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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

22.09.19

S. Jorge @ Lendas de Portugal - Lenda da Fajã de S. João

Miluem

Imagem: https://7maravilhas.pt/portfolio-items/faja-de-sao-joao/

 

 

Lenda da Fajã de S. João

 

 

Decorria o ano de mil setecentos cinquenta e sete e na Fajã de S. João, em S. Jorge, vivia uma pobre mulher, já de idade, que às vezes era zombada pelos vizinhos.


Nesse tempo, o pão de milho era a base da alimentação e era cozido em todas as casas, quase sempre ao sábado.


Depois limpava-se, enfeitava-se com flores nascidas nos pequenos jardins e tudo ficava pronto para o domingo, dia de descanso.


Estava a dita velhinha neste afazeres de pôr o lume ao forno e amassar o pão, quando bateram à porta. Como tinha as mãos sujas, falou, de dentro, mandando abrir.


A porta rodou sobre os cachimbos e apareceu uma formosa senhora a quem a velhinha com agrado disse:


 — Entrai, vinde para junto do meu lar, que eu gosto de dar a todos do pouco que Deus me deu. 


 Mas a senhora, com a voz de encantar, respondeu:

 
 — Ide dizer a toda a gente que fuja deste lugar e vá para a serra antes de chegar a noite. Um caso estranho vai dar-se em breve. 


A senhora fechou a porta e logo a velhinha deixou o que estava a fazer.


O lume apagou-se no forno e o pão ficou por acabar de amassar, mas foi de porta em porta, chamando e dizendo a todos que fugissem de casa e da Fajã, porque ia dar-se um acontecimento terrível.


Mais uma vez as pessoas zombaram da pobre velha e ninguém acreditou em tão triste profecia.


Mas ela não hesitou e, acreditando no que lhe tinha dito a senhora, pôs-se a caminho da serra, só com a filha, única pessoa da família e da vizinhança que a acreditou.


Durante a caminhada, não deixava de cismar no triste caso que se iria dar e nas pessoas que, por serem incrédulas, tinham ficado em perigo na Fajã de S. João.


Pela meia-noite a terra começou a baloiçar e o mar uivava ao longe com um som sinistro.


Deu-se um grande terramoto.


Muitas encostas desabaram, rochas enormes rolaram pela Fajã, indo parar ao mar, derrubando casas e destruindo cultivações na sua passagem veloz.


Os gritos das pessoas, o barulho da terra e das rochas a cair vibravam no mar.


Quando a manhã despertou e o sol começou a subir, à Fajã de S. João estava totalmente destruída e muita gente, que zombara da velhinha, dormia na paz do senhor.


O povo passou a dizer que a velhinha que fizera a profecia tinha falado com a Virgem Santa Maria e que, por ter tido fé, se tinha salvo e à filha.

 

Fonte Biblio: FURTADO-BRUM, Ângela Açores: Lendas e outras histórias Ponta Delgada, Ribeiro & Caravana editores, 1999 , p.199

Place of collection: Calheta, CALHETA DE SÃO JORGE, ILHA DE SÃO JORGE (AÇORES)

Narrativa - When: 1757 - Crença: Unsure / Uncommitted