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As coisas de que eu gosto! e as outras...

Bem Vind' ao meu espaço! Sou uma colectora de momentos e saberes, gosto de os partilhar por imagens e ou palavras.

As coisas de que eu gosto! e as outras...

04.12.20

Miranda do Corvo @ Lendas de Portugal

Miluem

 

Lenda de Miranda


Estava uma esbelta donzela no alto do seu castelo, quando um cavaleiro cristão, impressionado pela sua beleza, fica parado a contemplá-la.

 

A jovem sentiu por ele grande atração e os seus olhares cruzaram-se apaixonados. 

 

Ciente do perigo que corre o admirador, caso fosse descoberto pelos vigias, a bela moura suplica-lhe que continue a sua caminhada, dizendo-lhe “Mira e Anda”

 

Deste breve aviso resultou o nome de Miranda.

 

https://www.cm-mirandadocorvo.pt

Foto: https://pt.wikipedia.org/wiki/Miranda_do_Corvo

03.12.20

Chaves @ Lendas de Portugal - Lenda da Moura da Ponte de Chaves

Miluem

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Lenda da Moura da Ponte de Chaves

 

 

Depois da retoma de Chaves pelos Mouros ficou alcaide do castelo um guerreiro.  Este organizou o noivado entre o seu filho Abed e a sua sobrinha.  A bela jovem não recusara Abed,  pois nenhum dos poucos mouros que ali ficaram lhe despertara paixão.

 

Alguns anos mais tarde, os cristãos iniciaram a conquista da região de Chaves, tendo mesmo atacado a cidade.  O alcaide e seu filho encabeçaram a resistência moura e a defesa do castelo.

 

Numa ocasião, enquanto apreciava os combates, a sobrinha do alcaide fixou os olhos num belo guerreiro cristão que ganhava com os seus homens cada vez mais posições no castelo.  No mesmo instante, surpreendido, o guerreiro parou a ofensiva.  Interpelou-a acerca da presença de uma tão bela mulher num triste espetáculo daqueles e perguntou-lhe também se estava só.

 

Quando a moura respondeu que vivia com o tio, alcaide do castelo, o guerreiro mandou levá-la imediatamente para o seu acampamento.  A luta prosseguiu entretanto, e o castelo acabou por ser tomado.

 

Contudo, a jovem moura manteve-se refém dos cristãos e passou a viver feliz com o cavaleiro que a raptara.  Abed nunca lhe perdoou.

 

Depois de restabelecido de um ferimento de guerra, voltou a Chaves disfarçado de mendigo.  Certo dia, esperou que a sua prometida passasse na ponte e pediu-lhe esmola.  A jovem estendeu a mão ao pedinte e, nesse momento, Abed olhando-a nos olhos, disse-lhe que ficaria para sempre encantada sob o terceiro arco da ponte.  Só o amor dum cavaleiro cristão  -  não aquele que a levou  -  poderia salvá-la.  Contudo, disse-lhe também que esse cavaleiro nunca viria.

 

Depois destas palavras, a jovem moura, que tinha reconhecido Abed, desapareceu para sempre.  Abed fugiu de seguida.

 

Desesperado, o guerreiro cristão que com ela vivia tudo fez para a encontrar. Procurou incessantemente na ponte e até pagou para que lhe trouxessem Abed vivo para quebrar o encanto.

 

Mas a moura encantada da ponte de Chaves nunca mais apareceu e o cristão morreu numa profunda dor e saudade ao fim de alguns anos.

 

- Como referenciar: Lenda da Moura da Ponte de Chaves in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-04 20:44:23]. Disponível na Internet: https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$lenda-da-moura-da-ponte-de-chaves

 

- Foto: https://ncultura.pt/ponte-romana-de-trajano-chaves/

 

03.12.20

# À moda de Lá # Obuolių sūris - Queijo de maçã

Apple cheese - Receita tradicional lituana @ Eurocid

Miluem

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Apple Cheese


Ingredientes

5kg de maçãs descascadas e fatiadas
1 ½ Kg de açúcar
½ colher de chá de canela

 

Modo de preparação

Junte as maçãs com o açúcar e deixe repousar cerca de 48 horas, até se formar liquido.

Coloque o liquido numa panela e aqueça em lume brando até que metade do líquido tenha evaporado e o que resta se tenha tornado mais escuro e espesso.

Adicione ¾ das fatias de maçã coza, mexendo constantemente, até que se tenha formado uma massa espessa e não reste nenhum liquido (cerca de 1 hora).

Adicione as restantes fatias de maçã e a canela.

Coza até que as maçãs que adicionou por último fiquem suaves e com uma tonalidade mais clara.

Ponha esta massa num “cheese bag” húmido, ate-o e coloque entre duas tábuas, com um peso em cima, durante 2 dias.

Pendure num local arejado para secar.

Guarde num local fresco e seco.

 

Nota: Esta é uma receita típica, acompanhada tradicionalmente de vinho, chá e café.

 

Esta receita foi gentilmente cedida pela Embaixada da Lituânia em Portugal.

 

Fonte: Eurocid - República Portuguesa - Negócios Estrangeiros

Foto: https://www.lamaistas.lt/receptas/naminis-obuoliu-suris-58192

01.12.20

Rãs @ Lendas de Portugal - Nossa Senhora dos Verdes

Miluem

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Nossa Senhora dos Verdes

 

Dizem os Antigos que, em tempos remotos, Vide entre Vinhas, na zona de Celorico da Beira, sofreu uma praga de gafanhotos.

 

Nuvens de gafanhotos invadiram a povoação, destruindo tudo o que encontravam de verde nos campos.

 

Então, os habitantes da aldeia, pediram auxílio a Nossa Senhora, fazendo-lhe uma festa e procissão percorrendo os campos, implorando a salvação.

 

A imagem de Nossa Senhora passou a chamar-se Senhora dos Verdes em memória deste facto.

 

Source: FRAZÃO, Fernanda Passinhos de Nossa Senhora - Lendário Mariano Lisbon, Apenas Livros, 2006 , p.68
Place of collection: Vide Entre VinhasCELORICO DA BEIRA, GUARDA
Narrative- When - Belief: Unsure / Uncommitted -Classifications

Foto: https://descobertadahistorialocal.wordpress.com/2013/06/04/santuario-de-nosso-senhor-dos-caminhos/

 

30.11.20

Chacim, Macedo de Cavaleiros @ Lendas de Portugal - Senhora de Balsamão

Miluem

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Senhora de Balsamão

 

Perto de Chacim, aldeia do Concelho de Macedo de Cavaleiros, lá no alto do Monte Carrascal, há um convento habitado pelos padres marianos. E, junto do convento, há uma ermida branquinha aonde diariamente chegam grupos de pessoas que aí vão rezar, mergulhar no silêncio que dá paz ao espírito e apreciar a paisagem fascinante que dali se desfruta.

 

A pequena ermida tem por Padroeira Nossa Senhora de Balsamão, nome curioso, cuja origem a lenda seguinte nos vai explicar.

 

Segundo a lenda, no lugar da ermida, havia antigamente uma mesquita em honra de Maomé; e, no sítio do convento, um castelo ocupado por soldados mouros, às ordens dum rei cruel, inimigo figadal dos cristãos aos quais impunha, além de pesados impostos pecuniários, o humilhante imposto das donzelas.

 

Esse imposto consistia na obrigação de todas as raparigas dos seus domínios passarem a primeira noite do seu casamento no seu harém, para satisfazer os seus caprichos animalescos e libidinosos.

 

Amedrontados pelo seu grande poderio e pela sua extrema crueldade, os súbditos submetiam-se, embora revoltados, a esta ignominiosa prepotência, por se reconhecerem incapazes de se lhe oporem com êxito.

 

Longos anos se passaram debaixo desta humilhação revoltante, até que, um dia, um jovem, destemido e audaz, resolveu pôr fim a esta odiosa servidão.

 

Na véspera do seu casamento, jurou à noiva que não a deixaria sujeitar-se àquela desonra insuportável. A noiva, receosa da vingança do despótico tirano, implorou fervorosamente a protecção de Nossa Senhora de quem era muito devota e prometeu levantar-Lhe uma capela se Ela lhe valesse naquela angustiosa aflição.


No dia do casamento, depois da boda, o jovem recém-casado, disfarçado com o vestido da esposa, e acompanhado dos amigos com quem tinha combinado o plano da revolta, apresentou-se no castelo, pedindo licença para, todos juntos, oferecerem presentes e prestarem vassalagem a tão alto Senhor.

 

O pedido foi aceite e a comitiva entrou na sala do castelo com as facas de matar porcos, dissimuladas nos açafates, à guisa de presentes.

 

Quando o rei moiro apareceu, acompanhado da sua guarda real, para receber os presentes e levar a noiva para a sua alcova, o jovem puxou do punhal e cravou-o no coração do tirano, ao mesmo tempo que os companheiros faziam o mesmo aos guardas que o acompanhavam.

 

Aos gritos lancinantes dos moribundos, irromperam na sala estrepitosamente os restantes soldados, em grande número e armados até aos dentes.

 

A luta foi terrível e desigual: dum lado, a coragem e a determinação; do outro, a crueldade e a força. E, como contra a força não há resistência, a vitória pendia naturalmente para o lado dos mouros.

 

Mas, quando os cristãos começavam a fraquejar, feridos pelos alfanjes dos maometanos e tudo parecia irremediavelmente perdido, apareceu surpreendentemente, no meio deles, uma Senhora alta, toda vestida de branco, com um vaso de bálsamo na mão, que começou a ungir-lhes as feridas.

 

À medida que a Senhora desconhecida os ungia, as feridas ficavam subitamente curadas e a coragem renascia-lhes dentro da alma. Renovadas as forças e empolgados com esta aparição, atiraram-se, como S. Tiago aos mouros e a sorte do combate começou a mudar.

 

Agora, eram os mouros que retrocediam, apavorados com aquela aparição inopinada e inexplicável que atribuíam a alguma feitiçaria dos inimigos e contra a qual se sentiam impotentes para lutar.

 

Desmoralizados, incapazes de continuar a luta, puseram-se em fuga, precipitadamente, encosta abaixo, atropelando-se uns aos outros, para salvarem a vida. Mas encontraram pela frente toda a população que entretanto tomou conhecimento da revolta dos jovens e se preparou para os ajudar.

 

Então, os mouros, atacados pela frente e pela retaguarda, sofreram uma terrível chacina que os vitimou implacavelmente.

 

E assim acabou a abominável opressão do domínio sarraceno e começou a liberdade dos habitantes da região, os quais, atribuindo a vitória a Nossa Senhora, que, com o bálsamo na mão, curou as feridas dos seus filhos e lhes infundiu ânimo para levarem de vencida os odiados opressores, e ainda para darem cumprimento à promessa de noiva, iniciaram a construção da capela em sua honra, precisamente no local da antiga mesquita.

 

A Nossa Senhora deram o nome de Senhora do Bálsamo na Mão, que depois evoluiu para Senhora de Balsamão.

 

E ao lugar onde os mouros sofreram a chacina deram o nome de Chacim, terra próxima do Santuário de Balsamão.

 


Fonte: LITERATURA POPULAR DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO, por Joaquim Alves Ferreira (5 volumes)

https://www.folclore-online.com

Foto: https://viagens.sapo.pt/viajar/viajar-portugal/artigos/dormir-no-convento-de-balsamao-em-silencio-e-paz#&gid=1&pid=23