas • Contos & Tradições

Miluem

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Lenda da Flor de Natal

 

Diz a lenda da Flor de Natal, que uma menina mexicana muito pobre de nome Petita, que não podia oferecer um presente ao Menino Jesus na missa de Natal.

 

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Petita ia com o seu irmão Pedro a caminho da capela para a missa de Natal, quando comentou tristemente com o seu irmão que gostaria de oferecer um presente ao menino Jesus, mas nada tinha para Lhe dar.

 

Ao ver a tristeza estampada no rosto da irmã, Pedro disse-lhe que não deveria estar triste, pois o que importa quando oferecemos algo a alguém, é o amor com que oferecemos, não o presente propriamente dito, especialmente para Jesus, o que lhe interessa é a intenção com que o fazemos.

 

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A menina, ainda inconsolada, foi recolhendo no caminho alguns ramos secos que ia encontrando, para oferecer ao menino.

 

Ao chegar próximo da igreja, Petita olha para o ramo de galhos secos e sem vida que tinha nas mãos e chorou, mas mesmo assim, decide oferecê-lo com todo o seu amor.

 

Entra na igreja e quando coloca o ramo junto á imagem do menino Jesus, que se encontrava no presépio, imediatamente as suas flores se encheram de um vermelho vivo e intenso, comovendo todos os que estavam ao seu redor.

 

Dizem que as lágrimas de Petita deram vida ao ramo e desde então, a flor de natal floresce anualmente nesta época do ano. Mais um milagre natalício, que se diz estar na origem da tradicional Lenda da flor de Natal.

 

www.mulherportuguesa.com

 

Poinsétia

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Fotos com autor não identificado recolhidas do Pintrest

 

15.12.19

Caretos de Varge @ Natal • Lendas • Contos & Tradições

Miluem

Foto: Wikipédia

 

Caretos de Varge

 

Os Caretos de Varge fazem parte da Festa dos Rapazes de Varge, sendo esta uma das principais expressões das tradições transmontanas do solstício de Inverno que envolvem os Caretos, e realiza-se na icónica aldeia de Varge, localizada no Parque de Montesinho, no nordeste transmontano.


Incrivelmente, apesar dos problemas de esvaziamento demográfico que por vezes afligem estas aldeias, de 24 a 26 de Dezembro os jovens oriundos da aldeia regressam a casa para participar nesta festa e manter viva a tradição, com orgulho e dedicação.

 

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http://caretosvarge.blogspot.com/

 

Um outro Natal

 

No dia 24 de Dezembro, organiza-se uma reunião dos rapazes solteiros onde se prepara em segredo o que irá suceder.

 

O dia 25 de Dezembro começa bem cedo com a missa de Natal, e após a missa, os rapazes aparecem vestidos de Caretos, espalhando o caos e a desordem pela aldeia, saltando, gritando e rindo ao som dos seus chocalhos e de um gaiteiro acompanhado por bombo e caixa.

 

O feno é atirado ao povo, as raparigas são achocalhadas, a água das fontes é espalhada e os animais são provocados. A atmosfera transforma-se e cria-se a sensação de um mundo sobrenatural onde até o frio parece desvanecer.

 

A meio destas tropelias dá-se o “cantar das loas”, onde se critica ou ridiculariza acontecimentos e condutas de pessoas na aldeia durante o ano.

 

As loas são acompanhadas por vezes de pequenas representações cómicas, que no entanto podem encerrar duras críticas, mas ninguém pode levar a mal o comportamento dos Caretos ou as suas loas.

 

Estes representam o espírito do ano novo, e a promessa de fertilidade e abundância, sendo as loas o exorcizar de negativismo no seio da comunidade.

 

A partir da hora de almoço, os Caretos começam a andar de casa em casa, e continuam com as suas travessuras, aplacadas em cada casa apenas pela oferenda aos Caretos de enchidos, bolos e Vinho do Porto.

 

Para além dos Caretos, a festa é presidida por dois mordomos não mascarados, membros mais velhos da comunidade que foram nomeados no ano anterior para desempenharem este papel, e que têm na sua posse a “vara das roscas”.

 

Após os Caretos terem feito a ronda pelas casas, há uma corrida com o objectivo de obter as roscas das varas dos mordomos, pelas quais os vencidos pagam um valor pré-estabelecido aos vencedores.

 

No dia seguinte, toda a gente tem de estar presente quando o gaiteiro começar a tocar, sob pena de serem atirados ao rio caso se atrasem.

 

Dá-se a comemoração de Santo Estevão e respectiva missa, e o dia é mais solene, sem Caretos.

 

À noite realiza-se um jantar onde rapazes e raparigas voltam a estar juntos, culminando num baile, simbólico dos princípios masculinos e femininos em união renovada.

 

Simbologia da Festa dos Rapazes

 

Reminiscente de antigas festividades pagãs como o eram as Saturnais, as Dionisíacas e as Juvenálias, a Festa dos Rapazes de Varge é uma experiência quase espiritual, na qual a paz aparente de uma aldeia parece transformar-se num mundo de cor, êxtase, alegria, música, loucura e convívio, na qual se parte com os “diabos” e “espectros” do ano anterior e se prepara um novo ano.

 

As celebrações proporcionam um reviver das nossas raízes pagãs, através dos vários pequenos rituais, do comportamento e do simbolismo dos Caretos, e do espírito ligado à Terra e à natureza humana que estes representam.

 

 

https://www.portugalnummapa.com/caretos-de-varge/

 

14.12.19

Madeira @ Lendas de Portugal - Lenda de Arguim

Miluem

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Lenda de Arguim

 

No dia em que a Madeira emergiu dos mares, uma outra ilha atlântica, conhecida por Arguim, que se situava ligeiramente a Norte da primeira, submergiu.
 

D. Sebastião não teria perecido na batalha de Alcácer-Quibir, teria sido derrotado pelos mouros e fugira para uma ilha no oceano que seria Arguim. 
 

Todavia, na rota para esse local lendário, ele passara pela Ilha da Madeira, tocando o cabo do Garajau.


Na rocha mais saliente para o mar, espetou com todas as suas forças a sua enorme espada que aí ficou cravada e encantada.


A espada do rei ali ficou a aguardar que um dia ele a retomasse para a reconquista da terra portuguesa, que em pouco tempo foi submetida aos Filipes de Castela. 
 

Dom Sebastião passara a viver em Arguim, em castelos de ouro e marfim, guardado à porta por um leão. Este estilo de vida pacato entediava-o e este adormecia no doce regaço de ninfas e fadas. 
 

Posto isto, há muitos anos, uma caravela ida do continente em demanda da ilha da Madeira, teve à proa a ilha de Arguim, que emergiu subitamente.


A caravela, que transportava alguns jesuítas com destino ao Brasil, atracou no seu ancoradouro.


Os mais afoitos saíram de bordo numa chalupa que rumou em direção à praia, e qual não foi o seu espanto quando descobriram que os calhaus da praia eram compostos de ouro puro e a areia era constituída por pedrarias e marfins.


Os navegadores subiram então uma encosta onde esperavam encontrar novos deslumbramentos, quando a ilha submergiu arrastando-os para as águas do Atlântico. 
 

No fundo do mar existia outro mundo com flores de uma beleza estranha e peixes belíssimos.


Os navegadores assistiram a uma audiência da nova corte de D. Sebastião, numa cerimónia que lhes foi dedicada e com todos os detalhes das festas do paço real.


Quando a recepção terminou, a ilha emergiu e todos puderam regressar à praia, com promessas de regresso. 
 

A embarcação foi aportar na ilha da Madeira, onde os navegadores contaram aquilo que viram e anunciaram que, quando Arguim voltasse para sempre à superfície, a Madeira desceria aos abismos marinhos, desaparecendo para sempre do mapa.


O dia do regresso de Arguim dar-se-ia quando o moço rei quisesse voltar a recolher a sua espada ao cabo do Garajau para guerrear os ocupantes filipinos.
 

Diz-se ainda que, numa outra viagem, outra caravela carregada de mantimentos oriundos de Lisboa e com destino à Madeira, atravessou uma dura tempestade perto de Arguim.


Houve necessidade de lançar ao mar toda a carga quando, de repente, a nau voltou a equilibrar-se, numa surpreende quietude. 
 

O capitão mandou observar o mar e alguns homens, que tiveram coragem de mergulhar, contaram atónitos e temerosos que haviam visto uma cidade onde as pessoas recebiam, em festa, os sacos de mantimentos que vagarosamente iam descendo da superfície. Ali seria Arguim.

 

http://www.visitmadeira.pt/pt-pt/a-madeira/lendas/lenda-de-arguim