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As coisas que eu gosto! E as outras...

Este é o meu espaço, nele partilho as minhas fotos amadoras, as coisas que aprendi e vou aprendendo.

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27
Nov19

Caldas da Rainha @ Lendas de Portugal - A Praça da Fruta

Miluem

Foto: https://papelariapapiro.blogs.sapo.pt/27473.html

 
 
Caldas da Rainha  -  A Praça da Fruta
 
 
 
 
 
Conta a lenda que a Praça do Rossio foi oferecida pela própria Rainha Dona Leonor aos Produtores Agrícolas da Região para aí venderem os seus produtos.
 
 
Apesar de não existirem registos históricos de tal oferenda, a verdade é que o Mercado de Rua Caldense, comumente denominado Praça da Fruta, funciona até aos dias de hoje no local primitivo onde iniciou a sua atividade durante o século XV.
 
 
Todos os dias da semana as bancas coloridas são montadas, dando lugar ao único Mercado Diário ao Ar Livre em Portugal.
 
 
Apesar de os hábitos dos produtores e vendedores se terem mantido durante seis séculos, muitas são as histórias que há para contar sobre o local que inicialmente se denominava de Rossio da Vila.
 
 
É sabido que o pólo atrativo inicial da Cidade de Caldas da Rainha foi o Hospital Termal de Nossa Senhora do Pópulo, mandado edificar pela Rainha Dona Leonor no ano de 1485.
 
 
Para este lugar, doentes e banhistas de todo o País e Europa se veem dirigindo durante séculos para usufruir dos poderes medicinais das águas termais.
 
 
Contudo, desde cedo o comércio desenvolvido no Rossio da Vila atraía a si produtores das zonas circundantes para venderem os seus produtos: ”Tornando-se o centro de uma região agrária em crescimento, com bons campos para produções diversas, desde vinho, azeite e cereais até à preparação de lanifícios e ao arroteamento de terras para o cultivo dos mais variados produtos. Era também encontro de oleiros que ali se dirigiam para vender as suas peças de utilização doméstica “ (in Terras de Água, pág. 70)
 
 

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Foto: http://www.oesteativo.com

 
A dinâmica
 
 
O dinamismo desta zona leva a que no ano de 1750 aí seja construído o primeiro edifício destinado ao “Passo do Concelho, Câmara, Cadeia e Assougues” fora do Hospital Termal, onde a Câmara Municipal vinha desenvolvido funções até então.
 
 
Este novo espaço destinado às funções municipais foi mandado edificar pela Esposa de D. João Quinto, Rainha Dona Maria Ana.
 
 
O novo edifício da Câmara Municipal marca efetivamente a separação física da municipalidade em relação ao Hospital Termal e reforça a importância regional do Mercado de Caldas da Rainha.
 
 
Por esta altura já o Mercado Caldense, vulgo Praça da Fruta, se destacava por ser um pólo regional atrativo de produtores e compradores, sendo grande a abundância de géneros aí comercializados.
 
 
A denominação de Rossio da Vila foi mantida até ao ano de 1887 quando lhe foi atribuído o nome de Praça Maria Pia.
 
 
Por esta altura, no ano de 1880 a Câmara Municipal inicia um vasto programa de obras municipais destinadas a ampliar a rede de esgotos e embelezar o Rossio.
 
 
Assim, é construído o tabuleiro central com ondulados de basalto negro sobre fundo branco, identidade arquitetónica caldense, inaugurada no ano de 1883 e símbolo de um embelezamento progressivo da cidade, que lentamente prosperava com a vinda dos banhistas.
 
 
Segundo historiadores caldenses, para além de dar lugar a um grande foco de comércio local, a Praça Maria Pia congrega nos seus edifícios as tendências da arquitetura urbana de Caldas da Rainha, desde as suas primeiras manifestações românticas.
 

 

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A cerâmica
 
 
A utilização da cerâmica local está também presente na Praça, na decoração das fachadas das lojas com revestimentos cerâmicos, que denunciam a influência da Arte Nova e constituem o cenário romântico onde diariamente é montado o Mercado.
 
 
Com a Implantação da República a Praça Maria Pia passa a ser denominada Praça da República mantendo a mesma atividade e afluência de gentes, tendo sido recentemente recuperada pela Câmara Municipal com obras de embelezamento finalizadas a 10 de novembro de 2014.
 
 
O dinamismo da Praça da Fruta perdura até aos nossos dias simbolizando as múltiplas funções que os Mercados proporcionam às economias urbanas, constituindo-se como ponto de encontro da economia camponesa com o ciclo dos preços e o estímulo monetário, sendo um local para a circulação de mercadorias bem como de informações.
 
 
Como nos dizem os Autores de Terra de Águas – Caldas da Rainha História e Cultura: “No mercado se trocam “novidades”, se combinam negócios, se discutem alianças, se aprazam casamentos.” (pág.382)
 
 
Diariamente, nas Caldas da Rainha, desde do século XV perante um cenário de edifícios Românticos e o colorido das Frutas e Vegetais da época.