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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem-vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

07.10.19

Tabuaço @ Lendas de Portugal - O mistério da açucena

Miluem

Foto: MJP

https://nasombradaluz.blogs.sapo.pt/perfumada-61493

 

 

O mistério da açucena

 

 

    Já a minha mãe me dizia que dentro daquela capela, onde o Padre Francisco está sepultado, e numa frincha da sua sepultura, uma vez nasceu uma açucena. Ficou logo tudo:

 

                   — Ah! Como é isto possível?

 

     Como o povo ficou muito admirado com isso, houve uns rapazes daqui que quiseram ver o que é que lá existia por baixo, e abriram a sepultura.

 

Pior coisa não podiam ter feito. Nunca mais voltou a nascer açucena nenhuma.

 

 

Fonte Biblio: PARAFITA, Alexandre Património Imaterial do Douro

- Narrações Orais (contos, lendas, mitos) Vol. 1 Peso da Régua, Fundação Museu do Douro, 2007 , p.144

Place of collection: Granja Do Tedo, TABUAÇO, VISEU

Colector: Alexandre Parafita (M)

Informante: Teresa Veiga Amaral (F), 68 y.o., Granja Do Tedo (TABUAÇO) VISEU,

NarrativaWhen: XXI Century - Crença: Unsure / Uncommitted

 

07.10.19

Viseu @ Lendas de Portugal - O Castanheiro dos Amores

Miluem

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Foto: brigadadafloresta.abae.pt

 

 

O Castanheiro dos Amores

 

A filha gentil do castelão D. Lopo Soeiro, rico-homem de Viseu — nobre pelos seus pergaminhos e grandemente respeitado pelo valor da sua espada percuciente — e o esbelto cavaleiro D. Martim de Sousa, da Ala dos Namorados, que partia para a guerra a defender o seu país das investidas do audaz Castelhano, abraçavam-se e despediam-se soluçantes junto do Castanheiro dos Amores, na escuridão dessa noite saudosa e à hora em que a treva é mais espessa, e pelo espaço imenso transcorrem os duendes fugitivos.


A bela pedia a Martim de Sousa que tão depressa findasse a luta voasse ali aos pés daquela árvore bendita a restituir-lhe a vida que ele levava consigo presa para os campos de Aljubarrota.


Martim de Sousa desapertara então o pelote e, colocando sobre o peito a mão trémula da filha de D. Soeiro, disse-lhe:

 

            «Por minha fé que voarei para junto de ti; e que neste mesmo lugar nos encontraremos, tanto que pelejarmos essa rude peleja.»


A batalha pelejou-se, mas o nobre guerreiro é que não voltou mais.


Todavia o juramento cumpriu-se: o fantasma do apaixonado cavaleiro apareceu, volvido um ano, alta noite e à mesma hora, no Castanheiro dos Amores, e nunca deixou de vir, em cada aniversário, enquanto a bela castelã não foi juntar-se com ele no Céu.


Dava ele sempre três voltas em derredor da árvore sagrada e chamava soluçante pela filha de D. Soeiro.


Esta árvore lendária, que vegetava junto do muro da vedação que desce do Cruzeiro à Carreira dos Carvalhos, não longe do Paço Espiscopal de Fontelo, secou, mirrou-se, desfez-se em Setembro de 1889.

 

Foto: C.M. Viseu - Antigo Paço Episcopal de Fontelo

 

Fonte Biblio: VASCONCELLOS, J. Leite de Contos Populares e Lendas II Coimbra, por ordem da universidade, 1966 , p.686 - Ano: 1911 - Place of collection:  VISEU, VISEU
Informante: Correia de Lemos (M),
Narrativa - When: XIV Century, - Crença: Unsure / Uncommitted